Acordo de um pesadelo, sabendo
que não havia sonhado, tudo é tão real, como posso estar acordado, alguém tinha
quebrado, alguém se tinha desleixado, e naquela manhã de outono, ao acordar,
tudo tinha mudado. Alguém se esquecera, tu tinhas esquecido de escolher, apenas
acordas-te, maquinalmente para os teus afazeres diários, nas tuas infinitas
preocupações de mãe, nos trabalhos domésticos numa repetição sem fim, nas tuas
suspeitas e infinitas inseguranças, tudo em ti é pensamento dissonante,
maquinalmente ação. Ao acordar, não existiu escolha, não existiu decisão, não
existiu sentir, apenas um acordar. Percebi que eu não existia ali, que tudo em
ti era ideia, mas que eu não estava lá, tudo em ti era trabalho, tudo em ti era
ação, mas eu não estava lá.
Percebi então, que
momentaneamente eu deixei de existir, mesmo assim estava ali, eu tinha também
acordado, eu era real, não um sonho, não um mero ser astral, invisível, no teu
desenrolar do novelo condutor das preocupações, eu não estava nesse novelo, não
fazia parte dele, mas no entanto, eu estava ali, era o suporte fiel, o garante
que o mesmo não se partia, não se quebrava, que tudo seguia um padrão
controlado.
Padrões desenhados mentalmente,
rotinas, consequências, tudo estudado até à exaustão da perfeição, do pequeno-almoço
à roupa, do fazer a cama, até ao endireitar do quadro, da loiça cuidadosamente colocada
na máquina, num alinhamento perfeito, as toalhas de rosto cuidadosamente
dobradas, como se nunca fossem usadas, parque ao bater da porta, no nosso lar,
nunca tivesse morado ninguém, tudo fica perfeito, aguardando na capsula do
tempo o nosso regresso.
Acordo de um pesadelo, sabendo
que não havia sonhado, tudo é tão real, como posso estar acordado, não
decidiste escolher-me esta manhã, mas sei que o farias, se tudo não fosse
temporalmente tão apertado, se tudo não fosse confrangedoramente tão controlado
pelo incauto ponteiro dos segundos, por isso amor, deixa para lá, hoje apenas
eu escolho Amar-te!



Querido poeta isso nos mostra uma vida de rotina de marasmo uma casa arrumada é uma casa sem vida inerte sem palavras sem afeto apenas costumes que vão se arrastando, muito triste, mais ao mesmo tempo bela descrição de uma casa sem afetos, como relata infinitamente nosso. Um abraço.
ResponderExcluirEm cada texto procuro incluir uma dinâmica diferente, as varias nuances do amor, mesmo na monotonia é possível continuar a "escolher amar", por a mesma pode ser agitada a qualquer momento....
ExcluirQuerido poeta isso nos mostra uma vida de rotina de marasmo uma casa arrumada é uma casa sem vida inerte sem palavras sem afeto apenas costumes que vão se arrastando, muito triste, mais ao mesmo tempo bela descrição de uma casa sem afetos, como relata infinitamente nosso. Um abraço.
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