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terça-feira, 16 de setembro de 2014

Uma gênia em busca do Amor - Capitulo 1






Capitulo 1

-Ultima chamada, embarque com destino a São Paulo Brasil no portão 6.

Não ouvi nenhuma das chamadas anteriores, devia estar no meio dos meus pensamentos, não sei por que aceitei voltar, detesto aeroportos, é um caos.

Chego ao balcão de embarque e entrego meu cartão, a moça confere meus documentos e me encaminha para a primeira classe, sim primeira classe a empresa que trabalho esta pagando, e sabem que eu sou excêntrica e valiosa por isso não se opuseram a pagar passagem de primeira classe.

Sento-me na poltrona e coloco o sinto, olho pela janela, e me perco nos meus pensamentos, que me levam a lembrança mais longínqua da minha infância.

Meu aniversario de três anos, meus pais já eram separados, e eu já havia operado o coração, dois irmãos da parte do meu pai ainda moravam conosco, bem como dois irmãos da parte da minha mãe.

Depois dessa lembrança, só me vem o enterro da minha mãe, ate hoje não quis saber como ela morreu, na verdade quando me contaram da sua morte, foi um alivio, não me entenda mal, mas eu era uma pessoa extremamente tímida e isolada do mundo, eu era o oposto de todos os irmãos de ambas as partes.

Minha mãe me teve com quarenta anos, eu sou temporona, acho que e assim que fala, ou raspa do tacho, bem não sei, ela veio da Itália com o primeiro marido e a sua filha primogênita e grávida da segunda, minhas irmãs Magda e Margarida, depois de uns anos no Brasil, nasceu o Mauricio, não sei o que aconteceu com o pai dos meus irmãos, mas sei que anos mais tarde conheceu meu pai e ficou grávida de mim, a ultima filha dela Melania, mas todos me chamam de Mel.

Voltando, o alivio foi por não ter mais que ouvir seus gritos e vê-la gesticular tanto, ou falar metade em português e metade em napolitano, como disse eu era tímida e isolada e aos cinco anos, já lia escrevia e tinha meu próprio mundo, o modo como falava gritando me assustava e ainda me assusto quando gritam próximo a mim, eu me isolava sempre, ela nunca soube como conversar comigo, por isso me senti aliviada, quando voltamos do velório, meu pai e meus irmãos se reuniram na sala e começaram a conversar, não sei o que diziam ou o motivo de brigarem, fui para meu quarto no meu mundo, ler um livro de matemática, os números me acalmam, e me dão apoio, me deixam sempre feliz.

Não sei quanto tempo passou, e minha irmã a Magda veio me chamar, sempre achei que tínhamos uma ligação especial, nos duas, ela tem vinte e dois anos a mais do que eu, então sempre a vi como uma adulta e não irmã.

Estavam todos sentados e calmos na sala, e o amigo de infância do Mauricio também estava o Ricardo, os dois dividiam um apartamento desde os dezoito anos, e sempre me chamavam de princesa de copas, nunca entendi, não sou ruiva, pelo contrario loira de olhos verdes.

-Princesa, você sabe que a mamãe não vai voltar, não é.

Lembro-me de pensar – Ainda bem – mas fiz que sim com a cabeça.

-Nos estamos tentando decidir onde e com quem você vai morar... - foi ai que eu tive que intervir.

-Eu não quero mudar, não gosto de mudar, e você e o Ricki podem morar comigo.

Todos se entreolharam eu não entendi, mas não queria mudar de cidade, eu sabia que meu pai não morava em são Paulo e sim em Belo Horizonte, era delegado, e por mais que a minha madrasta fosse boa, não queria mudar, na verdade detesto mudanças.

E foi assim, que meu irmão o Ni e o Ricki vieram morar comigo e cuidar de mim, foi à primeira vez que me senti amada e protegida.

Quando tinha sete anos, o Ni foi chamado na escola, por que eu não prestava atenção, e não tinha relacionamento social, pediram que me levassem num neurologista, pois acharam que eu era autista.

Voltamos para casa com um diagnostico bem diferente, eu na verdade não me interessava por que já sabia o que a professora estava ensinando, e isso era chato. O medico disse que eu era um Gênio, e que poderia alcançar coisas como o Einstein.

Voltamos mais algumas vezes no medico, e fizeram testes, onde foi comprovado que eu tinha na época um Q.I de 109 de um adulto muito inteligente, aos sete anos.

