Ao estacionar seu reluzente Maverick nos fundos da Harper's Restauração de Autos, Zane sentia o corpo esgotado, mas a mente a mil. Dera uma bela canseira em Lola, mas terminara a noite frustrado. Tivera uma mulher, mas não a que desejava.
Inferno, nunca mais veria Quinn Armentrouth na vida, então tinha de parar de se martirizar por ela!
Desceu de seu carro, seu tesouro, junto com a Harley que tinha em casa. Havia comprado os dois por preços de banana e os restaurara quase que como se houvessem acabado de sair da fábrica. E isso só fora possível pelo que aprendera com seu amigo, Jake Harper, a quem podia dizer, devia sua vida.
Trabalhava na empresa de restauração de carros e motos antigas a cerca de onze anos. Eram considerados os melhores da cidade e região nesse quesito.
Se não fosse por Jake e aquele emprego que amava tanto, nem sabia o que teria sido dele. Muito provavelmente teria se afundado no mundo do álcool e drogas...
Travou o carro e seguiu para a porta dos fundos da Harper's, coçando a cabeça. Era uma hora estranha para remoer o passado. Mas sabia o que trazia tudo aquilo a tona: conhecer Quinn Armentrouth!
Mesmo sendo tão diferente de Camille, ao menos fisicamente, de alguma forma ela o arremetera a um passado o qual queria manter bem enterrado. Era um lugar sombrio, onde uma mulher fora capaz de o deixar a ponto de perder a cabeça. E era onde entrava Jake que o tirara das trevas. Por todas essas razões, devia estava grato por não mais colocar seus olhos na doce bonequinha Quinn! Ela era linda, gostosa como o inferno, mas trazia consigo também um aviso de perigo para a sanidade de Zane.
Mas para torturá-lo como nada antes, enquanto fodia Lola, era no cheiro de maçã verde que pensava. E quanto tinha seu pau sugado por uma boca faminta, que nem mesmo seu apadravya parecia incomodar, desejava que seus dedos estivessem emaranhados em cabelos castanhos, com nuances mais claras, aqui e ali, e não em cachos vermelhos.
Maldição, que primeira impressão aquela mulher havia causado nele! E que ela se fosse logo!
A grande verdade era que ele era um grande filho da mãe fodido que crescera cercado por problemas, brigas em família e miséria. Abandonado pela mãe, aos nove, junto com sua irmã, seis anos mais velha, ele cresceu tendo tudo para ser um perdido na vida. Por conta do abandono da esposa, seu pai se tornará amargurado, ausente e procurara consolo para seus problemas na bebida. O pouco dinheiro que trazia para casa mal dava para alimentá-los.
Anna, sua irmã e ele tiveram de aprender a se virar sozinhos e ele começou a trabalhar cedo, sempre em oficinas, de onde veio a nascer sua paixão por carros. Carl Hudson morreu quanto Zane tinha apenas dezesseis anos, consumido pelo álcool. Em vinte e dois anos não tivera notícia s de sua mãe. Não que ele as desejasse. Uma mulher que deixa seus filhos por outro homem, nem mesmo deve ser tratada como mãe!
Os vizinhos de sua antiga cidade, Phoenix, Arizona diziam que era estranho por conta de suas tatuagens e cabeça rapada. Achavam que era um garoto perdido, o encaravam como se sempre a espera de ele fizesse algo próprio de sua aparência. Como roubar, se drogar e até mesmo vender esses entorpecentes. Ele não se importava com a opinião deles. Estava seguro de quem era e que não tinha nada a provar para ninguém. Tudo o que fazia de sua vida tinha um sentido, até mesmo suas tatuagens. E era um homem bom... até conhecer Camille Fairfield... Por tudo isso, garotas como Quinn Armentrouth, obviamente vindas de famílias ricas e tradicionais, nunca entrariam em sua vida para ficar. Já devia ter aprendido .
Na cozinha bem equipada da loja, contou aos amigos sobre o acontecido da noite anterior.
- Espera aí. A mulher te confundiu com um tarado, é isso?
Quem constatava isso era Boo Summers. Era um cara legal, mas um pouco lento de raciocínio. De aparência bonachona, era corpulento, com cabelos que pareciam não ver uma tesoura a bastante tempo. Podia não bater muito bem da cabeça, mas um artista na pintura de autos e motos.
- De tudo o que falei, foi nessa parte que prestou atenção? - fingia se indignar Zane, parando de mexer o açúcar em sua xícara fumegante de café.
- Eu sempre disse que você era estranho. Assustador... - ele prosseguia com sua voz lenta, calma, como se nada pudesse deixa-lo abalado.
– Careca e com esses desenhos estranhos nos seus braços... Que mulher que der de cara com você a noite não teria medo?
Jake e Zane trocaram um olhar divertido. Aquele era o Boo de sempre! A diversão do lugar:
- Eu a salvei, entendeu, cara? Na verdade eu fui um herói, está certo?
- Eu só estou falando... - o outro disse, saindo rumo a sua área de trabalho. Que aliás, lhe era sagrada. Ele não permitia que ninguém mexesse em suas ferramentas.
- Mas então, Zane? Ela era gata mesmo? – Jake inquiria, após a saída do pintor
- Gata? Não, essa expressão não pode definir aquela mulher. Ela era escultural, linda, uma bonequinha! Tão gostosa que se eu não tivesse me arranjado com a Lola, na noite passada, teria me acabado na mão, - ele fez um gesto de masturbação, arrancando risos do amigo. - se é que você me entende...
Eles gargalharam enquanto deixavam a cozinha e rumavam para o escritório bem decorado de Jake. Ele não tinha secretária. Dizia que não era necessário, que podia lidar com tudo sozinho.
- Além disso, - Zane prosseguia, acomodando-se na cadeira frente a enorme mesa de vidro de Jake, enquanto esse se sentava na cadeira atrás dessa.
- ela não é para o meu bico...
- Por quê?
Zane torceu a cabeça para um lado, suspirando: - Ela... pela aparência e pelo carrão, é uma garota de dinheiro. Da alta, entende? Como disse, não é para o meu bico.
