Em comemoração ao dia do aniversário de 03 meses do blog, hoje apresento um texto compartilhado pela minha amada submissa Rachel,
Dominação psicológica é algo instintivo e natural para o ser humano. Quando iniciei meus estudos sobre o BDSM fiz uma comparação, para mim muito real, pois pratico equitação, com a dominação de um animal. Com encorajamento e elogios o cavalo adquire confiança na amazonas, de forma a poder sobrepor-se às suas inibições naturais, deixando-se ser dominado docilmente.
Mas a grande incógnita não é dominação psicológica, mas a submissão psicológica, pois não estamos tratando com animais e sim com seres humanos.
Não se pode ter o controle dos pensamentos e atos de outra pessoa, mas é possível, dentro de algumas situações, condicionar ou induzir o outro a agir da forma desejada. No entanto , para que isso aconteça , é preciso que a pessoa deseje e acredite naquilo que lhe está sendo passado. É no poder de convencimento e no desejo, ainda que inconsciente, de ser convencido, que se dá a dominação psicológica. Há quem prefira chamar a esse poder de convencimento de manipulação, mas essa, teoricamente, se daria de forma mais grosseira ou perceptível.
Para que haja uma entrega intensa e profunda é preciso que haja uma dominação igualmente intensa e profunda. A DP, por ser algo construído de forma lenta e contínua, foge do imediatismo de certas relações, e se torna extremamente prazerosa.
Embora sejamos cheios de defeitos, buscamos em nossos parceiros algo que esteja mais próximo da perfeição, pois, não faria sentido entregar seu melhor a quem não devolve o mesmo. É uma questão de guardar para si aquilo que o outro não aprecia e receber o mesmo dele. Seria como cobrir espinhos com flores, eles continuam lá, mas estariam suavizados, teoricamente.
Posto dessa forma, faz parecer que a DP é algo baseado em inverdades. Mas querer ser dominado psicologicamente não é querer ser enganado, nem querer viver de ilusão ou mentiras, mas sim, querer viver a entrega da forma mais profunda e verdadeira que for possível. Viver uma D/s é querer entregar o melhor de si ao parceiro e, para isso, é preciso acreditar que ele merece esse melhor.
No entanto, cada um tem o seu caráter, índole , convicções... cada um tem seu modo de ver a vida, de ver o próximo , tem seu modo de dominar e seus objetivos, e cada um tem seu modo de se submeter.
A base da DP de cada um depende desses fatores , cada um trabalha com aquilo que possui . De certo é que algo pautado em mentiras, acaba sendo também um mentira e ela sempre aparece. Mas há, sim, uma certa ilusão ou romantismo na submissão , independente do nível de DP aplicado, não haveria entrega incondicional sem um algo mais. Senão por amor, então, há de ter algo que motive, estimule , algo que impulsione o/a sub à uma constante superação.
Quem se entregaria para ser usado, abusado e ser simplesmente descartado , quando não houvesse mais o interesse em mantê-lo? Mesmo sabendo que relacionamentos terminam e que podem terminar dessa forma, dificilmente se aceitaria uma proposta dessa. Mas quando é colocado que vai ser usado, abusado e cuidado, imagina-se que ao término não ficará a ideia de ter sido jogado fora pelo parceiro, assim a proposta se torna aceitável. Esse é um exemplo grosseiro, bem simples, mas, são nos pequenos detalhes que se fazem as grandes diferenças.
Há os que preferem submeter-se por amor e há os que preferem fazer através da dominação psicológica. Ela é o estímulo a mais que move o/a sub, que o faz ir sempre além dos próprios limites.
Por mais que se romantize, a submissão tem caminhos difíceis de serem trilhados, são caminhos feitos de espinhos e, ainda que haja relacionamentos mais difíceis que outros, submeter-se não é fácil para ninguém. A realidade de uma D/s é dura, então, é preciso que também haja flores nessa caminhada, e que elas não existam apenas durante nas sessões, afinal, não se vive apenas de renúncias.
A submissão psicológica pode ser a flor ou pode ser o espinho nessa jornada, geralmente, ela é as duas coisas. Ela não difere muito do amor ... mas um amor construído passo a passo , trabalhado em cada detalhe , moldado em sua essência ...consentido por ambos . Ambos podem fragilizar, debilitar, podem criar uma falsa noção de realidade e fazer estragos. Pessoas apaixonadas se transformam, fazem coisas que não fariam normalmente, cometem loucuras por amor.
A diferença da submissão psicológica é que um dos parceiros está no controle da situação, para impedir que loucuras sejam cometidas. Mas esse controle pode ser tanto para o bem ou para o mal, tudo depende do bom senso de quem está no controle. Esse é um jogo que envolve sérios riscos e não é para todos. Ter essa consciência é importante, mas não é suficiente para evitar que se saia machucado desse jogo. Ter alguma experiência com a prática pode ajudar ou pode até atrapalhar, pois daria uma sensação de autoconfiança, e assim, acabar expondo o/a sub a um risco ainda maior.
Ninguém quer os defeitos do outro, o dominante não quer os limites do submisso, não quer suas fraquezas, ele quer apenas o que venha a acrescentar aos seus objetivos, e com o sub não é diferente, ele também quer o melhor do Dom. Os problemas começam quando esse melhor está distante de quem a pessoa é realmente e, quando isso vem à tona, aquilo que foi construído se torna uma mentira e um problema. Problemas ainda maiores acontecem quando a intenção é de prejudicar, quando não se está preparado pra exercer ou receber, quando não se sabe dosá-la ou não se mede as consequências dos atos , deixando de fora o bom senso .
Talvez a utopia não esteja exatamente na submissão psicológica, mas na própria relação de D/s em si.
Saudações aos seguidores e ao staff do blog,
Rafael Boareto


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