O dia seria longo, então Quinn teria de se esforçar para tirar Zane da cabeça.
Depois de se fartar com o que restara do ataque de Gwen e Julia a cesta do café da manhã, começou a examinar sua agenda. No topo delas, estava ligar para o senhor Dumas, em letras grifadas. Ela franziu o cenho. Pelo jeito precisava mesmo falar com ela. Antonio Dumas era um cliente muito especial, tanto por ser um homem muito educado e gentil, como também não ter qualquer receio em gastar em antiguidades, quando essas realmente lhe interessavam. Gostava de quadros, vasos e até moveis que viessem de seu país de origem, a Espanha, mas era verdadeiramente aficionado em motos antigas. Há anos estava em busca de Harley Davison. E Quinn já havia encontrado várias, algumas até mesmo parecendo novas. Mas nenhuma era o que ele estava procurando.
Pegando o telefone, discou o número dele, que já sabia de cor. O hobby de colecionar antiguidades, só aflorara no homem após a morte de sua mulher, uma autoritária espanhola de sangue quente. Seria cruel da parte dela achar que o senhor Dumas parecia mais feliz após a morte da esposa? Mas assim lhe parecia. O casal sempre frequentara a casa de seus pais, desde a infância, por isso pensava de tal forma. Henriqueta Dumas era... bom, ela tinha um gênio forte, enquanto Armand era suave, um verdadeiro cavalheiro.
- Senhor Dumas? – cumprimentou assim que o senhor atendeu ao celular.
- Menina Quinn! Como vai?
Sorriu. Ela já até conhecia sua voz:
- Soube que está a minha procura.
- Sim, querida. Eu a encontrei!
- Desculpe... – começou, sem entender direito do que ele falava.
- Minha Harley, menina
- oh, mesmo? Isso é muito bom! Como conseguiu? – estava realmente curiosa, pois tanto ela quanto Blane procuravam pela moto, sem ter muito sucesso.
- Muito por acaso, navegando pela internet.
Quinn franziu o cenho. Tentou imaginar o senhor Dumas navegando. Ele realmente estava se redescobrindo... Era um vinicultor aposentado e de muito dinheiro, vindo não só de seus vinhos como também de herança. Somente após deixar a presidência de suas empresas, foi que enfim essas foram modernizadas. Por isso a surpresa em ouvi-lo dizer que estivera pesquisando na internet.
- Mas como? Onde? – ela estava de fato perdida. Esteve em contato com várias pessoas ligadas ao ramo de motos antigas, a procura da bendita moto e ele conseguira assim? Tão facilmente?
- Participo de alguns grupos de colecionadores de motos e de admiradores das mesmas. E num bate papo descobri esse senhor que estava se dispondo da sua Harley.
Quinn teve de segurar o riso. E as surpresas não paravam! O homem estava se tornando bem moderno!
- Mas tem certeza de que é mesmo uma Harley sem modificações?
O homem ficou quieto por um instante do outra lado da linha:
- Senhor Dumas?
- Bom, querida, eu realmente preferia que a visse pessoalmente.
- Claro, é só me dizer onde ela se encontra... ela buscou por uma caneta e papel,para anotar o endereço.
- Ótimo! Te espero as duas em minha casa!
- O que? Mas o senhor já comprou?
- Sim! – ele anunciava animado.
Ela não questionou. Ficou surpresa, mas não questionou. Ele era um homem esperto demais para ser passado para trás. Mas se já encontrara sua peça tão desejada, porque ainda necessitava dela? Bom, só saberia ao visita-lo.
- Ok, as duas estarei aí.
- Obrigado, querida! Estarei ansioso a sua espera!
Quinn se despediu enternecida de notar como o homem parecia uma criança diante de seu doce preferido.
Tão logo desligou, Gwen aparecia à porta:
- Ashton de novo! Ele é maluco, né? Fala de um jeito como se eu não quisesse passar suas ligações para você... – ela se deteve e pareceu ponderar. – Ok, ele tem razão nisso! – Riu, perversamente. – Mas é que agora a coisa está ficando séria! Ele simplesmente não para de ligar! Está até bloqueando o aparelho, não consigo fazer ou retornar ligações! Disse que se não o atender agora, vai aparecer por aqui.
Quinn bufou:
- Maldito seja! Pode deixar, Gwen, eu vou atendê-lo.
- Isso. – a outra disse, gesticulando com a mão no ar, com seu jeito petulante. - E o mande pastar!
- Ele que force muito... – resmungou, rindo do gesto da amiga e pegando o aparelho telefônico de novo.
- Linha 2. – dizia a assistente, já saindo e fechando a porta.
Antes de clicar no número informado, Quinn respirou fundo. A última coisa que queria era ouvir a voz de seu ex. Mas ele parecia não entender que não desejava qualquer contato com ele. Ou fingia não entender...
- Ashton?
- Quinn? Eu não acredito que enfim me atendeu! – ele realmente parecia surpreso do outro lado da linha.
- Sim, eu o atendi, mas principalmente para exigir que deixe minha assistente em paz! Ela só está cumprindo ordens, entendeu? – ela foi seca.
- Ela não gosta de mim, Quinn! – seu ex retrucava com seu tom presunçoso.
- Ela não é a única... – resmungou, baixinho.