Notou que Jake franziu o cenho, prestando mais atenção ao amigo:
- Sim, tipo Camille! - Zane respondeu a pergunta nos olhos do outro. - Diferente na aparência, mas... de alguma forma como ela.
- Então realmente é melhor manter distancia, amigão. – sua voz soava grave. - Você não precisa de outra mulher como aquela na sua vida! Definitivamente! - ele concluía sério
Somente ele conhecia a fundo, tudo o que Zane havia passado. Se não fosse sua mão estendida ou o puxão que ele lhe havia dado...
- Eu sei disso, meu irmão! - Ele batia nos braços da cadeira, antes de se colocar de pé. - Sei bem disso! Mas isso não me impede de notar como a garota era gostosa, não é? - ele fazia o contorno de um corpo de mulher com as mãos, com um sorriso sem vergonha no rosto. – Sou uma homem de carne e osso, caramba!
Jake também sorriu, parecendo aliviado:
- Olhar não arranca pedaços, não é verdade?
- É isso aí! - abrindo a porta, anunciou.
- Agora deixe-me trabalhar que é para isso que você me paga...
- Muito bem por sinal, não? – Jake gritava para ser ouvido por todos na oficina. Como se podia imaginar, houve um burburinho por parte dos empregados.
- Bem? - Zane gargalhou, já no corredor. - Faça-me rir, Ryan! - e seguiu para o seu "escritório". Na verdade uma desordem onde só ele se encontrava. Costumava dizer que era o estúdio onde fazia sua mágica.
Bom, sim, ele sabia que Quinn Armentrouth era inalcançável! Mas isso não impedia de ficar de pau duro, só de pensar naquele belo par de pernas. Ou naquele traseiro bem feito, o qual adoraria moldar com suas mãos, ele pensava sorrindo travessamento, enquanto vestia o macacão estilizado da Harper's Restauração. Seria difícil trabalhar naquele estado. Nem mesmo ter passado a noite dentro de Lola havia acalmado aquele desejo insano e repentino demais por aquela bela bonequinha. Era toda certinha e ele adoraria bagunçar um pouco seus cabelos, deixa-la ofegante, esgotada e pedindo por mais...
**********
Quinn chegou a Tesouros de Violet, ás oito e meia. Precisara caprichar na maquiagem para disfarçar suas olheiras. Os enormes óculos escuros em seu rosto delicado ajudavam um pouco... Após se deliciar na banheira e terminar completamente frustrada, não fora novidade ter sonhos quentes com um certo tatuado.
Sorriu, conformada ao abrir a porta pesada de vidro da loja. Era tudo o que teria dele: sonhos eróticos!
Àquela hora, somente as funcionárias estavam por ali, organizando as coisas para começar a receber público, às nove da manhã. A loja levava o nome de sua avó materna, que fora quem inaugurara o lugar. Desde criança a admirava, tanto seu gosto por antiguidades, como seu jeito doce, tranquilo de ser. Era seu exemplo de mulher! Não podia entender como Valentine podia ser filha de uma mulher sensacional como aquela! Quando ela estava à beira da morte, já com seus noventa e dois anos bem vividos, pedira à neta que cuidasse da loja. Não foi um fardo, já que sempre amara aquele lugar. Crescera brincando por entre aquelas prateleiras e balcões. Como não podia deixar de ser, sua mãe fora contra, quanto resolveu assumir de fato a loja, antes mesmo de a avó falecer, seis anos atrás. A verdade era que não se imaginava fazendo outra coisa. Mesmo sua faculdade de administração fora feita já com essa pretensão, e não para ajudar o pai no mundo dos negócios, como seus pais desejavam. De certa forma, desde que se entendia por gente, sabia que seu destino era cuidar da Tesouros de Violet.
Assim que entrou, Gwen, sua assistente, fiel escudeira e amiga pessoal veio ao seu encontro.
- Bom dia, chefinha! - Ele só será bom se ligar para o Eric e pedir um café da manhã completo! – sorriu para a outra.
- Com café duplo!
- Ok! Você manda! – ela já se voltava para ligar para a delicatessen preferida delas que pertencia a um amigo, estacou chamando por ele. – Blane está te esperando no escritório. – avisou, sorrindo de lado, sabendo que a outra estava pronta para dizimar o colega.
Quinn estreitou os olhos, como se estivesse arquitetando um assassinato: - Oh, ele vai se ver comigo agora! – e rumou para seu escritório, pisando duro.
Quando entrou, ele estava comodamente instalado na poltrona a frente de sua mesa, jogando uma pedra fóssil que valia o preço do apartamento dele, de uma mão a outra. Pedindo para morre!, pensou. Sabia que ela não gostava que mexessem em nada que se encontrava em seu recanto particular.
Assim que notou sua presença a suas costas, colocou a pedra de volt a mesa rapidamente e se colocou de pé:
- Quinn, minha rainha! – ele a recebia, com um sorriso largo no rosto, abrindo os braços num gesto muito teatral. - Por favor, eu preciso do seu perdão!
Ela conhecia o amigo. E só havia uma razão para ela a ter "esquecido" na tarde anterior.
- Qual é o nome dela, Blane?
- O que? Não. Quem? Eu não...
Obviamente que ele ia se fazer de desentendido! - O nome da garota que te prendeu ontem, a ponto de ter esquecido o nosso compromisso! - Ela o de fitou braços cruzados, encarando-o de forma impassível.
Blane sabia que havia sido pego. Assim nem tentou alongar aquela situação que já estava bem complicada para ele:
- Ok, o nome dela é Sophie e... Meu Deus, eu acho que estou apaixonado! - ao notar a expressão contrariada da patroa, se empertigou. - Mas eu só fui atrás dela depois de constatar que o Monet da família lá era falso, ok?
Quinn bufou:
- E não podia ter me avisado disso? O rapaz ficou sem jeito, correndo uma mão pela nuca, sem jeito:
- Ah, eu... – evitava seus olhos. - Me perdoe, Quinn! Eu estava para te ligar quando vi a Sophie... Então eu... Me deu um branco, foi isso.
- Foi isso? - Quinn o interrompeu incrédula. - Você sabe o que aconteceu comigo, sozinha naquele bairro que eu não conhecia? – aproximou-se dele, falando com gravidade. - Eu fui perseguida!