O medico e meus irmãos me levaram aos Estados Unidos, foi a primeira vez que mostrei os sinais de TOC (transtorno compulsivo obsessivo), no aeroporto, com o caos, pessoas por todos os lados e a confusão me deixaram cega e fiquei sentada e não queria sair.

Bem uma vez que estávamos em Massachusetts fui testada numa universidade chamada MIT (Massachusetts Institute of Technology), e comprovaram o que já sabiam. Deram orientações ao medico e ao Mauricio, e voltamos para casa.

Quando estava com doze anos, aqui no Brasil, não havia possibilidade de cursar a universidade nem dar mais continuidade no meu desenvolvimento acadêmico, mudei-me para Massachusetts, com bolsa de estudos integral, moradia e comida inclusa, ou seja, minha família não precisaria desembolsar nada.

O Mauricio e o Ricardo me acompanharam, e no dia que me instalei no meu quarto individual, conheci a Laura, e o John, eram mais velhos e muito gentis, ambos com vinte anos e ficou responsável por me mostrar tudo e por me apresentar o programa acadêmico.
Eles sempre foram muito gentis, e os professores, ficavam abismados com a minha capacidade intelectual, e a falta de traquejo social, considerado uma característica comum, nas pessoas com genialidade.

Aos dezoito anos já tinha a formação e dois PHD´s (Philosophiæ Doctor), e estava sendo contratada para desenvolver um motor na Ferrari, minha segunda grande mudança, para Maranello na Itália, próximo a cidade de Módena, como já sabiam que eu era excêntrica e tinha TOC todos na fabrica e no escritório foram orientados previamente como deveriam me tratar, maluquice né, mas um erro e eu poderia fechar na minha concha!
Bem posso dizer que a Ferrari, ou melhor, a Itália, foi o melhor lugar do mundo, aprendi muito, e cresci como ser humano, comecei a frequentar um psiquiatra e um psicólogo, e assim minhas obsessões diminuíram, às vezes voltam com tudo, mas hoje aos vinte e quatro anos estou bem melhor, e sei lidar com as situações de forma mais racional sem me fechar na concha.

-Senhoras e senhores, aqui que vos falava e o comandante, já estamos na altura do percurso e estamos tirando o aviso dos cintos de segurança, agradeço...

E parei de ouvir, tirei o cinto e me estiquei.

Estou voltando ao Brasil, depois de doze anos fora, e vivendo sozinha, vou voltar para a casa que sempre morei voltar a viver com o Ricki e o Mauricio, e isso esta me assustando muito.

Estou indo uma semana antes de começar a trabalhar, há bem esqueci depois de três anos na Ferrari e quatro motores, eu fui contratada pela Roll Royce na Alemanha, na divisão de turbinas de avião, e estou voltando ao Brasil, para trabalhar na planta em São Bernardo do Campo, pois todas as atividades direcionadas a turbinas de avião estão concentradas nessa fabrica, e como sou a responsável o projeto estou voltando para casa.

Você se pergunta como foi parar fazendo motores, e turbinas, sendo que você ama a matemática?

Simples, não contei, mas o Mauricio tem uma oficina de motos e carros antigos, alem de uma loja de motos, os anos que moamos juntos, eu vivia enfiada na oficina, e já sabia tudo de motores, então me formei, em Engenharia automobilística, mecânica e eletrônica, fora a física que também tenho formação.

O Ricki e formado em direito e dirige uma loja de roupas de festas feminina, apesar de não entender nada de moda, entende de negocio, de funcionários e é o braço direito e esquerdo do estilista.

Bem também estou voltando mais cedo, pois meu sobrinho filho da Margarida esta se casando no próximo fim de semana e sou uma das madrinhas e não provei o vestido ainda, sim meu sobrinho e mais velho do que eu, ele tem vinte e seis, minha Irma casou e engravidou, ou o contrario, vai saber aos dezoito anos.

-Senhoras e senhores, coloquem o cinto, iremos iniciar a aterrizagem.

Nem acredito que quatorze horas de voo terminaram, pego minha bagagem de mão, não trouxe malas, despachei tudo dias atrás, não queria ter preocupação ou coisas perdidas.
Avisto de longe o Mauricio e o Ricardo, faz só dois meses que me visitaram na Alemanha, mas parece uma eternidade, com eles sempre me sentia em casa e segura.

Os abraço bem apertado, demonstrando a falta que fizeram vamos para o carro, e somos levados ate a nossa casa, quando para na porta para abrir o portão eu desço.