- O que? Eu não te ouvi, querida.
Oh, como ela odiava quando a chamava de querida! Sempre soou tão falso.
- O que você quer, Ashton? Eu tenho de trabalhar.
- Preciso ver você! – foi direto e soava meio apreensivo agora.
O que era estranho nele, que sempre fora seguro de si.
- Ashton... – ela começou, num tom pesaroso.
- Por favor, Quinn!
Ele estava implorando? E o melhor, parecia ansioso. Ashton Dawosn III estava implorando por ela! Isso era ótimo!
- Só um jantar...
- Estou com minha agenda cheia...
- Um café, um sorvete, o que seja! Mas eu preciso mesmo, muito, - enfatizava as últimas palavras. - te ver!
Contendo uma respiração pesada, Quinn conteve o desejo de desligar o telefone na cara dele. Não, o pedido dele não a comovia. Tudo o que passara com aquele homem a deixara insensível sobre tudo em relação a ele.
- Ashton, eu vou ser sincera com você. Outra vez! Não temos nada que conversar! Nada! Eu já disse tudo o que tinha a lhe dizer naquela tarde...
- Mas eu não disse! Você não deixou que eu me defendesse...
Quinn soltou uma exclamação chocada. Ele era mesmo muito cara de pau! Doente! Mimado!
- Se defender? – agora ela estava exaltada. – Se defender? Acha mesmo que você ainda precisava se defender? Eu vi, Ashton! Eu estava lá!
- Quinn, eu...
- O que vai me dizer? Que estava sendo atacado? Que você não estava fazendo aquilo por livre e espontânea vontade? Oh, por favor, respeite a minha inteligência, sim?
Ele ficou em silencio do outro lado da linha. Esperava tê-lo colocado em seu lugar.
- Eu me arrependi... – retornava ele, sua voz quase inaudível.
- Sim, se arrependeu por que eu o flagrei! Caso contrário, logo estaríamos casados e vocês continuaria... com suas orgias!
- Não, eu ia parar quando me casasse com você!
Quinn quase riu, embora não fosse cômico. Ele era mesmo tão infantil!
- Você sempre foi à única mulher de fato na minha vida, querida! As outras eram somente... diversão...
Meneando a cabeça, ela se sentia esgotada. Ele tinha esse poder sobre ela. Fazê-la se sentir cansada, deslocada. Ás vezes até inútil. Mas essa fase tinha acabado.
- Está dizendo que eu não era divertida? – não acreditou que essa pergunta havia saído de seus lábios. Era segura de si o suficiente para aquilo não a perturbar.
- Não é isso, querida! Com você era diferente. Você era... sagrada para mim! Meu bem maior, o meu tesouro!
Ok, aquelas palavras haviam soado sinceras. E talvez houvessem tido alguma importância tempos atrás, quando se sentia um só troféu que ele gostava de exibir. Mas agora eram só palavras.
- Ashton, eu realmente estou muito ocupada agora. Quando estiver com a agenda livre, eu te ligo, ok? E por favor, pare de ligar para o meu trabalho. - e antes que ele pudesse dizer algo mais, desligou.
Revirou seus olhos, imaginando a cara de perplexidade que ele devia estar fazendo agora, por ela ter tido a ousadia de desligar em sua cara.
- Mas ela está... praticamente destruída! – Quinn lamuriava, agora observando a Harley Davidson diante dela.
Sim, você notava que era a bendita moto, mas estava amassada, com pneus furados e muito riscada.
O senhor Dumas sorriu complacente, sempre acompanhado de um charuto:
- Menina Quinn! – ele meneava a cabeça. – Você não está olhando direito para ela.
Quinn cruzou os braços e franziu o cenho, observando com mais atenção ao monte de ferro retorcido, pois era isso que ela via diante de si.
- Ok, senhor Dumas! – ela cruzava os braços. - Me diga o que o senhor vê então.
O homem enlaçou seus ombros e começou, apontando a moto:
- Eu vejo a história dela. Venha, olhe isso. – ele mostrava o hodômetro da moto que mostrava sua quilometragem avançada. – Vê? Ela já andou muito! Imagine por onde ela levou seu dono! Lugares que eu sempre sonhei ir, montado numa dessas e nunca o fiz! E agora já tarde demais! É isso que vejo nela! Eu imagino os caminhos que ela percorreu... – ele acariciava seu banco com tanta ternura, que o coração de Quinn se enterneceu. – E agora eu a quero inteira, aqui comigo. Porque eu não pude participar do passado dela e suas histórias ficaram guardadas para sempre com seu antigo dono... mas o final dela será aqui, junto de mim!
Bom, ele a havia convencido. Agora fitava a moto com outros olhos. Sentia todo o sentimento que velho homem já nutria por aquele Harley.
- Meu Deus, senhor Dumas! – começou suavemente, enternecida. - Só agora consigo entender porque nenhuma outra das motos que lhe foi oferecida lhe agradou. Tinha de ser a moto!
Ele sorria satisfeito e até mesmo emocionado:
- Era isso mesmo, menina! Eu a estava procurando e ela a mim! Não importa o estado que tenha chegado eu a aceito!
Foi a vez de Quinn sorrir também, emocionada:
- Pois eu vou em busca do melhor restaurador de motos que exista!
- Não esperava menos de você, querida!