Notou quando o amigo ficou extremamente pálido. Quase teve pena, mas ele precisava saber qual poderia ter sido a consequência do ato dele.
- Eu poderia ter sido assaltada, estuprada e Deus sabe mais o que, se uma boa alma não aparecesse para me ajudar!
- Quinn... - ele se sentou, ainda muito pálido, engolindo em seco. - Eu... Você está bem agora?
Sim, graças a Zane Hudson, meu herói! poderia dizer. Tinha de admitir que não estava de todo brava com ele, pois com sua falta, tivera a oportunidade de conhecer aquele home incrível. O lado ruim era não mais vê-lo...
Porém Blane tinha de aprender a honrar seus compromissos! E se Zane não aparecesse? Ela nem gostava de pensar nisso.
- Estou, mas e se aquele bom homem não aparecesse? Tem ideia do que poderia ter acontecido comigo? Tudo por que você não pôde resistir a um rabo de saia? – cruzou os braços e suspirou, demonstrando sua decepção com o amigo.
- Eu estou muito desapontada com você, Blane! - só não mais por causa da oportunidade de ter conhecido aquele homem que ela sabia, iria frequentar seus sonhos por um bom tempo.
- Por favor, Quinn! – agora todo o ar zombeteiro, constante na expressão de Blane havia sumido. - Me perdoe! – ele se aproximava, as mãos unidas frente ao corpo. - Isso não vai se repetir, eu prometo!
Ela sabia que ele estava realmente arrependido. Conhecia bem o amigo. Não era um mau caráter, só tinha um fraco muito grande por mulheres bonitas.
- Eu vou pensar em uma forma de me redimir! Só me dê uma chance, querida! - ele buscava sua mão, pegando-a entre as suas e a levando aos lábios, enquanto fazia sua melhor carta de conquistador.
Ele sabia que seu charme não a atingia, pois se conheciam à mais de anos, mas devia estar desesperado.
Quinn apertou os lábios e libertou sua mão, indo para trás de sua mesa:
- Oh, você terá de fazer algo bem grande para se redimir comigo, Blane! Algo como encontrar um colar perdido de Cleópatra! Blane arqueou as sobrancelhas, esperando que ela dissesse que estava brincando. Quinn parou de ajeitar a cadeira e o fitou ainda séria:
- Algum problema, Blane?
Ele ergueu as mãos e deu um passo atrás, meneando a cabeça:
- Claro que não! Saindo agora, a procura dos tesouros de Cleópatra! Quando ele fechou a porta, Quinn enfim pode sorrir. Ele era louco o suficiente para partir em busca de algo da rainha do Egito!
- UH! Blane saiu com uma cara num misto de alívio e estou enrascado! - Eu tinha de coloca-lo em seu lugar! Ele é um bom amigo, mas não pode agir com tanta displicência em relação ao trabalho! E essa não é a primeira vez que acontece uma falha dele por causa de mulher!
- Eu sabia! – Gwen socava o ar. – Tinha de ter uma envolvida, senão não seria Blane!
- Pois é, só que dessa vez as coisas quase saíram do controle...
- Ah, espere, antes de mais nada, Deixe eu te avisar que Ashton O Chato III ligou três vezes a sua procura!
- Oh, Deus! O que ele quer agora? Se o bloqueei em meu celular e não o atendo em casa, o que o faz pensar que vou atender aqui?
- Bom, não sei! Eu disse que você não havia chegado e que seu seria cheio. Aí ele fez ameaças ao meu emprego, como se ele pudesse fazer algo em relação e tudo mais, caso eu não lhe passasse seu recado de ele ligou e precisava muito falar com você!
Quinn soprou o ar para fora junto com uma exclamação. Ashton já estava se tornando inconveniente! A ponto de ligar de madrugada, bêbado como um porco, somente para lhe dizer que a amava, que sentia sua falta. Agora era tarde demais para lamentar. Que pensasse antes de fazer o que tinha feito.
Gwen o odiava com todas as forças. Sabia de tudo o que havia feito a patroa e amiga. Começara a trabalha na Tesouros de Violet há uns quatro anos e por causa de seu jeito fácil de lidar, logo se tornara amiga pessoal de Quinn.
- Aquele palhaço! – murmurava ela. – Quando vai entender que mancadas do tipo que ele fez, não se perdoa? Mesmo amando muito, o que não é o seu caso.
- É um filhinho de papai mimado, acostumado a ter tudo na hora que quer! Isso não me inclui!
- Hey, meninas!
– era Julia quem entrava carregando a cesta de café da manhã, erguendo-a ao ar.
- Olhem o que eu encontrei perdido lá fora? E isso é ótimo, pois estou faminta!
Quinn conhecia Julia de toda suas vida. Era uma loira radiante, de lindos e expressivos olhos azuis.
- Melhor ainda eu ter pedido tudo dobrado! – Gwen ria. – Você é um verdadeiro dragão para comer, Julia, nem sei como consegue se manter toda gostosa assim! – ajudou-a a ajeitar a cesta no aparador e logo todas estavam em volta da comida.
- Malho muito, para poder comer tudo o que quero, senão... já estava uma bela porquinha! – ela gargalhava, batendo em sua barriga lisa. Quinn também riu e pegou seu café. Não era ninguém sem um belo café preto e forte!
- Bom, agora que as duas estão aqui, preciso compartilhar minha aventura da noite passada! – já estava de volta a sua cadeira e sentou-se depositando os pés, agora descalços sobre a mesa, fazendo ar de mistério. – E o Deus em forma de homem que conheci no processo! Pronto! Já conseguia total atenção das garotas que a fitavam com muito interesse agora. Os bolinhos e pãezinhos da cesta foram temporariamente esquecido. O sorriso de Quinn se alargou. Se envolvia homens, ela logo estavam alertas.
- Muito bem, cadela! – Julia se sentava frente a ela, as mãos repletas de pesticos. – Comece a falar!
- Agora! – Gwen, também munida de gostosuras, sentou-se ao lado da loira. – Com detalhes, por favor!
- Ok! – prostrou-se para frente e narrou à noite passada, começando pela perseguição que sofrera.
