Foque nos olhos, Zane!, ordenava a si mesmo. Não nos lábios sexys como o inferno! E nem fique tentando um vislumbre daquele bumbumzinho arredondado que viu ao que ela saia do bar. E por Deus, ignore o cheiro que emana dela! Quer ficar de pau duro, diante de uma estranha? Mesmo que uma linda estranha, estonteante que lhe invoca imagens quentes a mente! Ele havia reparado naquele bombomzinho assim que entrou no bar, toda segura de si, mesmo não estando em seu ambiente natural. Por que isso era óbvio: ela não era da área. Tanto pela maneira como se vestia, com uma elegância ímpar, que as garotas do lugar não tinham, tanto também... bom, ele teria notado uma beldade daquela pelas redondezas.
Essa mulher não é para o seu bico!, continuava a se advertir. Assim como Camille... Ao que se aproximava de Quinn, forçou-se a tirar o pensamento da outra. Não devia sequer lembrar o nome dela!
- Suas chaves! - estendeu a ela e percebeu que seus dedos ainda estavam trêmulos.
Pobrezinha! A boneca havia passado por um susto e tanto! Nem queria pensar no que poderia ter acontecido se ele não aparecesse... Não quisera alarmá-la, mas sabia que a região era perigosa e ela havia corrido um grande risco.
- Obrigado. Deixe que eu reembolse você...
- Não, tudo bem. - ele a interrompeu, ao que ela buscava a carteira na bolsa, com um gesto de mão.
- Por favor, eu faço questão.
- Eu também! - teimou, embora lhe sorrisse.
Ela pareceu sem jeito. Talvez pensando que ele era um belo pé rapado, e que aquele dinheiro iria lhe fazer falta. Ótimo! Um perseguidor e um pé rapado! Pareceu que causou uma boa impressão mesmo, não, Zane?, se punia, contendo um meneio de cabeça.
Talvez sua aparência instigasse a tal conclusão. Para algumas pessoas, tatuagens, cabeça rapara e o jeito despojado de ele se vestir era como carregar uma placa de vagabundo, desordeiro na testa. Bom, ele não se incomodava com isso. Estava tranquilo com o que era. Sabia quem era, suas convicções e cada detalhe talhado em seu corpo tinha uma razão de ser. Assim, pouco importava a opinião dos outros. Mesmo que esse outro fosse uma coisinha deliciosa como aquela:
- Vou te acompanhar até seu carro.
- Ok. Espero me lembrar onde ele está... - ela pareceu tomar uma respiração profunda e ensaiar um passo, para ter certeza de que estava bem para voltar andar.
Zane disfarçou um sorriso. Como era graciosa, mesmo parecendo tão vertebrada quanto uma alga marítima! E obviamente pensou em como seria deixá-la mole daquela forma, em seus braços, sob seu corpo em uma cama.
Ele afundou as mãos nos bolsos, para que sua a ereção que se insinuava não ficasse tão visível e começou a segui-la. E com ela a um passo na sua frente, ele podia, não só apreciar o bumbum perfeito, como também suas longas pernas torneadas. Inferno, que visão! Aquelas pernas em torno de sua cintura, enquanto se afundava nela...
Comporte-se, rapaz!, agora ralhava com seu amigo lá embaixo, que mais parecia um adolescente virgem. Sim, ela era de parar todo o transito da cidade de Nova Iorque, mas ele sabia se controlar, não?
Quinn caminhava insegura e só se direcionou para o carro, quando acionou o alarme e as luzes do automóvel indicaram seu lugar. Ela relanceou um olhar para ele, seguido de um sorriso tênue. Por muito pouco não o flagrara admirando seu traseiro:
- Não consigo imaginar como vocês se equilibram nessas coisas... - disse, para tentar disfarçar, caso ela tivesse visto seu olhar, apontando seus sapatos, que só serviam para deixar suas pernas ainda mais torneadas.
- Fala dos saltos? - riu suavemente. - Costumo dizer que nasci com eles! Se não pareço muito elegante com eles agora, é porque minhas pernas estão tão firmes como gelatina!
Zane riu baixinho. Além de linda e sexy, ela tinha bom humor. Tenho de me casar com ela!, brincou consigo. - Não se preocupe. Ainda está graciosa. - galanteou.
Quinn lhe sorriu encabulada: - Aqui estamos! - ela parava ao lado de um belo Corvete.
Zane deixou escapar um agudo assovio. - É um carro e tanto!
- É uma herança de família. Pertenceu a minha avó. Quando ela decidiu parar de dirigir, com seus oitenta e poucos anos, ela o deu para mim. Ela sabia que eu era apaixonada por ele em segredo!