Ao sair da casa do senhor Dumas, ela já sabia a quem procurar.
Após uma algumas ligações, Quinn já se encontrava de frente a Harper’s Restauração de Autos e era recebida por seu dono. A moto seguia atrás dela, em uma caminhonete alugada para o transporte.
- Senhorita Armentrouth! Há quanto tempo!
- Olá, Jake. Mas por favor, apenas Quinn, ok?
- Certo. Quinn. É muito bom vê-la de novo! Está ainda mais bonita! Como é possível?
Jake era um galanteador. Um belo galanteador. Alto, de um porte atlético, os cabelos um pouco longos que lhe caiam sobre a testa e o homem tinha duas lindas covinhas para tornar seu sorriso ainda mais sedutor. Da última vez que estivera na ali, a pedido de um cliente, ela ainda estava noiva de Ashton. Já havia notado o quanto ele era bonito e charmoso, mas não lhe dera qualquer abertura, mesmo ele demonstrando interesse. Bom, agora já não havia noivado... E já que Zane estava fora de alcance, quem sabe não lhe dava uma chance?
- Obrigado, Jake! - lhe endereçou um belo sorriso. - Você é um sedutor, isso sim!
- Sou apenas sincero e aprecio uma bela mulher quando a vejo. - ele levou sua mão aos lábios, sem tirar os olhos dos dela.
Quinn não fazia o gênero tímido. Não era uma convencida nem nada, mas sabia que era bonita. Assim, retribuiu o olhar dele, instigando-o.
Ele deve ter percebido sua abertura, pois seu sorriso se tornou ainda mais largo:
- Por favor, venha se sentar...
- Oh, não. Tenho algo para lhe mostrar lá fora.
- Ok. Por favor, vá na frente.
Essa era velha. Sabia que a queria a sua frente para examinar o material. Se era assim, Quinn a atiçaria. Caminhou sinuosa até a frente da grande garagem.
- Uau! O que você tem aqui? - ele exclamava assim que parou diante do caminhão que trazia a moto.
- É de um cliente. Ele quer reformá-la. E eu logo me lembrei de que sua oficina é a melhor nesse quesito.
- Obrigado por se lembrar de mim. - lhe enviou outro de seus belos sorrisos. - Tenho o cara certo para o serviço! - ele enfiou a cabeça pela abertura de uma porta, que dava para os fundos do lugar e berrou. - Hey, Hudson! Traga essa sua bunda aqui para frente agora!
Ele havia dito...
- Hudson? - ela se viu inquirindo.
- Sim, é um de meus melhores funcionários! O cara é um artista quando se trata de motos! Principalmente Harleys. Ele é fã incondicional dessas belezinhas. Levou anos reformando a dele.
Era apenas coincidência! Dizia a si mesma. Havia vários Hudsons por Nova Iorque... Mas a simples menção do nome dele ou do nome igual ao dele a deixou sem ar.
- Chamou, patrão! - uma voz com tom de divertimento soou.
E foi quando o ar de Quinn realmente abandonou seus pulmões. Aquela voz era inconfundivel! Então ela voltou-se de queixo caído para encarar a personificação de seus sonhos mais eróticos, a apenas alguns passos de distancia dela.
E não podia estar mais sexy! Vestia um macacão preto com a parte de cima amontoada em sua cintura, uma camiseta também preta, justa, moldando seu peito e seus braços definidos. Seu abdome liso estava evidente e marcado pelo macacão. E ele trazia um sorriso zombeteiro nos lábios, enquanto encarava o patrão.
Ela teve de engolir, pois sabia que salivava olhando todo aquele material:
- Zane? - se viu dizendo, com voz esganiçada.
A sorriso dele sumiu ao que ouviu seu nome e a fitou. Pareceu tão surpreso ou mais que ela.
Oh, Deus! Era ela... Tão doce quanto uma visão, ali estava Quinn Armentrouth, encarando-o com seus belos olhos castanhos, quentes como chocolate o encarando. Ele não havia identificado sua cor na outra noite pois estavam numa penumbra. Seus lábios estavam entreabertos e sua face delicada refletia sua surpresa.
A simples imagem dela ali tão perto, em carne e osso tinha um impacto tão grande sobre ele! Um frio na espinha, a boca seca e o coração que parecia num galope frenético.
- Quinn?
Ela então esboçou um leve sorriso, fazendo o estomago dele se contrair. Era linda quando sorria.
Por um instante ele simplesmente não conseguiu fazer nada, nem mesmo um outro movimento além de encara-la. Só a vira uma única vez então como era possível que houvesse sentido saudades daquele rosto?
- Vocês se conhecem? - Jake perguntou quando percebeu que os dois não faziam nada mais do que se encarar.
Percebeu que Quinn ficou sem graça, correndo os dedos sobre as orelha, para ajeitar um cabelo que não estava fora do lugar:
- Oh, sim... Zane me ajudou na noite passada. Foi um herói!
- Espere! - Jake estalava, parecendo entender tudo. - Quinn é a garota falava mais cedo?
Quinn? Porque diabos Jake a estava chamando pelo primeiro nome? Qual seria a real relação de um com o outro? Não seria a primeira vez que se viam?