Ela e tão menor de como eu lembrava, ou era eu que era pequena e a casa grande e agora a perspectiva mudou, nesses doze anos, não voltei aqui, vivi a vida que eu decidi que seria a melhor, conheci pessoas, viajei, melhorei e muito minhas habilidades sociais, só não consigo ainda ir a boates, mas bares e shows de rock vou sempre.

Abro a porta, e tem uma faixa: “BEM VINDA DE VOLTA A CASA.....MAGDA, MARGARIDA, MAURICIO, RICARDO, PAPAI, CAROLINA E  ANDRESSA.”

Achei tão lindo, olhei a sala tudo estava mudado os móveis a disposição, lembro-me de terem comentado que reformaram a casa, mas nunca vim ver. Agora a casa tinha quatro suítes no andar de cima, uma sala interligada com a cozinha e um escritório que arrumaram para mim, e na área atrás ainda tinha a piscina e o jardim e no fundo uma edícula, com uma sala de jogos, mesa de sinuca, xadrez, e pebolim, e píng-pong, e no andar superior era uma enorme sala com televisão e varias almofadas e sofás, bem confortáveis, para ver filmes, ou dormir.

Caminhei ate a área externa da piscina, e vejo minha família ali reunida!

Um por um vem e me abraça e da às boas vindas, mas tem gente que não conheço, e quando começa as apresentações.

-Mel esse e Douglas meu namorado. – diz minha Irma mais nova Andressa

-Essa a Patrícia, Mel, minha namorada. – diz o Rick mostrando uma linda moça japonesa igual a ele, mas com leves traços ocidentais.

-E esse e o nosso amigo Roberto, ele esta morando conosco por um tempo, o prédio onde morava esta interditada, então oferecemos o quarto vazio, espero que não se importe.

Um homem mais velho, na idade dos meus irmãos, devia ter uns quarenta e quatro como o Mauricio, mas era lindo, nunca achei homens mais velhos bonitos, claro que exceção ao Brad Pitt, George Clonei, mas o Roberto fazia par com esses, quando cheguei perto para cumprimenta-lo, algo dentro de mim acendeu, algo que nem eu sabia que existia.

-Claro que não me importo, será um prazer ter um amigo na casa, por que esses dois são irmãos.

Todos riram da minha piada, nenhum deles me conhecia mais, vinham me visitar, mas nunca ficou tempo o suficiente para me conhecer, alem do mais, quando você esta de férias, as coisas são mais divertidas, por isso se surpreenderam.

O que não foi surpresa para ninguém e o meu tom de voz baixo quase um sussurro, mas não e que eu queira, durante a cirurgia do coração, eu precisei ficar entubada e acabou machucando as cordas vocais, então quando falo acima do tom, acabo machucando muito, alem de ter dores, e infecções terríveis.

Passamos as horas agradáveis, conversando, mas sempre que olhava para o Roberto, algo formigava, ou ficava vermelha de vergonha, nunca fiquei assim, já conversei, com gente do mundo inteiro, já tive namorados, ou melhor, rolos, por que nunca queria alguém tempo suficiente para me apegar.

Então resolvi contar a grande novidade que ninguém sabia, levantei-me com um copo de champanhe na mão, e comecei.

-Bem pessoal primeiro obrigada por estarem aqui, mas tenho uma novidade, grande o bastante para me levar a lua – rio nervoso, estava morrendo de nervosismo – a cerca de um ano eu consegui desvendar a teoria dos Três Corpos da Física, e ano passado ela foi comprovada, e virou uma tese, que mudou alguns padrões da Física paliçada e teórica, e este ano eu estou concorrendo ao Premio Nobel de Física.

Todos me olharam pasmos, um premio Nobel, e algo inimaginável, inatingível, um sonho...continuei.

-E sou a primeira Brasileira a ter uma indicação na área de Física e sou a primeira mulher no mundo a ter a mesma indicação.

Os olhos arregalados de todos, diziam o quanto estavam surpresos, mas mais surpresa ainda ficou eu, com a atitude do Roberto, que ao ver que ninguém disse nada nem se moveu, levantou-se e me abraçou bem forte.

-Mel, que maravilha de notícia, acho que digo por todos quando digo que você e um GENIO, e que merece o prêmio, mais que os outros, PARABÉNS.

E foi uma explosão depois do comentário e todos me abraçaram e me beijaram e uma simples comemoração virou uma festa.


Acompanhem a historia no Widbook


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