- Foi restaurado? - Zane perguntava, rodeando o carro, examinando com muito interesse.
- Sim, com peças originais. - ela acrescentou, com orgulho.
- Bom. - ele apreciava.
- Entende de carros? Zane curvou a cabeça para um lado, sorrindo enigmático:
- Pode se dizer que sim.
Que o silencio maldito não se instale novamente! , Quinn implorava aos céus. Sentia os olhos gulosos lhe examinado o corpo, embora ele educadamente tentasse disfarçar e isso a deixava a beira de estremecer de antecipação. E antecipação por algo que não aconteceria...
E se ficassem novamente em silencio, temia por pular no pescoço dele, como uma faminta por sexo!
Ela quase riu de si mesma. Quinn Armentrouth! Você é uma piada! Uma bela de uma coisinha frustrada! Ela não estava tanto tempo assim sem sexo, para parecer desesperada daquela forma! Não que tivesse tido nada muito satisfatório, mas... O caso era que aquele homem aguçava seu apetite. Diferente de qualquer outro homem com o qual tivera contato. Não que fosse rude, mas tinha um jeito quase primitivo, sedutoramente macho, que despertava nela uma necessidade que ela nem sabia que tinha. Parecia saber levar uma mulher... Bom de foda, como diria sua amiga Julia.
Agora, assim de perto, podia constatar como ele era grande. Ela não era baixa, e com seus saltos de quase dez centímetros de altura, ela devia lhe alcançar a ponta do nariz. Ele agora vestia o pesado casado de moletom, mas não disfarçava seu corpo largo. Ao qual ela não conheceria, pois estava partindo para a despedida e muito provavelmente nunca mais o veria na vida. Seus rumos eram completamente diferentes e seria muito improvável que se encontrassem novamente. Tal pensamento lhe causou desapontamento.
Zane alisou o capo bem encerado do Corvete, sentindo-a muito quieta. Mas sentia também que o examinava. Que ela não prosseguisse com tal escrutínio, pois ele podia cometer uma loucura, como lançar seus braços a volta daquele belo corpo curvilíneo e a beijar com voracidade. Porra, nunca antes uma mulher o balançou, atraiu, assim de cara. E isso tinha de acontecer com outra madame da sociedade! Até parecia que ele gostava de sofrer. Masoquista!
- Bom, acho que é isso... - ela dizia baixinho, quando parou diante dela.
Inferno, porque ela tinha de ser tão linda! Mesmo agora que parecia um pouco sem jeito. Seu rosto era fino e comprido. Sobrancelhas altas e curvas, um nariz afilado e uma boca! Bom Deus, que boca! Feita para o pecado! Uma forma perfeita de coração e com seus dentes grandes e brancos que teimavam em aparecer por entre eles, lhe conferindo um ar docemente vulnerável.
Ele limpou a garganta antes de falar. Caso contrário, a rouquidão nela o denunciaria:
- Acho que sim.
- Bom, mais uma vez obrigado, Zane.
Amava a forma como ela dizia seu nome. O que não daria para tê-la o sussurrando em seu ouvido, enquanto seus corpos se enroscavam, suados e quentes de prazer!
Ele nem tentou falar dessa vez. Dispôs-se apenas a fitá-la, enquanto ela abria o carro e jogava sua bolsa lá dentro.
Então ela se voltou e como ele havia dado um passo à frente, para lhe segurar a porta agora estavam muito próximos. Tanto que sentia em seu pescoço, a respiração um pouco acelerada dela. Sabia que a afetava, tanto quanto ela a ele. E isso só deixava as coisas ainda mais complicadas de serem ignoradas.
Quinn nunca fora mulher de cometer loucuras, aventuras de uma única noite, mas como gostaria de ter essa coragem naquele momento! Coragem de propor aquele desconhecido que fazia seu sangue correr mais rápido em suas veias, que a fazia ter plena ciência de que era uma mulher com necessidades carnais, como uma fêmea no cio, que a tomasse, nem que por uma noite! E agora que ele estava ali, a um palmo de distancia, essa necessidade quase gritava em seu corpo. O cheiro dele era másculo, num misto de loção pós-barba e... ela não sabia distinguir que cheiro mais emanava dele, se de sua pele, mas era tão... Tão... homem!
Zane sentia a hesitação dela.
Que ela entre de uma vez nesse maldito carro e parta, antes que eu faça algo do que sei que posso me arrepender... Propor a ela que venha até minha casa e a foder a noite toda!
Então ela pousou uma mão em seu ombro e veio lhe depositar um beijo no rosto. Zane instintivamente virou sua cabeça e então seu nariz estava mergulhado em seus cabelos. Maçãs verdes! Era o cheiro dela.