- Sim, é ela! - cortou-o seco. O fez para que não se estendesse muito no assunto e fazendo uma nota mental de lhe perguntar de onde conhecia Quinn e que interesse tinha nela. - O que a trás aqui, Quinn?
- Trabalho! - ela disse simplesmente.
Ele franziu o cenho, parecendo não compreender. Era Jake quem explicava:
- Quinn tem uma loja que vende antiguidades. De vez em quando ela trás algumas coisas aqui para serem restauradas...
Ali estava ele de novo, chamando-a pelo primeiro nome! Que grau de intimidade teria como ela? Se não era a primeira vez que ela passava por ali, como nunca a vira antes? Bom, provavelmente porque ele sempre ficava enfiado em sua oficina...
- E sei que você vai gostar do que ela trouxe! - Jake conluia, apontando uma caminhonete que só naquele instante ele notava.
E foi só então que seus olhos se deslumbraram com a, ainda que muito danificada, bela Harley Davidson sobre a carreta:
- Wow! Mas o que temos aqui! - exclamava subindo na traseira para examinar de perto.
Quinn molhou os lábios, apreciando como ele se movimentava com graça, não fazendo mais que dois movimentos para subir no automóvel. Os musculosos de seus braços potentes se flexionavam a cada gesto, numa expressão de força. Suas mãos grandes deslizavam pelo corpo da moto e ela desejava tê-las deslizando sobre o seu...
A voz de Jake a tirou de seu transe:
- Sabia que ele iria gostar! - se divertia ao ver o amigo, parecendo criança diante de um enorme brinquedo.
Percebeu que Zane se dirigia a ela.
- O que houve com essa gracinha?
- Ah... - ela limpou a garganta, implorando para que não soasse rouca... - eu na verdade não sei! Um cliente a comprou neste estado e a queria reformada.
- Ele a comprou assim?
Jake gargalhou da pergunta do amigo:
- Não entendo a sua surpresa, Zane. Lembra-se como encontrou Delayla?
O sorriso na face de Zane foi algo doce, como que para si mesmo. Quinn amou aquele sorriso quase encabulado.
- Bom, mas eu ia fazer todo o serviço nela... já aqui, o cara vai morrer com uma grana boa para tê-la como nova!
- Ok, acho que entendi. Delayla é a sua Harley? – ela concluía.
Zane franziu o cenho, parecendo confuso:
- Como sabe que tenho uma dessas?
- Eu disse a ela – Jake disse endereçando um sorriso seguido de uma piscadela a moça.
Zane decididamente não gostou daquilo. Ainda mais quando Quinn retribuiu com doçura seu sorriso. Ele não estava flertando com uma cliente sua! Ainda que fosse aquela. Era contra sua própria politica. Mas o que fazer se ela era realmente linda? Mas se ele estava nutrindo qualquer ideia de tê-la em sua cama, com toda certeza daquele mundo que ele seria um empecilho! Bem grande.
Mas sentiu certa tranquilidade e até um certo convencimento quando ela quebrou contato visual com Jake para procurar por ele e nele se deter. E a forma como ela o fitava... deixavam os pelos de sua nuca eriçados. Parecia esconder o que vinha em sua mente, mas seus olhos e seu sorriso tênue quase a denunciavam.
Ok, Jake Harper era sim muito bonito. Mas assim que avistou Zane Hudson novamente, qualquer chance que pudesse ter pensado em dar lhe havia se esvaído. Sua atenção e todos os seus sentidos estavam voltados para aquele monumento coberto de músculos nos lugares certos. Esperava não estar parecendo uma adolescente ansiosa, mas o que podia fazer se aquele homem a encantava?
Uma mão pousando em suas costas e um limpar de garganta que foi próprio para atrair sua atenção, fez com que Quinn deixasse de fita-lo e se voltasse para Jake.
Nem era preciso dizer que ele havia odiado aquela maldita mão boba do amigo. Qual liberdade tinha para tocar nela?
- Mas então, Quinn. Quer que Zane dê uma olhada naquela belezinha e lhe faça um orçamento?
Ela meneou a cabeça, fazendo seu rabo de cavalo balançar. Nas duas vezes em que se viram ela o estava usando. Gostaria muito de ver aquela cascata de cabelos castanhos soltas, correr seus dedos entre os fios e constatar se ainda cheiravam a maçãs verdes.
- Sim, é exatamente isso! E, por favor, Zane...
Oh, ele adorava ouvir seu nome pronunciado por aquela boquinha! Impossível não tentar imaginar como seria ele sussurrando em seu ouvido, com suas unhas bem feitas fincadas em suas costas, enquanto se enterrava entre suas pernas...
- ... não tenha receio! Quero que orce o melhor para essa moto! O senhor Dumas dispõe de muito dinheiro e realmente quer investir nela. Ele diz que ela o escolheu, então... – ela deu de ombros.
- Eu o entendo! – ele dizia, percorrendo a moto com olhos encantados. - Foi assim comigo e com Delayla também.
- Bom, qualquer pensaria que é loucura da parte dele, mas ver a paixão com a qual ele fala dessa moto... realmente te convence!
- Tenho certeza de que Zane também entende isso! Quando bateu os olhos em Delayla... precisava ver, para uma criança diante de um picolé gigante!
Quinn não pode evitar sorrir. Era bem assim que agora fitava Zane Hudson. Um grande, delicioso e suculento picolé gigante ao qual adoraria lamber...
