Pelas minhas andanças através do meio BDSM (perfis em comunidades, blogues, sites e outros) percebi que existem algumas coisas que me soam um pouco diferentes, para não dizer estranhas.
Claro que esse diferente/estranho é tão somente a minha opinião/visão a respeito do que observo e interpreto. Nada mais que isso. Não estou aqui tentando dizer o que as pessoas devem ou não fazer de suas próprias vidas e principalmente como devem vivenciar as suas fantasias.
Claro que esse diferente/estranho é tão somente a minha opinião/visão a respeito do que observo e interpreto. Nada mais que isso. Não estou aqui tentando dizer o que as pessoas devem ou não fazer de suas próprias vidas e principalmente como devem vivenciar as suas fantasias.
Este texto trata-se apenas e somente da manifestação escrita de minha opinião a respeito disso que observo.
Uma coisinha que tem me chamado muito a atenção é a forma como alguns praticantes expressam a sua maneira de querer viver/praticar o BDSM ou o que seria o ideal e essencial para eles. Pelo que entendi alguns encaram o BDSM como algo extremamente necessário em suas vidas. Algo insubstituível ao extremo que sem o ele presente não conseguem viver uma vida plenamente prazerosa. Sem BDSM sempre fatará algo. Não existirá uma felicidade completa.
Eu não consigo encarar o BDSM dessa forma. Não conseguido colocá-lo nessa patamar de importância na minha vida. Talvez o meu nível de conhecido/vivência do BDSM pode até estar meio ralo ainda, mas não consigo vê-lo como algo extremamente necessário e que sem ele, eu simplesmente não viveria mais. Ele não é insubstituível, ele existe porque permito. Ele faz parte do que me dá prazer e que me faz feliz, mas não é o principal. Existem outros elementos tão importantes como ele, ou até mais importante.
Na minha maneira de encarar/viver o BDSM é indispensável agregar alguns aspectos “baunilhas”. Aspectos que para outros praticantes são vistos como verdadeiras blasfêmias, mas que para mim, fazem com que o BDSM seja algo muito mais interessante e gostoso.
Como não temos uma “bíblia” ou os “mandamentos” fixados em uma rocha descrevendo o que é e o que não é BDSM; ou a forma certa e/ou errada de praticá-lo, existe ai, no meu entendimento, a liberdade para cada um possa viver da forma que lhe dá mais prazer (BDSM é prazer no meu entendimento). Em outras palavras, cada um tem o seu BDSM. E por ser assim, podem existir elementos que dão prazer para alguns e estranheza para outros.
O que é estranho para mim, por exemplo, são algumas discussões nessas comunidades de relacionamentos, pois no meu entender são totalmente desnecessárias. Discussões sobre aspectos psicológicos dos subs ou dons/dommes, maneiras de interpretar o sinal x ou y dado pela pessoa w ou z, a melhor posição para se bater na bunda da sub tal e a fase da lua idéia para se realizar um fisting ou um spanking.
Sinceramente encaro isso como um mero e grotesco show de exibicionismo. Alguns podem até dizer que tais discussões são necessárias para que se possam esclarecer algumas dúvidas de possíveis iniciantes… Bom… talvez. O problema é que são raras as discussões ou “conselhos” que realmente valem a pena ler.
Leio muito por ai: “eu uso o BDSM para fugir das minhas frustrações da vida baunilha”.
Tá com frustrações na vida “baunilha”? Vai procurar um psicólogo para se tratar ou até mesmo um psicanalista. Só não use o BDSM como desculpa para isso.
Ou coisa do tipo: “Os “baunilhas” não entendem quem somos!”.
E o que somos? Por acaso não somos humanos como eles? Somos alienígenas? Não trabalhamos, estudamos, comemos, cagamos, pagamentos impostos, torcemos por algum time de futebol?
Onde tá a diferença? Nas preferências? No fato de ser praticante torna-o um super ser.
Talvez quem se torna praticante ganha super poderes. Os mesmos super poderes descritos por um submisso que li em uma dessas comunidades. Ele falava que apenas com o olhar, as pessoas se submetiam as vontades de seu Dono/dominador e caiam de joelhos.
Bom, não tenho super poderes. As pessoas não ajoelham apenas com um olhar meu. Eu como um terráqueo tupiniquim, sou praticante do BDSM e “baunilha” também. No meio não existe o switcher que às vezes domina e às vezes é dominado? Pois então, eu às vezes tenho vontade de fazer sessão com minha submissa e às vezes tenho vontade de simplesmente transar com ela.
Isso mesmo. Transar mesmo, sabe? Fazer aquele bom, suado e velho sexo gostoso entre duas pessoas que se gostam bastante… E que antes, durante e no final beijam na boca. (arghhh, alguns podem estar pensando).
Não tenha medo que colocar algumas coisas que sejam do meio “baunilha” na sua vivência BDSM. Se existem alguns valores que você presa não se sinta acanhado de praticá-lo na sua fantasia também. Não use o BDSM como fuga da sua realidade e sim como uma extensão de sua vida. Seja você mesmo dentro ou fora dele.
Muitos dos maus praticantes não se importam com valores típicos de uma vida “baunilha”, o respeito pelo próximo é um deles, por exemplo. Acham que por serem “dominadores”, “mestres”, “masters” podem tudo e nada pode contra eles. Enganam-se e enganam também aqueles que vem acreditar nisso.
Por isso, que não encaro o BDSM como algo extremamente necessário na minha vida. Existem outras prioridades, outros prazeres. BDSM faz parte da minha sexualidade, mas ela não me controla, sou eu quem a controla. E para mim, BDSM é apenas uma parte do todo.
Como iniciei esse post dizendo que vejo algumas coisas como diferentes, alguns também vão ler isso aqui e achar muito diferente. Ainda bem que é assim.
Lucius Ghostwish


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