E tão rápido quanto foi ato, ela já se encontrava dentro do automóvel. Só percebeu que a impedia de fechar a porta, quando essa tocou em seu quadril. Como um robô, deu um passo para o lado e a viu dar partida e então sair com seu pequeno Corvete. Muito lentamente, como se incerta do que fazia, ela rumou para a saída do estacionamento. Por um momento, cruzando os dedos atrás da nuca, ele torceu para que ela parasse o carro...
Mas ficou aliviado quando vislumbrou-a alcançar a rua e então partir. Ao menos esperava se sentir assim. Sabia que a havia impressionado. Talvez por sua aparência exótica para o estilo de vida dela. Grã-finas como ela, adoravam se aventurar com tipos como ele...
Não que ele se desse a esse luxo. Tinha de manter distancia de tipos como ela. Não queria correr o risco de ter seu coração destroçado de novo. E foi dessa forma que Quinn Armentrouth entrou e saiu, muito rapidamente de sua vida. Inferno, era melhor assim! Não precisava de outra madame da alta sociedade para enlouquecê-lo! Não outra Camille...
Porra, mil vezes porra! Precisava parar de trazer o nome daquela maldita à mente! Correndo as mãos sobre o rosto, bufou de frustração e retomou o caminho para o bar.
Quinn e sua bela boca...
Quinn e seu belo traseiro arredondado... suas pernas...
Lola se encontrava no bar. Era uma garota muito bonita e de corpo cheio de belas curvas. E parecia bem interessada em passar umas horas com ele. Ela havia deixado isso bem claro, na forma como lambia o canudo de sua bebida, enquanto o fitava. Ou então quando esfregava suas belas coxas uma contra a outra, como se dizendo que precisava dele entre elas. Já tinham passado alguns momentos juntos e ele sabia que ela fodia divinamente. Assim como fazia um boquete de fazer qualquer homem esquecer seu nome e revirar até os dedos dos pés...
Bom, ela não era Quinn, nem mesmo se assemelhava a ela, tendo seus cabelos cacheados pintados num tom de ruivo bem quente. Era uma mulher muito bonita, de beleza agressiva. Já Quinn era delicada, traços finos e um queixinho delicado, bem feito como uma bonequinha de porcelana...
Mas que inferno! Porque estava pensando de novo em uma mulher que muito provavelmente nunca ais veria?
Com tal pensamento, terminou de beber o refrigerante de seu copo, deixou uma nota sobre a mesa e caminhou decidido até Lola. Não seria Quinn, mas teria sim uma mulher em sua cama, naquela noite! Era aquilo ou a outra opção era se acabar nos próprios dedos... Porque com certeza precisava foder naquela noite! Muito!
*******
Quinn depositou as chaves no aparador, descalçando os sapatos e seus dedos rumando para os botões do tailleur, seus olhos vidrados em nenhum lugar especifico.
Na verdade, a imagem de Zane Hudson, em seu retrovisor, lá parado, com as mãos cruzadas em sua nuca, como se lamentasse vê-la partir, ainda estava bem nítida em sua cabeça.
E se ela houvesse voltado? Bufando, chutou um sapato longe. Maldita seja, Quinn!
Se foi covarde a ponto de não pagar para ver, agora durma com essa!
Descendo o zíper lateral de seu vestido, foi rumo ao banheiro. Nunca antes sentira seu corpo tão desperto, necessitado de um toque. E esperava mesmo que Hulk, seu potente vibrador verde desse conta do recado!
Essa pequena e agora essencial pecinha fora presente de sua melhor amiga Julia McIntyre, quando terminou seu noivado com Dawson. Disse que seria melhor companhia que aquele safado, mulherengo e arrogante sujeito. E ela estava com a razão. Tivera mais orgasmos com aquele pedaço de borracha verde do que com o egoísta de seu ex-noivo.
Terminando de despir o vestido, deixou-o a um canto do banheiro e ligou as torneiras para encher a banheira. Precisava de um longo, quente e perfumado banho. Voltando em seu encalço, vestindo agora somente seu conjunto de lingerie preto da Victória Secrets, foi recolhendo as peças deixadas para trás. Estava tentando se acostumar de que agora, morando sozinha, tinha de cuidar de suas próprias coisas. Já não tinha o conforto da casa grande e cheia de empregados da qual usufruía, há apenas seis meses atrás. Foi quando deu um giro de 360 graus em sua vida...
Abandonou um noivo prepotente, abusivo por conta de sua posição social e infiel. Esse último detalhe ninguém lhe dissera. Tivera a sorte de descobrir sozinha.