Depois de se fartar com o que restara do ataque de Gwen e Julia a cesta do café da manhã, começou a examinar sua agenda. No topo delas, estava ligar para o senhor Dumas, em letras grifadas. Ela franziu o cenho. Pelo jeito precisava mesmo falar com ela. Antonio Dumas era um cliente muito especial, tanto por ser um homem muito educado e gentil, como também não ter qualquer receio em gastar em antiguidades, quando essas realmente lhe interessavam. Gostava de quadros, vasos e até moveis que viessem de seu país de origem, a Espanha, mas era verdadeiramente aficionado em motos antigas. Há anos estava em busca de Harley Davison. E Quinn já havia encontrado várias, algumas até mesmo parecendo novas. Mas nenhuma era o que ele estava procurando.
Pegando o telefone, discou o número dele, que já sabia de cor. O hobby de colecionar antiguidades, só aflorara no homem após a morte de sua mulher, uma autoritária espanhola de sangue quente. Seria cruel da parte dela achar que o senhor Dumas parecia mais feliz após a morte da esposa? Mas assim lhe parecia. O casal sempre frequentara a casa de seus pais, desde a infância, por isso pensava de tal forma. Henriqueta Dumas era... bom, ela tinha um gênio forte, enquanto Armand era suave, um verdadeiro cavalheiro.
- Senhor Dumas? – cumprimentou assim que o senhor atendeu ao celular.
- Menina Quinn! Como vai?
Sorriu. Ela já até conhecia sua voz:
- Soube que está a minha procura.
- Sim, querida. Eu a encontrei!
- Desculpe... – começou, sem entender direito do que ele falava.
- Minha Harley, menina
- oh, mesmo? Isso é muito bom! Como conseguiu? – estava realmente curiosa, pois tanto ela quanto Blane procuravam pela moto, sem ter muito sucesso.
- Muito por acaso, navegando pela internet.
Quinn franziu o cenho. Tentou imaginar o senhor Dumas navegando. Ele realmente estava se redescobrindo... Era um vinicultor aposentado e de muito dinheiro, vindo não só de seus vinhos como também de herança. Somente após deixar a presidência de suas empresas, foi que enfim essas foram modernizadas. Por isso a surpresa em ouvi-lo dizer que estivera pesquisando na internet.
- Mas como? Onde? – ela estava de fato perdida. Esteve em contato com várias pessoas ligadas ao ramo de motos antigas, a procura da bendita moto e ele conseguira assim? Tão facilmente?
- Participo de alguns grupos de colecionadores de motos e de admiradores das mesmas. E num bate papo descobri esse senhor que estava se dispondo da sua Harley.
Quinn teve de segurar o riso. E as surpresas não paravam! O homem estava se tornando bem moderno!
- Mas tem certeza de que é mesmo uma Harley sem modificações?
O homem ficou quieto por um instante do outra lado da linha:
- Senhor Dumas?
- Bom, querida, eu realmente preferia que a visse pessoalmente.
- Claro, é só me dizer onde ela se encontra... ela buscou por uma caneta e papel,para anotar o endereço.
- Ótimo! Te espero as duas em minha casa!
- O que? Mas o senhor já comprou?
- Sim! – ele anunciava animado.
Ela não questionou. Ficou surpresa, mas não questionou. Ele era um homem esperto demais para ser passado para trás. Mas se já encontrara sua peça tão desejada, porque ainda necessitava dela? Bom, só saberia ao visita-lo.
- Ok, as duas estarei aí.
- Obrigado, querida! Estarei ansioso a sua espera!
Quinn se despediu enternecida de notar como o homem parecia uma criança diante de seu doce preferido.
Tão logo desligou, Gwen aparecia à porta:
- Ashton de novo! Ele é maluco, né? Fala de um jeito como se eu não quisesse passar suas ligações para você... – ela se deteve e pareceu ponderar. – Ok, ele tem razão nisso! – Riu, perversamente. – Mas é que agora a coisa está ficando séria! Ele simplesmente não para de ligar! Está até bloqueando o aparelho, não consigo fazer ou retornar ligações! Disse que se não o atender agora, vai aparecer por aqui.
Quinn bufou:
- Maldito seja! Pode deixar, Gwen, eu vou atendê-lo.
- Isso. – a outra disse, gesticulando com a mão no ar, com seu jeito petulante. - E o mande pastar!
- Ele que force muito... – resmungou, rindo do gesto da amiga e pegando o aparelho telefônico de novo.
- Linha 2. – dizia a assistente, já saindo e fechando a porta.
Antes de clicar no número informado, Quinn respirou fundo. A última coisa que queria era ouvir a voz de seu ex. Mas ele parecia não entender que não desejava qualquer contato com ele. Ou fingia não entender...
- Ashton?
- Quinn? Eu não acredito que enfim me atendeu! – ele realmente parecia surpreso do outro lado da linha.
- Sim, eu o atendi, mas principalmente para exigir que deixe minha assistente em paz! Ela só está cumprindo ordens, entendeu? – ela foi seca.
- Ela não gosta de mim, Quinn! – seu ex retrucava com seu tom presunçoso.
- Ela não é a única... – resmungou, baixinho.
- O que? Eu não te ouvi, querida.