- Meu bom Deus! E tudo por causa de Blane! Por isso ele saiu daqui com aquela cara! – conluia sua assistente.
– Deve estar se sentindo muito culpado e é! - Total! Ele não resite a uma mulher bonita e eu sei disso, mas dessa vez passou dos limites!
- Tudo bem, Blane é um mulherengo, mas vendo que você está bem, onde entra o Deus em forma de homem? Quinn riu jeito afobado e direto da amiga:
-Bo, enquanto eu esperava por Blane no bar, vi esse homem... Tanto Gwen quanto Julia se apurarão, até mesmo parando de mastigar.
- E? – Julia inquiriu, ao que Quinn fez uma pausa dramática.
- Pensem num homem grande. Forte, com um corpo musculoso como um Apolo! Com cara de mal, de homem! Com uma bela tatuagem por todo seus braço... – olhou diretamente para a loira, pois sabia que a amiga adorava tatuagens, mas não tinha coragem de fazer.
- Caramba! – os olhos azuis eram vidrados agora.
- Quieta, assanhada! Deixe ela prosseguir! – cortava Gwen, humorada.
- Por favor, não se detenha por mim!
- Bem, acontece que foi ele quem me salvou de ser atacada! E, meninas... – Quinn recostou-se na cadeira, revirando os olhos com ar sonhador. – Que homem, que voz, que mãos! Um olhar misterioso, como se estivesse me desnudando em sua mente...
- Oh, pare ou terei de passar em casa para trocar de calcinha! - Cale a boca, Julia! – Gwen ralhava de novo.
– Pare nada! Quero detalhes! Quinn garagalhou: - Eu bem gostaria de ter mais detalhes, Gwen, mas foi só isso... – ela suspirou, resignada.
– Ele me salvou, eu agradeci e fui embora!
- Só isso? – Julia se exaltava.
– Como assim? Você conhece um homem de verdade e... é só isso?
A outra só torceu os lábios, dando de ombros:
- O que eu poderia fazer?
- Eu não sei o que, mas algo! – Gwen erguia um dedo, rodando-o no ar.
– Eu faria! Esse cara parece ser o meu número!
- O meu também! – interrompeu, sentindo certa possessão.
- Mas isso não significa que eu vá usar...
- Porque? – as duas perguntaram em uníssono.
- Porque muito provavelmente eu nunca mais o verei e... imagina Valentine Fitzgerald Armentrouth vendo a filhinha dela com um cara com essas características?
Gwen fez uma careta de desagrado. Ela não se dava nada bem com sua mãe. Apenas a suportava.
- Titia ia surtar... - concluiu Julia.
- Mas você não iria ser casar com ele!
- É, ia apenas uma boa trepada bastava!
- ela se levantava e cutucava Julia, sugestivamente, dando uma piscadela maliciosa.
- Certo?
- Muito certo! - a loira erguia a mão para bater na da outra.
- Titia nem iria ficar sabendo da existência desse tesão de homem! Quinn suspirou frustrada, outra vez.
- Mas acontece que eu sou uma covarde e deixei minha oportunidade passar! E agora eu nunca mais o verei...
- Não pegou o número do celular dele? – a assistente se indignava.
- Não deu o seu a ele? – Julia gralhava com voz esganiçada.
- Oh, sim! Claro, não é, meninas? – Quinn também se exaltava.
- Eu havia acabado de me safar de ser estuprada e morta e ia sair distribuindo meu número ao primeiro que apareceu!
Sim, ele era gostoso, tesudo como o inferno, que me deixou de calcinha tão molhada, que eu tive de me aliviar sozinha, senão nem conseguiria dormir...
- Hulk! - Julia deduzia, dando de ombro em Gwen.
- Ele nem foi necessário, amiga! - Quinn elucidava.
- Mas como eu dizia. Ele me impressionou, de um jeito que nenhum homem antes conseguiu, mas ainda assim era um desconhecido!
- Ele salvou você... - Julia dizia, como se algo estivesse óbvio ali.
- Sim, mas... Eu não podia...
- Pedir que ele a possuísse loucamente, que a fizesse gritar de prazer? - Gwen resumia teatralmente.
- Bom, está precisando disso, do canalha do Ashton...
E você mesma disse que não teve qualquer sexo interessante depois do seu ex...
- Nem durante o ex dela! -Sua assistente lembrava.
Quinn bufou revirando os olhos: Bem isso!
- Perdi sete preciosos anos com aquele idiota e nem fui bem fodida! Sei disso tudo, garotas. Mas eu não sou assim, não teria coragem... sabem, de simplesmente me insinuar dessa forma. Parecer desesperada, entendem? Não era uma situação típica, nos nem ao menos estávamos no bar, flertando um com o outro mais. Eu havia acabado de quase ter sido atacada e ia me oferecer? O que ele ia pensar de mim?
- Isso ia importar? Depois da transa vocês nem iam mais se ver... – a loira dizia, com ares de riso.
- A menos que fosse muito boa e quisessem repetir. – Gwen emendava.
- Mas até então, o que importa o que ele iria pensar de você? E eu duvido, bonitona como você é, com esse corpão, minha filha, que ele iria recusar! Quinn sorriu, com ar convencido:
- Não, ele não iria recusar. Ele estava me devorando com os olhos. Como disse, parecia me desnudar mentalmente. Era como um predador, prestes a atacar...
- Oh, meu Deus! Tatuado, musculoso e me olhando desse jeito... que calor! -Julia se abanava.
- Eu não deixava passar! Pulava no pescoço grosso dele e dizia: me devora, seu gostoso! Julia e Quinn riram com vontade do gesto de Gwen, jogando a cabeça para trás e prostrando os seios para frente.
- Eu queria ter tido essa sua coragem, mas não tive! Então o jeito é seguir com essa frustração e continuar a vida! Dessa vez foi a assistente quem suspirou frustrada:
- Pois é! Sendo assim, eu vou trabalhar! E pensar no seu tatuado... – já ia pela porta, quando se voltou.
– Ah, não se esqueça: ligue para o senhor Dumas. Ele quer falar com você.
- Ok.
- Bom! – Julia também se colocava de pé. – Já que você não fodeu com esse gostosão... me resta ir trabalhar também. Almoçamos juntas?