Deixou a casa que por vinte e oito anos fora seu lar, com um pai amoroso, mas praticamente sem voz de autoridade e uma mãe, essa sim, a verdadeira dona da casa. Sua relação com Valentine Ann Fitzgerald Armentrouth era suportável até ela romper com o candidato a genro perfeito!
Sabia que tudo se tornaria um verdadeiro inferno, depois do acontecido e então decidiu deixar a mansão e procurar seu próprio canto, que, aliás, era o que desejava fazer a muito tempo. Achava que isso só aconteceria com o casamento...
Sua mãe ainda a perturbava muito, querendo forçá-la a reconsiderar sua decisão de por fim ao noivado de cinco longos e tediosos anos! Ela não sabia de toda a história e Quinn não se sentia na obrigação de contar. Talvez nem mesmo isso fizesse Valentine ter outro conceito sobre a integridade de caráter de Ashton Dawson III. O que importava era seu sobrenome pomposo. Filho de um influente dono de uma cadeia de hotéis de luxo, espalhados pelo mundo todo, Ashton era o genro sonhado por qualquer mãe no país e fora dele. Mas como homem, companheiro e principalmente parceiro de cama, deixava e muito a desejar.
Pegando seu celular, notou uma mensagem de Blane. Sem nem mesmo ler seu conteúdo, respondeu:
Falo com você amanhã!
Buscou por uma garrafa de um bom vinho e uma taça, decidiu que não estragaria sua noite pensando em Ashton, sua mãe ou Blane. Com um sorriso carregado de malícia nos lábios, pensou que com certeza o alvo de seus pensamentos naquela noite seria outro. Um homem de verdade, com cheiro de homem, sexy, de olhar penetrante, mãos grandes...
Oh, Zane Hudson, o que eu não daria para ter você comigo aqui, a caminho daquela banheira?
Já no banheiro, colocou Feeling Good, na voz deliciosa de George Michael para tocar e retirou o restante das peças de roupa, dançando sinuosa ao ritmo da música. Imaginou se despindo para aquele belo moreno, expondo seu corpo feminino e pronto para ele.
Serviu-se de uma boa dose de vinho e entrou na agua quente que recebeu seu corpo, fazendo-a suspirar de puro deleite. Hulk estava ali, a postos...
Mas primeiro ela queria se tocar e imaginar que eram as mãos grandes, que ela imaginava, tinham dedos calejados a tocar sua pela delicada. Serviu-se de uma boa dose de vinho e entrou na agua quente recebeu seu corpo, fazendo-a suspirar de puro deleite. Hulk estava ali, a postos...
Mas primeiro ela queria se tocar e imaginar que eram as mãos grandes, que ela imaginava, tinham dedos calejados a tocar sua pele delicada.
Provou do vinho, o líquido dançando entre seus lábios, deixando uma leve dormência em sua língua. Estava pronta para explorar cada recanto seu, por Zane, pensando nele.
Começou pela nuca, deslizando suavemente seus dedos, deixando as unhas bem feitas roçarem, arrepiando-a. Lembrou-se da voz dele, um pouco rouca, grossa... Sua risada abafada. Teve de se contorcer, sentindo uma languidez a dominar. Roçou as pernas umas contra a outra, sentindo sua vagina muito sensível. A tal ponto, que talvez Hulk nem precisasse entrar em ação.
Fechou os olhos, agora tocando seus seios fartos, trêmulos e de mamilos eriçados. Lembrou-se da boca dele. Oh, como seria tê-la sobre seus bicos ultrassensíveis? Os lamberia? Ele os sugaria com força? Os tomaria em suas mãos, juntando-os, como ela fazia agora? Diria que eram lindos e então voltaria a saboreá-los?
Quinn voltou a se contorcer e gemeu imaginando a cena:
- Zane... - sussurrou, seus dedos mergulhando entre suas pernas, alcançando um dolorido clitóris que reivindicava atenção. Arfou ao se tocar.
Não, Hulk não seria usado naquela noite. Queria prolongar ao máximo aquele momento, aquela sensação. Se usasse o vibrador, acabaria tudo muito rápido. Já que não tinha o homem ali, que ao menos a fantasia de ele a tocar fosse mais longa.
Mergulhou dois dedos dentro de si, mordendo o lábio. Como seria a sensação do pau dele ali? Voltou a gemer alto, imaginando que ele seria grande, que a preencheria total e completamente. Seria esmagada sob seu corpo torneado e rígido, enquanto ele investia furiosamente contra seu centro...
Outro gemido torturado ecoou pelo banheiro, agora silencioso, já que a música acabara. Voltou a acariciar seu clitóris inchado e pronto para fazer seu corpo explodir. Com movimentos cadenciados, levou-se a outra dimensão, gritando o nome de Zane, quando o orgasmo a arrebatou.