Oh, como ela odiava quando a chamava de querida! Sempre soou tão falso.
- O que você quer, Ashton? Eu tenho de trabalhar.
- Preciso ver você! – foi direto e soava meio apreensivo agora.
O que era estranho nele, que sempre fora seguro de si.
- Ashton... – ela começou, num tom pesaroso.
- Por favor, Quinn!
Ele estava implorando? E o melhor, parecia ansioso. Ashton Dawosn III estava implorando por ela! Isso era ótimo!
- Só um jantar...
- Estou com minha agenda cheia...
- Um café, um sorvete, o que seja! Mas eu preciso mesmo, muito, - enfatizava as últimas palavras. - te ver!
Contendo uma respiração pesada, Quinn conteve o desejo de desligar o telefone na cara dele. Não, o pedido dele não a comovia. Tudo o que passara com aquele homem a deixara insensível sobre tudo em relação a ele.
- Ashton, eu vou ser sincera com você. Outra vez! Não temos nada que conversar! Nada! Eu já disse tudo o que tinha a lhe dizer naquela tarde...
- Mas eu não disse! Você não deixou que eu me defendesse...
Quinn soltou uma exclamação chocada. Ele era mesmo muito cara de pau! Doente! Mimado!
- Se defender? – agora ela estava exaltada. – Se defender? Acha mesmo que você ainda precisava se defender? Eu vi, Ashton! Eu estava lá!
- Quinn, eu...
- O que vai me dizer? Que estava sendo atacado? Que você não estava fazendo aquilo por livre e espontânea vontade? Oh, por favor, respeite a minha inteligência, sim?
Ele ficou em silencio do outro lado da linha. Esperava tê-lo colocado em seu lugar.
- Eu me arrependi... – retornava ele, sua voz quase inaudível.
- Sim, se arrependeu por que eu o flagrei! Caso contrário, logo estaríamos casados e vocês continuaria... com suas orgias!
- Não, eu ia parar quando me casasse com você!
Quinn quase riu, embora não fosse cômico. Ele era mesmo tão infantil!
- Você sempre foi à única mulher de fato na minha vida, querida! As outras eram somente... diversão...
Meneando a cabeça, ela se sentia esgotada. Ele tinha esse poder sobre ela. Fazê-la se sentir cansada, deslocada. Ás vezes até inútil. Mas essa fase tinha acabado.
- Está dizendo que eu não era divertida? – não acreditou que essa pergunta havia saído de seus lábios. Era segura de si o suficiente para aquilo não a perturbar.
- Não é isso, querida! Com você era diferente. Você era... sagrada para mim! Meu bem maior, o meu tesouro!
Ok, aquelas palavras haviam soado sinceras. E talvez houvessem tido alguma importância tempos atrás, quando se sentia um só troféu que ele gostava de exibir. Mas agora eram só palavras.
- Ashton, eu realmente estou muito ocupada agora. Quando estiver com a agenda livre, eu te ligo, ok? E por favor, pare de ligar para o meu trabalho. - e antes que ele pudesse dizer algo mais, desligou.
Revirou seus olhos, imaginando a cara de perplexidade que ele devia estar fazendo agora, por ela ter tido a ousadia de desligar em sua cara.
- Mas ela está... praticamente destruída! – Quinn lamuriava, agora observando a Harley Davidson diante dela.
Sim, você notava que era a bendita moto, mas estava amassada, com pneus furados e muito riscada.
O senhor Dumas sorriu complacente, sempre acompanhado de um charuto:
- Menina Quinn! – ele meneava a cabeça. – Você não está olhando direito para ela.
Quinn cruzou os braços e franziu o cenho, observando com mais atenção ao monte de ferro retorcido, pois era isso que ela via diante de si.
- Ok, senhor Dumas! – ela cruzava os braços. - Me diga o que o senhor vê então.
O homem enlaçou seus ombros e começou, apontando a moto:
- Eu vejo a história dela. Venha, olhe isso. – ele mostrava o hodômetro da moto que mostrava sua quilometragem avançada. – Vê? Ela já andou muito! Imagine por onde ela levou seu dono! Lugares que eu sempre sonhei ir, montado numa dessas e nunca o fiz! E agora já tarde demais! É isso que vejo nela! Eu imagino os caminhos que ela percorreu... – ele acariciava seu banco com tanta ternura, que o coração de Quinn se enterneceu. – E agora eu a quero inteira, aqui comigo. Porque eu não pude participar do passado dela e suas histórias ficaram guardadas para sempre com seu antigo dono... mas o final dela será aqui, junto de mim!
Bom, ele a havia convencido. Agora fitava a moto com outros olhos. Sentia todo o sentimento que velho homem já nutria por aquele Harley.
- Meu Deus, senhor Dumas! – começou suavemente, enternecida. - Só agora consigo entender porque nenhuma outra das motos que lhe foi oferecida lhe agradou. Tinha de ser a moto!
Ele sorria satisfeito e até mesmo emocionado:
- Era isso mesmo, menina! Eu a estava procurando e ela a mim! Não importa o estado que tenha chegado eu a aceito!
Foi a vez de Quinn sorrir também, emocionada:
- Pois eu vou em busca do melhor restaurador de motos que exista!
- Não esperava menos de você, querida!
Ao sair da casa do senhor Dumas, ela já sabia a quem procurar.