- Marcado. – ela respondeu distante. Não, ela não havia fodido com Zane Hudson, mas como queria...
Inferno, nunca mais veria Quinn Armentrouth na vida, então tinha de parar de se martirizar por ela!
Desceu de seu carro, seu tesouro, junto com a Harley que tinha em casa. Havia comprado os dois por preços de banana e os restaurara quase que como se houvessem acabado de sair da fábrica. E isso só fora possível pelo que aprendera com seu amigo, Jake Harper, a quem podia dizer, devia sua vida.
Trabalhava na empresa de restauração de carros e motos antigas a cerca de onze anos. Eram considerados os melhores da cidade e região nesse quesito.
Se não fosse por Jake e aquele emprego que amava tanto, nem sabia o que teria sido dele. Muito provavelmente teria se afundado no mundo do álcool e drogas...
Travou o carro e seguiu para a porta dos fundos da Harper's, coçando a cabeça. Era uma hora estranha para remoer o passado. Mas sabia o que trazia tudo aquilo a tona: conhecer Quinn Armentrouth!
Mesmo sendo tão diferente de Camille, ao menos fisicamente, de alguma forma ela o arremetera a um passado o qual queria manter bem enterrado. Era um lugar sombrio, onde uma mulher fora capaz de o deixar a ponto de perder a cabeça. E era onde entrava Jake que o tirara das trevas. Por todas essas razões, devia estava grato por não mais colocar seus olhos na doce bonequinha Quinn! Ela era linda, gostosa como o inferno, mas trazia consigo também um aviso de perigo para a sanidade de Zane.
Mas para torturá-lo como nada antes, enquanto fodia Lola, era no cheiro de maçã verde que pensava. E quanto tinha seu pau sugado por uma boca faminta, que nem mesmo seu apadravya parecia incomodar, desejava que seus dedos estivessem emaranhados em cabelos castanhos, com nuances mais claras, aqui e ali, e não em cachos vermelhos.
Maldição, que primeira impressão aquela mulher havia causado nele! E que ela se fosse logo!
A grande verdade era que ele era um grande filho da mãe fodido que crescera cercado por problemas, brigas em família e miséria. Abandonado pela mãe, aos nove, junto com sua irmã, seis anos mais velha, ele cresceu tendo tudo para ser um perdido na vida. Por conta do abandono da esposa, seu pai se tornará amargurado, ausente e procurara consolo para seus problemas na bebida. O pouco dinheiro que trazia para casa mal dava para alimentá-los.
Anna, sua irmã e ele tiveram de aprender a se virar sozinhos e ele começou a trabalhar cedo, sempre em oficinas, de onde veio a nascer sua paixão por carros. Carl Hudson morreu quanto Zane tinha apenas dezesseis anos, consumido pelo álcool. Em vinte e dois anos não tivera notícia s de sua mãe. Não que ele as desejasse. Uma mulher que deixa seus filhos por outro homem, nem mesmo deve ser tratada como mãe!
Os vizinhos de sua antiga cidade, Phoenix, Arizona diziam que era estranho por conta de suas tatuagens e cabeça rapada. Achavam que era um garoto perdido, o encaravam como se sempre a espera de ele fizesse algo próprio de sua aparência. Como roubar, se drogar e até mesmo vender esses entorpecentes. Ele não se importava com a opinião deles. Estava seguro de quem era e que não tinha nada a provar para ninguém. Tudo o que fazia de sua vida tinha um sentido, até mesmo suas tatuagens. E era um homem bom... até conhecer Camille Fairfield... Por tudo isso, garotas como Quinn Armentrouth, obviamente vindas de famílias ricas e tradicionais, nunca entrariam em sua vida para ficar. Já devia ter aprendido .
Na cozinha bem equipada da loja, contou aos amigos sobre o acontecido da noite anterior.
- Espera aí. A mulher te confundiu com um tarado, é isso?
Quem constatava isso era Boo Summers. Era um cara legal, mas um pouco lento de raciocínio. De aparência bonachona, era corpulento, com cabelos que pareciam não ver uma tesoura a bastante tempo. Podia não bater muito bem da cabeça, mas um artista na pintura de autos e motos.
- De tudo o que falei, foi nessa parte que prestou atenção? - fingia se indignar Zane, parando de mexer o açúcar em sua xícara fumegante de café.
- Eu sempre disse que você era estranho. Assustador... - ele prosseguia com sua voz lenta, calma, como se nada pudesse deixa-lo abalado.
– Careca e com esses desenhos estranhos nos seus braços... Que mulher que der de cara com você a noite não teria medo?
Jake e Zane trocaram um olhar divertido. Aquele era o Boo de sempre! A diversão do lugar:
- Eu a salvei, entendeu, cara? Na verdade eu fui um herói, está certo?
- Eu só estou falando... - o outro disse, saindo rumo a sua área de trabalho. Que aliás, lhe era sagrada. Ele não permitia que ninguém mexesse em suas ferramentas.
- Mas então, Zane? Ela era gata mesmo? – Jake inquiria, após a saída do pintor
- Gata? Não, essa expressão não pode definir aquela mulher. Ela era escultural, linda, uma bonequinha! Tão gostosa que se eu não tivesse me arranjado com a Lola, na noite passada, teria me acabado na mão, - ele fez um gesto de masturbação, arrancando risos do amigo. - se é que você me entende...
Eles gargalharam enquanto deixavam a cozinha e rumavam para o escritório bem decorado de Jake. Ele não tinha secretária. Dizia que não era necessário, que podia lidar com tudo sozinho.
- Além disso, - Zane prosseguia, acomodando-se na cadeira frente a enorme mesa de vidro de Jake, enquanto esse se sentava na cadeira atrás dessa.
- ela não é para o meu bico...
- Por quê?
Zane torceu a cabeça para um lado, suspirando: - Ela... pela aparência e pelo carrão, é uma garota de dinheiro. Da alta, entende? Como disse, não é para o meu bico.
Notou que Jake franziu o cenho, prestando mais atenção ao amigo:
- Sim, tipo Camille! - Zane respondeu a pergunta nos olhos do outro. - Diferente na aparência, mas... de alguma forma como ela.