Quinn manteve seus olhos fechados, a respiração suspensa e seus lábios entreabertos. Ao mesmo tempo em que o corpo se estilhaçava num orgasmo, a frustração a alcançava quase que imediatamente. E uma simples constatação também a atingia: aquilo só não era o suficiente para seu corpo sedento por prazer...
Sedento por Zane.
Essa mulher não é para o seu bico!, continuava a se advertir. Assim como Camille... Ao que se aproximava de Quinn, forçou-se a tirar o pensamento da outra. Não devia sequer lembrar o nome dela!
- Suas chaves! - estendeu a ela e percebeu que seus dedos ainda estavam trêmulos.
Pobrezinha! A boneca havia passado por um susto e tanto! Nem queria pensar no que poderia ter acontecido se ele não aparecesse... Não quisera alarmá-la, mas sabia que a região era perigosa e ela havia corrido um grande risco.
- Obrigado. Deixe que eu reembolse você...
- Não, tudo bem. - ele a interrompeu, ao que ela buscava a carteira na bolsa, com um gesto de mão.
- Por favor, eu faço questão.
- Eu também! - teimou, embora lhe sorrisse.
Ela pareceu sem jeito. Talvez pensando que ele era um belo pé rapado, e que aquele dinheiro iria lhe fazer falta. Ótimo! Um perseguidor e um pé rapado! Pareceu que causou uma boa impressão mesmo, não, Zane?, se punia, contendo um meneio de cabeça.
Talvez sua aparência instigasse a tal conclusão. Para algumas pessoas, tatuagens, cabeça rapara e o jeito despojado de ele se vestir era como carregar uma placa de vagabundo, desordeiro na testa. Bom, ele não se incomodava com isso. Estava tranquilo com o que era. Sabia quem era, suas convicções e cada detalhe talhado em seu corpo tinha uma razão de ser. Assim, pouco importava a opinião dos outros. Mesmo que esse outro fosse uma coisinha deliciosa como aquela:
- Vou te acompanhar até seu carro.
- Ok. Espero me lembrar onde ele está... - ela pareceu tomar uma respiração profunda e ensaiar um passo, para ter certeza de que estava bem para voltar andar.
Zane disfarçou um sorriso. Como era graciosa, mesmo parecendo tão vertebrada quanto uma alga marítima! E obviamente pensou em como seria deixá-la mole daquela forma, em seus braços, sob seu corpo em uma cama.
Ele afundou as mãos nos bolsos, para que sua a ereção que se insinuava não ficasse tão visível e começou a segui-la. E com ela a um passo na sua frente, ele podia, não só apreciar o bumbum perfeito, como também suas longas pernas torneadas. Inferno, que visão! Aquelas pernas em torno de sua cintura, enquanto se afundava nela...
Comporte-se, rapaz!, agora ralhava com seu amigo lá embaixo, que mais parecia um adolescente virgem. Sim, ela era de parar todo o transito da cidade de Nova Iorque, mas ele sabia se controlar, não?
Quinn caminhava insegura e só se direcionou para o carro, quando acionou o alarme e as luzes do automóvel indicaram seu lugar. Ela relanceou um olhar para ele, seguido de um sorriso tênue. Por muito pouco não o flagrara admirando seu traseiro:
- Não consigo imaginar como vocês se equilibram nessas coisas... - disse, para tentar disfarçar, caso ela tivesse visto seu olhar, apontando seus sapatos, que só serviam para deixar suas pernas ainda mais torneadas.
- Fala dos saltos? - riu suavemente. - Costumo dizer que nasci com eles! Se não pareço muito elegante com eles agora, é porque minhas pernas estão tão firmes como gelatina!
Zane riu baixinho. Além de linda e sexy, ela tinha bom humor. Tenho de me casar com ela!, brincou consigo. - Não se preocupe. Ainda está graciosa. - galanteou.
Quinn lhe sorriu encabulada: - Aqui estamos! - ela parava ao lado de um belo Corvete.
Zane deixou escapar um agudo assovio. - É um carro e tanto!
- É uma herança de família. Pertenceu a minha avó. Quando ela decidiu parar de dirigir, com seus oitenta e poucos anos, ela o deu para mim. Ela sabia que eu era apaixonada por ele em segredo!
- Foi restaurado? - Zane perguntava, rodeando o carro, examinando com muito interesse.
- Sim, com peças originais. - ela acrescentou, com orgulho.
- Bom. - ele apreciava.
- Entende de carros? Zane curvou a cabeça para um lado, sorrindo enigmático:
- Pode se dizer que sim.
