O BDSM é uma filosofia e, cada um vive conforme seus conceitos próprios, conforme sua personalidade e forma de enxergar a vida.
No meu preceito, a submissão não é algo que se aprende , nem sentimento que nasce de um dia para o outro... É da essência, se nasce com alma submissa.
Não se cria, nem se planta, nem se cultiva a submissão... Pode se destruir uma vida e uma personalidade se tentares criar em uma mulher o que ela não é...
A entrega plena ocorre com a alma e não apenas com o corpo. Mesmo que seja apenas momentos de prazer, mesmo que seja apenas uma sessão, mesmo que seja apenas uma distração momentânea para ambos....a entrega do corpo começa na alma....pode ou não envolver amor....
Mas nunca existirá submissão sem entrega da alma...porque a verdadeira submissa a tem encravada dentro de si...
O amor, este surge ou não....
Algumas tem a sorte de conseguir AMAR aquele a quem pertence, e ser por ele amada...
Outras percorrem caminhos diversos na vida em busca de tal privilégio sem conseguir tal benção...
Nem mesmo as frustrações de um amor não correspondido, nem mesmo as tristezas de uma sessão mal conduzida, nem mesmo as marcas de um prazer não consentido...
A submissão está ali...dentro da submissa....adormecida e pronta para ser aflorada por aquele que souber estender-lhe a mão e tocar-lhe a alma.
Eu não sei fazer sexo por sexo, somente pelo prazer, não sei fazer sessão BDSM apenas por sessão e apenas buscando o prazer. Preciso estar envolvida, preciso amar, preciso sentir algo, preciso saber que aquele que está comigo, é meu e eu sou dele e que existe respeito, cumplicidade e que acima de tudo amor.
Eu somente me ajoelho diante do meu Senhor, porque o amo e sei que ele me ama e respeita meus sentimentos. Sabe valorizar cada ajoelhada, cada abaixada de cabeça e cada gesto de obediência.
Existe sim BDSM com amor.
Mas também existem aqueles que apenas vivem o BDSM filosofia de vida "sexual" sem envolvimento, mas que também tem meu respeito, porque na verdade, a essência do BDSM é a liberdade de sentimentos, liberdade de desejos, é deixar fluir o seu instinto mais intimo , mais escondido, mais profundo. É uma filosofia que faz a pessoa desabrochar para o mundo sexual e sentimental, sem preconceitos enraizados em nosso intimo pelos dogmas morais da sociedade.
BDSM não é depravação, ao contrário, existe muito respeito e acima de tudo, muito companheirismo.
Não pode existir mentiras entre os praticantes. Não pode existir qualquer tipo de diferenças.
Mas infelizmente, existem aqueles que se aproveitam da filosofia para viver a depravação sexual e confundem a cabeça de quem não conhece o verdadeiro BDSM.
Eu entendo o BDSM como um desenvolvimento psicológico do individuo, que aprende com o seu parceiro...a se libertar, exteriorizar sentimento, vontades, desejos, a viver a sua sexualidade com respeito, com adoração...
Na realidade sempre existirá sentimento.
O carinho existente entre o Dominador e sua submissa é imensurável. O verdadeiro Dominador vive pela sua submissa, vive para ajudá-la, ensiná-la, moldá-la. Mostrar a sua importância, o seu valor. O quanto é bela, o quanto é desejável e o quanto ela é extremamente importante .
É uma troca, a submissa vive para dar prazer ao seu Dono, mas quando faz isso, ela mesma sente imenso prazer. A nossa alegria é ver a felicidade estampada nos olhos de nosso Dono. É ver ele gozar com nosso toque, com nossa entrega, com nossa dedicação. É vê-lo sorrir.
E a submissa precisa disso, precisa sentir-se domada, entregue. Porque quando estamos assim, somos felizes, nos encontramos como mulher.
E não somos fracas. O fato da submissa/escrava, abaixar a cabeça para o Dominador, não quer dizer que é uma coitada, mandada pelo homem, que não tem autonomia ou vontades, ao contrário. Somos muito mais fortes e corajosas do que muitas mulheres, porque conseguimos exteriorizar com força e coragem que precisamos das restrições, das vendas, dos chicotes, do domínio psicológico e físico para sermos felizes.
Texto em parceria com a comunidade BDSM Society

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