- Então realmente é melhor manter distancia, amigão. – sua voz soava grave. - Você não precisa de outra mulher como aquela na sua vida! Definitivamente! - ele concluía sério
Somente ele conhecia a fundo, tudo o que Zane havia passado. Se não fosse sua mão estendida ou o puxão que ele lhe havia dado...
- Eu sei disso, meu irmão! - Ele batia nos braços da cadeira, antes de se colocar de pé. - Sei bem disso! Mas isso não me impede de notar como a garota era gostosa, não é? - ele fazia o contorno de um corpo de mulher com as mãos, com um sorriso sem vergonha no rosto. – Sou uma homem de carne e osso, caramba!
Jake também sorriu, parecendo aliviado:
- Olhar não arranca pedaços, não é verdade?
- É isso aí! - abrindo a porta, anunciou.
- Agora deixe-me trabalhar que é para isso que você me paga...
- Muito bem por sinal, não? – Jake gritava para ser ouvido por todos na oficina. Como se podia imaginar, houve um burburinho por parte dos empregados.
- Bem? - Zane gargalhou, já no corredor. - Faça-me rir, Ryan! - e seguiu para o seu "escritório". Na verdade uma desordem onde só ele se encontrava. Costumava dizer que era o estúdio onde fazia sua mágica.
Bom, sim, ele sabia que Quinn Armentrouth era inalcançável! Mas isso não impedia de ficar de pau duro, só de pensar naquele belo par de pernas. Ou naquele traseiro bem feito, o qual adoraria moldar com suas mãos, ele pensava sorrindo travessamento, enquanto vestia o macacão estilizado da Harper's Restauração. Seria difícil trabalhar naquele estado. Nem mesmo ter passado a noite dentro de Lola havia acalmado aquele desejo insano e repentino demais por aquela bela bonequinha. Era toda certinha e ele adoraria bagunçar um pouco seus cabelos, deixa-la ofegante, esgotada e pedindo por mais...
**********
Quinn chegou a Tesouros de Violet, ás oito e meia. Precisara caprichar na maquiagem para disfarçar suas olheiras. Os enormes óculos escuros em seu rosto delicado ajudavam um pouco... Após se deliciar na banheira e terminar completamente frustrada, não fora novidade ter sonhos quentes com um certo tatuado.
Sorriu, conformada ao abrir a porta pesada de vidro da loja. Era tudo o que teria dele: sonhos eróticos!
Àquela hora, somente as funcionárias estavam por ali, organizando as coisas para começar a receber público, às nove da manhã. A loja levava o nome de sua avó materna, que fora quem inaugurara o lugar. Desde criança a admirava, tanto seu gosto por antiguidades, como seu jeito doce, tranquilo de ser. Era seu exemplo de mulher! Não podia entender como Valentine podia ser filha de uma mulher sensacional como aquela! Quando ela estava à beira da morte, já com seus noventa e dois anos bem vividos, pedira à neta que cuidasse da loja. Não foi um fardo, já que sempre amara aquele lugar. Crescera brincando por entre aquelas prateleiras e balcões. Como não podia deixar de ser, sua mãe fora contra, quanto resolveu assumir de fato a loja, antes mesmo de a avó falecer, seis anos atrás. A verdade era que não se imaginava fazendo outra coisa. Mesmo sua faculdade de administração fora feita já com essa pretensão, e não para ajudar o pai no mundo dos negócios, como seus pais desejavam. De certa forma, desde que se entendia por gente, sabia que seu destino era cuidar da Tesouros de Violet.
Assim que entrou, Gwen, sua assistente, fiel escudeira e amiga pessoal veio ao seu encontro.
- Bom dia, chefinha! - Ele só será bom se ligar para o Eric e pedir um café da manhã completo! – sorriu para a outra.
- Com café duplo!
- Ok! Você manda! – ela já se voltava para ligar para a delicatessen preferida delas que pertencia a um amigo, estacou chamando por ele. – Blane está te esperando no escritório. – avisou, sorrindo de lado, sabendo que a outra estava pronta para dizimar o colega.
Quinn estreitou os olhos, como se estivesse arquitetando um assassinato: - Oh, ele vai se ver comigo agora! – e rumou para seu escritório, pisando duro.
Quando entrou, ele estava comodamente instalado na poltrona a frente de sua mesa, jogando uma pedra fóssil que valia o preço do apartamento dele, de uma mão a outra. Pedindo para morre!, pensou. Sabia que ela não gostava que mexessem em nada que se encontrava em seu recanto particular.
Assim que notou sua presença a suas costas, colocou a pedra de volt a mesa rapidamente e se colocou de pé:
- Quinn, minha rainha! – ele a recebia, com um sorriso largo no rosto, abrindo os braços num gesto muito teatral. - Por favor, eu preciso do seu perdão!
Ela conhecia o amigo. E só havia uma razão para ela a ter "esquecido" na tarde anterior.
- Qual é o nome dela, Blane?
- O que? Não. Quem? Eu não...
Obviamente que ele ia se fazer de desentendido! - O nome da garota que te prendeu ontem, a ponto de ter esquecido o nosso compromisso! - Ela o de fitou braços cruzados, encarando-o de forma impassível.
Blane sabia que havia sido pego. Assim nem tentou alongar aquela situação que já estava bem complicada para ele:
- Ok, o nome dela é Sophie e... Meu Deus, eu acho que estou apaixonado! - ao notar a expressão contrariada da patroa, se empertigou. - Mas eu só fui atrás dela depois de constatar que o Monet da família lá era falso, ok?
Quinn bufou:
- E não podia ter me avisado disso? O rapaz ficou sem jeito, correndo uma mão pela nuca, sem jeito:
- Ah, eu... – evitava seus olhos. - Me perdoe, Quinn! Eu estava para te ligar quando vi a Sophie... Então eu... Me deu um branco, foi isso.
- Foi isso? - Quinn o interrompeu incrédula. - Você sabe o que aconteceu comigo, sozinha naquele bairro que eu não conhecia? – aproximou-se dele, falando com gravidade. - Eu fui perseguida!
Notou quando o amigo ficou extremamente pálido. Quase teve pena, mas ele precisava saber qual poderia ter sido a consequência do ato dele.