Que o silencio maldito não se instale novamente! , Quinn implorava aos céus. Sentia os olhos gulosos lhe examinado o corpo, embora ele educadamente tentasse disfarçar e isso a deixava a beira de estremecer de antecipação. E antecipação por algo que não aconteceria...
E se ficassem novamente em silencio, temia por pular no pescoço dele, como uma faminta por sexo!
Ela quase riu de si mesma. Quinn Armentrouth! Você é uma piada! Uma bela de uma coisinha frustrada! Ela não estava tanto tempo assim sem sexo, para parecer desesperada daquela forma! Não que tivesse tido nada muito satisfatório, mas... O caso era que aquele homem aguçava seu apetite. Diferente de qualquer outro homem com o qual tivera contato. Não que fosse rude, mas tinha um jeito quase primitivo, sedutoramente macho, que despertava nela uma necessidade que ela nem sabia que tinha. Parecia saber levar uma mulher... Bom de foda, como diria sua amiga Julia.
Agora, assim de perto, podia constatar como ele era grande. Ela não era baixa, e com seus saltos de quase dez centímetros de altura, ela devia lhe alcançar a ponta do nariz. Ele agora vestia o pesado casado de moletom, mas não disfarçava seu corpo largo. Ao qual ela não conheceria, pois estava partindo para a despedida e muito provavelmente nunca mais o veria na vida. Seus rumos eram completamente diferentes e seria muito improvável que se encontrassem novamente. Tal pensamento lhe causou desapontamento.
Zane alisou o capo bem encerado do Corvete, sentindo-a muito quieta. Mas sentia também que o examinava. Que ela não prosseguisse com tal escrutínio, pois ele podia cometer uma loucura, como lançar seus braços a volta daquele belo corpo curvilíneo e a beijar com voracidade. Porra, nunca antes uma mulher o balançou, atraiu, assim de cara. E isso tinha de acontecer com outra madame da sociedade! Até parecia que ele gostava de sofrer. Masoquista!
- Bom, acho que é isso... - ela dizia baixinho, quando parou diante dela.
Inferno, porque ela tinha de ser tão linda! Mesmo agora que parecia um pouco sem jeito. Seu rosto era fino e comprido. Sobrancelhas altas e curvas, um nariz afilado e uma boca! Bom Deus, que boca! Feita para o pecado! Uma forma perfeita de coração e com seus dentes grandes e brancos que teimavam em aparecer por entre eles, lhe conferindo um ar docemente vulnerável.
Ele limpou a garganta antes de falar. Caso contrário, a rouquidão nela o denunciaria:
- Acho que sim.
- Bom, mais uma vez obrigado, Zane.
Amava a forma como ela dizia seu nome. O que não daria para tê-la o sussurrando em seu ouvido, enquanto seus corpos se enroscavam, suados e quentes de prazer!
Ele nem tentou falar dessa vez. Dispôs-se apenas a fitá-la, enquanto ela abria o carro e jogava sua bolsa lá dentro.
Então ela se voltou e como ele havia dado um passo à frente, para lhe segurar a porta agora estavam muito próximos. Tanto que sentia em seu pescoço, a respiração um pouco acelerada dela. Sabia que a afetava, tanto quanto ela a ele. E isso só deixava as coisas ainda mais complicadas de serem ignoradas.
Quinn nunca fora mulher de cometer loucuras, aventuras de uma única noite, mas como gostaria de ter essa coragem naquele momento! Coragem de propor aquele desconhecido que fazia seu sangue correr mais rápido em suas veias, que a fazia ter plena ciência de que era uma mulher com necessidades carnais, como uma fêmea no cio, que a tomasse, nem que por uma noite! E agora que ele estava ali, a um palmo de distancia, essa necessidade quase gritava em seu corpo. O cheiro dele era másculo, num misto de loção pós-barba e... ela não sabia distinguir que cheiro mais emanava dele, se de sua pele, mas era tão... Tão... homem!
Zane sentia a hesitação dela.
Que ela entre de uma vez nesse maldito carro e parta, antes que eu faça algo do que sei que posso me arrepender... Propor a ela que venha até minha casa e a foder a noite toda!
Então ela pousou uma mão em seu ombro e veio lhe depositar um beijo no rosto. Zane instintivamente virou sua cabeça e então seu nariz estava mergulhado em seus cabelos. Maçãs verdes! Era o cheiro dela.
E tão rápido quanto foi ato, ela já se encontrava dentro do automóvel. Só percebeu que a impedia de fechar a porta, quando essa tocou em seu quadril. Como um robô, deu um passo para o lado e a viu dar partida e então sair com seu pequeno Corvete. Muito lentamente, como se incerta do que fazia, ela rumou para a saída do estacionamento. Por um momento, cruzando os dedos atrás da nuca, ele torceu para que ela parasse o carro...