Após uma algumas ligações, Quinn já se encontrava de frente a Harper’s Restauração de Autos e era recebida por seu dono. A moto seguia atrás dela, em uma caminhonete alugada para o transporte.
- Senhorita Armentrouth! Há quanto tempo!
- Olá, Jake. Mas por favor, apenas Quinn, ok?
- Certo. Quinn. É muito bom vê-la de novo! Está ainda mais bonita! Como é possível?
Jake era um galanteador. Um belo galanteador. Alto, de um porte atlético, os cabelos um pouco longos que lhe caiam sobre a testa e o homem tinha duas lindas covinhas para tornar seu sorriso ainda mais sedutor. Da última vez que estivera na ali, a pedido de um cliente, ela ainda estava noiva de Ashton. Já havia notado o quanto ele era bonito e charmoso, mas não lhe dera qualquer abertura, mesmo ele demonstrando interesse. Bom, agora já não havia noivado... E já que Zane estava fora de alcance, quem sabe não lhe dava uma chance?
- Obrigado, Jake! - lhe endereçou um belo sorriso. - Você é um sedutor, isso sim!
- Sou apenas sincero e aprecio uma bela mulher quando a vejo. - ele levou sua mão aos lábios, sem tirar os olhos dos dela.
Quinn não fazia o gênero tímido. Não era uma convencida nem nada, mas sabia que era bonita. Assim, retribuiu o olhar dele, instigando-o.
Ele deve ter percebido sua abertura, pois seu sorriso se tornou ainda mais largo:
- Por favor, venha se sentar...
- Oh, não. Tenho algo para lhe mostrar lá fora.
- Ok. Por favor, vá na frente.
Essa era velha. Sabia que a queria a sua frente para examinar o material. Se era assim, Quinn a atiçaria. Caminhou sinuosa até a frente da grande garagem.
- Uau! O que você tem aqui? - ele exclamava assim que parou diante do caminhão que trazia a moto.
- É de um cliente. Ele quer reformá-la. E eu logo me lembrei de que sua oficina é a melhor nesse quesito.
- Obrigado por se lembrar de mim. - lhe enviou outro de seus belos sorrisos. - Tenho o cara certo para o serviço! - ele enfiou a cabeça pela abertura de uma porta, que dava para os fundos do lugar e berrou. - Hey, Hudson! Traga essa sua bunda aqui para frente agora!
Ele havia dito...
- Hudson? - ela se viu inquirindo.
- Sim, é um de meus melhores funcionários! O cara é um artista quando se trata de motos! Principalmente Harleys. Ele é fã incondicional dessas belezinhas. Levou anos reformando a dele.
Era apenas coincidência! Dizia a si mesma. Havia vários Hudsons por Nova Iorque... Mas a simples menção do nome dele ou do nome igual ao dele a deixou sem ar.
- Chamou, patrão! - uma voz com tom de divertimento soou.
E foi quando o ar de Quinn realmente abandonou seus pulmões. Aquela voz era inconfundivel! Então ela voltou-se de queixo caído para encarar a personificação de seus sonhos mais eróticos, a apenas alguns passos de distancia dela.
E não podia estar mais sexy! Vestia um macacão preto com a parte de cima amontoada em sua cintura, uma camiseta também preta, justa, moldando seu peito e seus braços definidos. Seu abdome liso estava evidente e marcado pelo macacão. E ele trazia um sorriso zombeteiro nos lábios, enquanto encarava o patrão.
Ela teve de engolir, pois sabia que salivava olhando todo aquele material:
- Zane? - se viu dizendo, com voz esganiçada.
A sorriso dele sumiu ao que ouviu seu nome e a fitou. Pareceu tão surpreso ou mais que ela.
Oh, Deus! Era ela... Tão doce quanto uma visão, ali estava Quinn Armentrouth, encarando-o com seus belos olhos castanhos, quentes como chocolate o encarando. Ele não havia identificado sua cor na outra noite pois estavam numa penumbra. Seus lábios estavam entreabertos e sua face delicada refletia sua surpresa.
A simples imagem dela ali tão perto, em carne e osso tinha um impacto tão grande sobre ele! Um frio na espinha, a boca seca e o coração que parecia num galope frenético.
- Quinn?
Ela então esboçou um leve sorriso, fazendo o estomago dele se contrair. Era linda quando sorria.
Por um instante ele simplesmente não conseguiu fazer nada, nem mesmo um outro movimento além de encara-la. Só a vira uma única vez então como era possível que houvesse sentido saudades daquele rosto?
- Vocês se conhecem? - Jake perguntou quando percebeu que os dois não faziam nada mais do que se encarar.
Percebeu que Quinn ficou sem graça, correndo os dedos sobre as orelha, para ajeitar um cabelo que não estava fora do lugar:
- Oh, sim... Zane me ajudou na noite passada. Foi um herói!
- Espere! - Jake estalava, parecendo entender tudo. - Quinn é a garota falava mais cedo?
Quinn? Porque diabos Jake a estava chamando pelo primeiro nome? Qual seria a real relação de um com o outro? Não seria a primeira vez que se viam?
- Sim, é ela! - cortou-o seco. O fez para que não se estendesse muito no assunto e fazendo uma nota mental de lhe perguntar de onde conhecia Quinn e que interesse tinha nela. - O que a trás aqui, Quinn?