- Eu poderia ter sido assaltada, estuprada e Deus sabe mais o que, se uma boa alma não aparecesse para me ajudar!
- Quinn... - ele se sentou, ainda muito pálido, engolindo em seco. - Eu... Você está bem agora?
Sim, graças a Zane Hudson, meu herói! poderia dizer. Tinha de admitir que não estava de todo brava com ele, pois com sua falta, tivera a oportunidade de conhecer aquele home incrível. O lado ruim era não mais vê-lo...
Porém Blane tinha de aprender a honrar seus compromissos! E se Zane não aparecesse? Ela nem gostava de pensar nisso.
- Estou, mas e se aquele bom homem não aparecesse? Tem ideia do que poderia ter acontecido comigo? Tudo por que você não pôde resistir a um rabo de saia? – cruzou os braços e suspirou, demonstrando sua decepção com o amigo.
- Eu estou muito desapontada com você, Blane! - só não mais por causa da oportunidade de ter conhecido aquele homem que ela sabia, iria frequentar seus sonhos por um bom tempo.
- Por favor, Quinn! – agora todo o ar zombeteiro, constante na expressão de Blane havia sumido. - Me perdoe! – ele se aproximava, as mãos unidas frente ao corpo. - Isso não vai se repetir, eu prometo!
Ela sabia que ele estava realmente arrependido. Conhecia bem o amigo. Não era um mau caráter, só tinha um fraco muito grande por mulheres bonitas.
- Eu vou pensar em uma forma de me redimir! Só me dê uma chance, querida! - ele buscava sua mão, pegando-a entre as suas e a levando aos lábios, enquanto fazia sua melhor carta de conquistador.
Ele sabia que seu charme não a atingia, pois se conheciam à mais de anos, mas devia estar desesperado.
Quinn apertou os lábios e libertou sua mão, indo para trás de sua mesa:
- Oh, você terá de fazer algo bem grande para se redimir comigo, Blane! Algo como encontrar um colar perdido de Cleópatra! Blane arqueou as sobrancelhas, esperando que ela dissesse que estava brincando. Quinn parou de ajeitar a cadeira e o fitou ainda séria:
- Algum problema, Blane?
Ele ergueu as mãos e deu um passo atrás, meneando a cabeça:
- Claro que não! Saindo agora, a procura dos tesouros de Cleópatra! Quando ele fechou a porta, Quinn enfim pode sorrir. Ele era louco o suficiente para partir em busca de algo da rainha do Egito!
- UH! Blane saiu com uma cara num misto de alívio e estou enrascado! - Eu tinha de coloca-lo em seu lugar! Ele é um bom amigo, mas não pode agir com tanta displicência em relação ao trabalho! E essa não é a primeira vez que acontece uma falha dele por causa de mulher!
- Eu sabia! – Gwen socava o ar. – Tinha de ter uma envolvida, senão não seria Blane!
- Pois é, só que dessa vez as coisas quase saíram do controle...
- Ah, espere, antes de mais nada, Deixe eu te avisar que Ashton O Chato III ligou três vezes a sua procura!
- Oh, Deus! O que ele quer agora? Se o bloqueei em meu celular e não o atendo em casa, o que o faz pensar que vou atender aqui?
- Bom, não sei! Eu disse que você não havia chegado e que seu seria cheio. Aí ele fez ameaças ao meu emprego, como se ele pudesse fazer algo em relação e tudo mais, caso eu não lhe passasse seu recado de ele ligou e precisava muito falar com você!
Quinn soprou o ar para fora junto com uma exclamação. Ashton já estava se tornando inconveniente! A ponto de ligar de madrugada, bêbado como um porco, somente para lhe dizer que a amava, que sentia sua falta. Agora era tarde demais para lamentar. Que pensasse antes de fazer o que tinha feito.
Gwen o odiava com todas as forças. Sabia de tudo o que havia feito a patroa e amiga. Começara a trabalha na Tesouros de Violet há uns quatro anos e por causa de seu jeito fácil de lidar, logo se tornara amiga pessoal de Quinn.
- Aquele palhaço! – murmurava ela. – Quando vai entender que mancadas do tipo que ele fez, não se perdoa? Mesmo amando muito, o que não é o seu caso.
- É um filhinho de papai mimado, acostumado a ter tudo na hora que quer! Isso não me inclui!
- Hey, meninas!
– era Julia quem entrava carregando a cesta de café da manhã, erguendo-a ao ar.
- Olhem o que eu encontrei perdido lá fora? E isso é ótimo, pois estou faminta!
Quinn conhecia Julia de toda suas vida. Era uma loira radiante, de lindos e expressivos olhos azuis.
- Melhor ainda eu ter pedido tudo dobrado! – Gwen ria. – Você é um verdadeiro dragão para comer, Julia, nem sei como consegue se manter toda gostosa assim! – ajudou-a a ajeitar a cesta no aparador e logo todas estavam em volta da comida.
- Malho muito, para poder comer tudo o que quero, senão... já estava uma bela porquinha! – ela gargalhava, batendo em sua barriga lisa. Quinn também riu e pegou seu café. Não era ninguém sem um belo café preto e forte!
- Bom, agora que as duas estão aqui, preciso compartilhar minha aventura da noite passada! – já estava de volta a sua cadeira e sentou-se depositando os pés, agora descalços sobre a mesa, fazendo ar de mistério. – E o Deus em forma de homem que conheci no processo! Pronto! Já conseguia total atenção das garotas que a fitavam com muito interesse agora. Os bolinhos e pãezinhos da cesta foram temporariamente esquecido. O sorriso de Quinn se alargou. Se envolvia homens, ela logo estavam alertas.
- Muito bem, cadela! – Julia se sentava frente a ela, as mãos repletas de pesticos. – Comece a falar!
- Agora! – Gwen, também munida de gostosuras, sentou-se ao lado da loira. – Com detalhes, por favor!
- Ok! – prostrou-se para frente e narrou à noite passada, começando pela perseguição que sofrera.
- Meu bom Deus! E tudo por causa de Blane! Por isso ele saiu daqui com aquela cara! – conluia sua assistente.