Mas ficou aliviado quando vislumbrou-a alcançar a rua e então partir. Ao menos esperava se sentir assim. Sabia que a havia impressionado. Talvez por sua aparência exótica para o estilo de vida dela. Grã-finas como ela, adoravam se aventurar com tipos como ele...
Não que ele se desse a esse luxo. Tinha de manter distancia de tipos como ela. Não queria correr o risco de ter seu coração destroçado de novo. E foi dessa forma que Quinn Armentrouth entrou e saiu, muito rapidamente de sua vida. Inferno, era melhor assim! Não precisava de outra madame da alta sociedade para enlouquecê-lo! Não outra Camille...
Porra, mil vezes porra! Precisava parar de trazer o nome daquela maldita à mente! Correndo as mãos sobre o rosto, bufou de frustração e retomou o caminho para o bar.
Quinn e sua bela boca...
Quinn e seu belo traseiro arredondado... suas pernas...
Lola se encontrava no bar. Era uma garota muito bonita e de corpo cheio de belas curvas. E parecia bem interessada em passar umas horas com ele. Ela havia deixado isso bem claro, na forma como lambia o canudo de sua bebida, enquanto o fitava. Ou então quando esfregava suas belas coxas uma contra a outra, como se dizendo que precisava dele entre elas. Já tinham passado alguns momentos juntos e ele sabia que ela fodia divinamente. Assim como fazia um boquete de fazer qualquer homem esquecer seu nome e revirar até os dedos dos pés...
Bom, ela não era Quinn, nem mesmo se assemelhava a ela, tendo seus cabelos cacheados pintados num tom de ruivo bem quente. Era uma mulher muito bonita, de beleza agressiva. Já Quinn era delicada, traços finos e um queixinho delicado, bem feito como uma bonequinha de porcelana...
Mas que inferno! Porque estava pensando de novo em uma mulher que muito provavelmente nunca ais veria?
Com tal pensamento, terminou de beber o refrigerante de seu copo, deixou uma nota sobre a mesa e caminhou decidido até Lola. Não seria Quinn, mas teria sim uma mulher em sua cama, naquela noite! Era aquilo ou a outra opção era se acabar nos próprios dedos... Porque com certeza precisava foder naquela noite! Muito!
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Quinn depositou as chaves no aparador, descalçando os sapatos e seus dedos rumando para os botões do tailleur, seus olhos vidrados em nenhum lugar especifico.
Na verdade, a imagem de Zane Hudson, em seu retrovisor, lá parado, com as mãos cruzadas em sua nuca, como se lamentasse vê-la partir, ainda estava bem nítida em sua cabeça.
E se ela houvesse voltado? Bufando, chutou um sapato longe. Maldita seja, Quinn!
Se foi covarde a ponto de não pagar para ver, agora durma com essa!
Descendo o zíper lateral de seu vestido, foi rumo ao banheiro. Nunca antes sentira seu corpo tão desperto, necessitado de um toque. E esperava mesmo que Hulk, seu potente vibrador verde desse conta do recado!
Essa pequena e agora essencial pecinha fora presente de sua melhor amiga Julia McIntyre, quando terminou seu noivado com Dawson. Disse que seria melhor companhia que aquele safado, mulherengo e arrogante sujeito. E ela estava com a razão. Tivera mais orgasmos com aquele pedaço de borracha verde do que com o egoísta de seu ex-noivo.
Terminando de despir o vestido, deixou-o a um canto do banheiro e ligou as torneiras para encher a banheira. Precisava de um longo, quente e perfumado banho. Voltando em seu encalço, vestindo agora somente seu conjunto de lingerie preto da Victória Secrets, foi recolhendo as peças deixadas para trás. Estava tentando se acostumar de que agora, morando sozinha, tinha de cuidar de suas próprias coisas. Já não tinha o conforto da casa grande e cheia de empregados da qual usufruía, há apenas seis meses atrás. Foi quando deu um giro de 360 graus em sua vida...
Abandonou um noivo prepotente, abusivo por conta de sua posição social e infiel. Esse último detalhe ninguém lhe dissera. Tivera a sorte de descobrir sozinha.
Deixou a casa que por vinte e oito anos fora seu lar, com um pai amoroso, mas praticamente sem voz de autoridade e uma mãe, essa sim, a verdadeira dona da casa. Sua relação com Valentine Ann Fitzgerald Armentrouth era suportável até ela romper com o candidato a genro perfeito!
Sabia que tudo se tornaria um verdadeiro inferno, depois do acontecido e então decidiu deixar a mansão e procurar seu próprio canto, que, aliás, era o que desejava fazer a muito tempo. Achava que isso só aconteceria com o casamento...