- Trabalho! - ela disse simplesmente.
Ele franziu o cenho, parecendo não compreender. Era Jake quem explicava:
- Quinn tem uma loja que vende antiguidades. De vez em quando ela trás algumas coisas aqui para serem restauradas...
Ali estava ele de novo, chamando-a pelo primeiro nome! Que grau de intimidade teria como ela? Se não era a primeira vez que ela passava por ali, como nunca a vira antes? Bom, provavelmente porque ele sempre ficava enfiado em sua oficina...
- E sei que você vai gostar do que ela trouxe! - Jake conluia, apontando uma caminhonete que só naquele instante ele notava.
E foi só então que seus olhos se deslumbraram com a, ainda que muito danificada, bela Harley Davidson sobre a carreta:
- Wow! Mas o que temos aqui! - exclamava subindo na traseira para examinar de perto.
Quinn molhou os lábios, apreciando como ele se movimentava com graça, não fazendo mais que dois movimentos para subir no automóvel. Os musculosos de seus braços potentes se flexionavam a cada gesto, numa expressão de força. Suas mãos grandes deslizavam pelo corpo da moto e ela desejava tê-las deslizando sobre o seu...
A voz de Jake a tirou de seu transe:
- Sabia que ele iria gostar! - se divertia ao ver o amigo, parecendo criança diante de um enorme brinquedo.
Percebeu que Zane se dirigia a ela.
- O que houve com essa gracinha?
- Ah... - ela limpou a garganta, implorando para que não soasse rouca... - eu na verdade não sei! Um cliente a comprou neste estado e a queria reformada.
- Ele a comprou assim?
Jake gargalhou da pergunta do amigo:
- Não entendo a sua surpresa, Zane. Lembra-se como encontrou Delayla?
O sorriso na face de Zane foi algo doce, como que para si mesmo. Quinn amou aquele sorriso quase encabulado.
- Bom, mas eu ia fazer todo o serviço nela... já aqui, o cara vai morrer com uma grana boa para tê-la como nova!
- Ok, acho que entendi. Delayla é a sua Harley? – ela concluía.
Zane franziu o cenho, parecendo confuso:
- Como sabe que tenho uma dessas?
- Eu disse a ela – Jake disse endereçando um sorriso seguido de uma piscadela a moça.
Zane decididamente não gostou daquilo. Ainda mais quando Quinn retribuiu com doçura seu sorriso. Ele não estava flertando com uma cliente sua! Ainda que fosse aquela. Era contra sua própria politica. Mas o que fazer se ela era realmente linda? Mas se ele estava nutrindo qualquer ideia de tê-la em sua cama, com toda certeza daquele mundo que ele seria um empecilho! Bem grande.
Mas sentiu certa tranquilidade e até um certo convencimento quando ela quebrou contato visual com Jake para procurar por ele e nele se deter. E a forma como ela o fitava... deixavam os pelos de sua nuca eriçados. Parecia esconder o que vinha em sua mente, mas seus olhos e seu sorriso tênue quase a denunciavam.
Ok, Jake Harper era sim muito bonito. Mas assim que avistou Zane Hudson novamente, qualquer chance que pudesse ter pensado em dar lhe havia se esvaído. Sua atenção e todos os seus sentidos estavam voltados para aquele monumento coberto de músculos nos lugares certos. Esperava não estar parecendo uma adolescente ansiosa, mas o que podia fazer se aquele homem a encantava?
Uma mão pousando em suas costas e um limpar de garganta que foi próprio para atrair sua atenção, fez com que Quinn deixasse de fita-lo e se voltasse para Jake.
Nem era preciso dizer que ele havia odiado aquela maldita mão boba do amigo. Qual liberdade tinha para tocar nela?
- Mas então, Quinn. Quer que Zane dê uma olhada naquela belezinha e lhe faça um orçamento?
Ela meneou a cabeça, fazendo seu rabo de cavalo balançar. Nas duas vezes em que se viram ela o estava usando. Gostaria muito de ver aquela cascata de cabelos castanhos soltas, correr seus dedos entre os fios e constatar se ainda cheiravam a maçãs verdes.
- Sim, é exatamente isso! E, por favor, Zane...
Oh, ele adorava ouvir seu nome pronunciado por aquela boquinha! Impossível não tentar imaginar como seria ele sussurrando em seu ouvido, com suas unhas bem feitas fincadas em suas costas, enquanto se enterrava entre suas pernas...
- ... não tenha receio! Quero que orce o melhor para essa moto! O senhor Dumas dispõe de muito dinheiro e realmente quer investir nela. Ele diz que ela o escolheu, então... – ela deu de ombros.
- Eu o entendo! – ele dizia, percorrendo a moto com olhos encantados. - Foi assim comigo e com Delayla também.
- Bom, qualquer pensaria que é loucura da parte dele, mas ver a paixão com a qual ele fala dessa moto... realmente te convence!
- Tenho certeza de que Zane também entende isso! Quando bateu os olhos em Delayla... precisava ver, para uma criança diante de um picolé gigante!
Quinn não pode evitar sorrir. Era bem assim que agora fitava Zane Hudson. Um grande, delicioso e suculento picolé gigante ao qual adoraria lamber...


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