– Deve estar se sentindo muito culpado e é! - Total! Ele não resite a uma mulher bonita e eu sei disso, mas dessa vez passou dos limites!
- Tudo bem, Blane é um mulherengo, mas vendo que você está bem, onde entra o Deus em forma de homem? Quinn riu jeito afobado e direto da amiga:
-Bo, enquanto eu esperava por Blane no bar, vi esse homem... Tanto Gwen quanto Julia se apurarão, até mesmo parando de mastigar.
- E? – Julia inquiriu, ao que Quinn fez uma pausa dramática.
- Pensem num homem grande. Forte, com um corpo musculoso como um Apolo! Com cara de mal, de homem! Com uma bela tatuagem por todo seus braço... – olhou diretamente para a loira, pois sabia que a amiga adorava tatuagens, mas não tinha coragem de fazer.
- Caramba! – os olhos azuis eram vidrados agora.
- Quieta, assanhada! Deixe ela prosseguir! – cortava Gwen, humorada.
- Por favor, não se detenha por mim!
- Bem, acontece que foi ele quem me salvou de ser atacada! E, meninas... – Quinn recostou-se na cadeira, revirando os olhos com ar sonhador. – Que homem, que voz, que mãos! Um olhar misterioso, como se estivesse me desnudando em sua mente...
- Oh, pare ou terei de passar em casa para trocar de calcinha! - Cale a boca, Julia! – Gwen ralhava de novo.
– Pare nada! Quero detalhes! Quinn garagalhou: - Eu bem gostaria de ter mais detalhes, Gwen, mas foi só isso... – ela suspirou, resignada.
– Ele me salvou, eu agradeci e fui embora!
- Só isso? – Julia se exaltava.
– Como assim? Você conhece um homem de verdade e... é só isso?
A outra só torceu os lábios, dando de ombros:
- O que eu poderia fazer?
- Eu não sei o que, mas algo! – Gwen erguia um dedo, rodando-o no ar.
– Eu faria! Esse cara parece ser o meu número!
- O meu também! – interrompeu, sentindo certa possessão.
- Mas isso não significa que eu vá usar...
- Porque? – as duas perguntaram em uníssono.
- Porque muito provavelmente eu nunca mais o verei e... imagina Valentine Fitzgerald Armentrouth vendo a filhinha dela com um cara com essas características?
Gwen fez uma careta de desagrado. Ela não se dava nada bem com sua mãe. Apenas a suportava.
- Titia ia surtar... - concluiu Julia.
- Mas você não iria ser casar com ele!
- É, ia apenas uma boa trepada bastava!
- ela se levantava e cutucava Julia, sugestivamente, dando uma piscadela maliciosa.
- Certo?
- Muito certo! - a loira erguia a mão para bater na da outra.
- Titia nem iria ficar sabendo da existência desse tesão de homem! Quinn suspirou frustrada, outra vez.
- Mas acontece que eu sou uma covarde e deixei minha oportunidade passar! E agora eu nunca mais o verei...
- Não pegou o número do celular dele? – a assistente se indignava.
- Não deu o seu a ele? – Julia gralhava com voz esganiçada.
- Oh, sim! Claro, não é, meninas? – Quinn também se exaltava.
- Eu havia acabado de me safar de ser estuprada e morta e ia sair distribuindo meu número ao primeiro que apareceu!
Sim, ele era gostoso, tesudo como o inferno, que me deixou de calcinha tão molhada, que eu tive de me aliviar sozinha, senão nem conseguiria dormir...
- Hulk! - Julia deduzia, dando de ombro em Gwen.
- Ele nem foi necessário, amiga! - Quinn elucidava.
- Mas como eu dizia. Ele me impressionou, de um jeito que nenhum homem antes conseguiu, mas ainda assim era um desconhecido!
- Ele salvou você... - Julia dizia, como se algo estivesse óbvio ali.
- Sim, mas... Eu não podia...
- Pedir que ele a possuísse loucamente, que a fizesse gritar de prazer? - Gwen resumia teatralmente.
- Bom, está precisando disso, do canalha do Ashton...
E você mesma disse que não teve qualquer sexo interessante depois do seu ex...
- Nem durante o ex dela! -Sua assistente lembrava.
Quinn bufou revirando os olhos: Bem isso!
- Perdi sete preciosos anos com aquele idiota e nem fui bem fodida! Sei disso tudo, garotas. Mas eu não sou assim, não teria coragem... sabem, de simplesmente me insinuar dessa forma. Parecer desesperada, entendem? Não era uma situação típica, nos nem ao menos estávamos no bar, flertando um com o outro mais. Eu havia acabado de quase ter sido atacada e ia me oferecer? O que ele ia pensar de mim?
- Isso ia importar? Depois da transa vocês nem iam mais se ver... – a loira dizia, com ares de riso.
- A menos que fosse muito boa e quisessem repetir. – Gwen emendava.
- Mas até então, o que importa o que ele iria pensar de você? E eu duvido, bonitona como você é, com esse corpão, minha filha, que ele iria recusar! Quinn sorriu, com ar convencido:
- Não, ele não iria recusar. Ele estava me devorando com os olhos. Como disse, parecia me desnudar mentalmente. Era como um predador, prestes a atacar...
- Oh, meu Deus! Tatuado, musculoso e me olhando desse jeito... que calor! -Julia se abanava.
- Eu não deixava passar! Pulava no pescoço grosso dele e dizia: me devora, seu gostoso! Julia e Quinn riram com vontade do gesto de Gwen, jogando a cabeça para trás e prostrando os seios para frente.
- Eu queria ter tido essa sua coragem, mas não tive! Então o jeito é seguir com essa frustração e continuar a vida! Dessa vez foi a assistente quem suspirou frustrada:
- Pois é! Sendo assim, eu vou trabalhar! E pensar no seu tatuado... – já ia pela porta, quando se voltou.
– Ah, não se esqueça: ligue para o senhor Dumas. Ele quer falar com você.
- Ok.
- Bom! – Julia também se colocava de pé. – Já que você não fodeu com esse gostosão... me resta ir trabalhar também. Almoçamos juntas?
- Marcado. – ela respondeu distante. Não, ela não havia fodido com Zane Hudson, mas como queria...


Postar um comentário