Sua mãe ainda a perturbava muito, querendo forçá-la a reconsiderar sua decisão de por fim ao noivado de cinco longos e tediosos anos! Ela não sabia de toda a história e Quinn não se sentia na obrigação de contar. Talvez nem mesmo isso fizesse Valentine ter outro conceito sobre a integridade de caráter de Ashton Dawson III. O que importava era seu sobrenome pomposo. Filho de um influente dono de uma cadeia de hotéis de luxo, espalhados pelo mundo todo, Ashton era o genro sonhado por qualquer mãe no país e fora dele. Mas como homem, companheiro e principalmente parceiro de cama, deixava e muito a desejar.
Pegando seu celular, notou uma mensagem de Blane. Sem nem mesmo ler seu conteúdo, respondeu:
Falo com você amanhã!
Buscou por uma garrafa de um bom vinho e uma taça, decidiu que não estragaria sua noite pensando em Ashton, sua mãe ou Blane. Com um sorriso carregado de malícia nos lábios, pensou que com certeza o alvo de seus pensamentos naquela noite seria outro. Um homem de verdade, com cheiro de homem, sexy, de olhar penetrante, mãos grandes...
Oh, Zane Hudson, o que eu não daria para ter você comigo aqui, a caminho daquela banheira?
Já no banheiro, colocou Feeling Good, na voz deliciosa de George Michael para tocar e retirou o restante das peças de roupa, dançando sinuosa ao ritmo da música. Imaginou se despindo para aquele belo moreno, expondo seu corpo feminino e pronto para ele.
Serviu-se de uma boa dose de vinho e entrou na agua quente que recebeu seu corpo, fazendo-a suspirar de puro deleite. Hulk estava ali, a postos...
Mas primeiro ela queria se tocar e imaginar que eram as mãos grandes, que ela imaginava, tinham dedos calejados a tocar sua pela delicada. Serviu-se de uma boa dose de vinho e entrou na agua quente recebeu seu corpo, fazendo-a suspirar de puro deleite. Hulk estava ali, a postos...
Mas primeiro ela queria se tocar e imaginar que eram as mãos grandes, que ela imaginava, tinham dedos calejados a tocar sua pele delicada.
Provou do vinho, o líquido dançando entre seus lábios, deixando uma leve dormência em sua língua. Estava pronta para explorar cada recanto seu, por Zane, pensando nele.
Começou pela nuca, deslizando suavemente seus dedos, deixando as unhas bem feitas roçarem, arrepiando-a. Lembrou-se da voz dele, um pouco rouca, grossa... Sua risada abafada. Teve de se contorcer, sentindo uma languidez a dominar. Roçou as pernas umas contra a outra, sentindo sua vagina muito sensível. A tal ponto, que talvez Hulk nem precisasse entrar em ação.
Fechou os olhos, agora tocando seus seios fartos, trêmulos e de mamilos eriçados. Lembrou-se da boca dele. Oh, como seria tê-la sobre seus bicos ultrassensíveis? Os lamberia? Ele os sugaria com força? Os tomaria em suas mãos, juntando-os, como ela fazia agora? Diria que eram lindos e então voltaria a saboreá-los?
Quinn voltou a se contorcer e gemeu imaginando a cena:
- Zane... - sussurrou, seus dedos mergulhando entre suas pernas, alcançando um dolorido clitóris que reivindicava atenção. Arfou ao se tocar.
Não, Hulk não seria usado naquela noite. Queria prolongar ao máximo aquele momento, aquela sensação. Se usasse o vibrador, acabaria tudo muito rápido. Já que não tinha o homem ali, que ao menos a fantasia de ele a tocar fosse mais longa.
Mergulhou dois dedos dentro de si, mordendo o lábio. Como seria a sensação do pau dele ali? Voltou a gemer alto, imaginando que ele seria grande, que a preencheria total e completamente. Seria esmagada sob seu corpo torneado e rígido, enquanto ele investia furiosamente contra seu centro...
Outro gemido torturado ecoou pelo banheiro, agora silencioso, já que a música acabara. Voltou a acariciar seu clitóris inchado e pronto para fazer seu corpo explodir. Com movimentos cadenciados, levou-se a outra dimensão, gritando o nome de Zane, quando o orgasmo a arrebatou.
Quinn manteve seus olhos fechados, a respiração suspensa e seus lábios entreabertos. Ao mesmo tempo em que o corpo se estilhaçava num orgasmo, a frustração a alcançava quase que imediatamente. E uma simples constatação também a atingia: aquilo só não era o suficiente para seu corpo sedento por prazer...
Sedento por Zane.



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