Querido leitor.
Faltam muitos dias para o dia das bruxas, mas estou desafiando a mim mesma para que, até que esse dia chegue, eu tenha atingido um objetivo muito especial. Escrever um livro. Sobre magia, encanto e feitiços. Sobre amor mortal e imortal. A cada quatro ou cinco dias, postarei cada capítulo, conforme eles irão surgindo e formando a história de Brízida, uma linda, malvada e encantadora bruxa do século XVIII.
Vem comigo nessa viagem ao mundo da fantasia!
Com você,
BRÍZIDA - A SAGA DE UMA BRUXA
CAPÍTULO V
CAPÍTULO V

Lembrou-se
do prazer que sentiu em ver o medo nos olhos de Denis ao encará-la na
noite anterior e não pode deixar de gargalhar. O recém criado felino
assustou-se e se escondeu por entre as cadeiras na mesa da sala, a
observar sua raptora.
-
Você mereceu seu fedelho pulguento! Sua aura é escura, sua índole é
perversa e você deveria ficar assim pela eternidade! Deveria me servir
pelo resto da sua vida inútil! - O olhar de Brízida faiscava e foi
adquirindo a cor avermelhada da fúria outra vez, aquela cor que Denis já
conhecia bem.
-
Mas não está nos meus planos ter a cidade inteira no meu encalço,
procurando por você. Tenho muito que fazer. Sorte sua, garoto. Mas não
pense que irei esquecer-me do que você é capaz.
Sem
tirá-lo de baixo da mesa, Brízida concentrou-se movimentando braços e
mãos, em movimentos circulares, enquanto a energia foi-se formando entre
suas mãos numa chama azul iluminada, cada vez maior, mais potente, mais
barulhenta, grande o bastante para transformar o felino por inteiro.
Então,
lançou sobre ele o feitiço que fez recuperar sua aparência humana,
levantando a mesa e derrubando as cadeiras que estavam ao seu redor. A
casa inteira ficou envolta em raios e o semblante de Brízida adquiriu a
cor de sua fúria. Ela tele transportou as roupas do rapaz e o vestiu com
um movimento manual circular, abriu a porta da casa e fez o rapaz
levitar para fora, assustado e desnorteado pelo que acabara de passar.

Quando
Denis recobrou os sentidos, mal sabia onde estava. A noite já mostrava
suas primeiras sombras. Nem sabia como havia chegado à floresta densa e
fresca à sua frente. Mas sabia como voltar para sua casa e assim o fez.
Automaticamente.
Estava próximo à sua casa quando ouviu uma voz lhe chamar.
-
Denis! Espere! Denis! - Anton apressou o passo para interceptar o rapaz
que parecia estar perdido em pensamentos. - Onde esteve, garoto? Todos
estão à sua procura!
-
Eu... Eu não me lembro! - Sem parar para responder, Denis seguiu seu
caminho, com os olhos perdidos, prestes a se estatelar no chão a
qualquer momento. Lembrava-se do encontro com Jeff Hoffman, mas não
deveria mencionar isso a Anton. Apoiou-se nos ombros dele que o auxiliou
prontamente.
- Anton, eu preciso chegar a minha casa, preciso descansar. Acho que bebi demais ontem à noite.
-
Foi o que eu pensei. E os seus amigos também devem ter exagerado. Só
falavam de uma bruxa andando solta pelas ruas. E que ela havia levado
você para seu covil.
-
Mas que bobagem é essa? Pensei que você não desse crédito aos absurdos
desse povo, Anton! - Com uma gargalhada, Denis abriu a porta de entrada
da sua casa e entrou na sala, esparramando-se no sofá, com Anton ao seu
lado.
- E não dou, mesmo. Mas você sumiu, pensei que estivesse em apuros. Vive se metendo em confusão!

-
Oh, me desculpe, meu rapaz! Mais uma vez, queira me desculpar! E
obrigada por trazê-lo para casa são e salvo! - Com sua criada Léia
carregando uma bandeja atrás de si, a senhora Gabes gesticulava
excessivamente, convidando-o a sentar-se. Fez sinal para que ela
enchesse uma xícara com um líquido quente e fumegante que estava no bule
de porcelana.
- Entre, querido! Aceita um café?
-
Obrigada, Dona Sara. - Tirando o chapéu, Anton fez uma reverência e
beijou a mão da senhora. Pegou a xícara que Léia lhe estendia e sorveu o
café.
- Mas não o encontrei dessa vez. Ele já estava quase aqui em frente, voltou sozinho, somente o ajudei a entrar.
- Ah, esse menino! Quando vai criar juízo?
-
Um dia essa fase vai passar e vocês irão dar boas risadas de tudo isso,
dona Sara. Agora, se me permite, preciso voltar ao trabalho. Creio que
ele irá dormir por um bom tempo.
-
Sim. Queira Deus que seja a última vez que ele some desse jeito! -
Desanimada, a esposa do delegado acompanhou Anton até a rua e ficou
observando-o até que sumisse em meio às construções da vila.
Os
dias transcorreram normalmente em Saint Louis depois do incidente
ocorrido com Denis. O delegado Ben Gabes havia comparecido ao gabinete
do prefeito Rivers juntamente com Nil e Anton.
Já
a par de tudo o que acontecera nos últimos dias, Ben assegurou aos
outros que Denis estava bem. A fantasiada bruxa foi esquecida, mas o
assunto Jeff Hoffman continuava em pauta.
- Quem é esse Jeff Hoffman, mesmo, Sr Rivers? Qual a sua ocupação? Empresário? - O delegado Ben parecia preocupado.
- Qual é o interesse dele com essa pequena cidade no meio do Missouri?
-
Ele é banqueiro da cidade de New Jersey. Está tentando novos
investimentos no interior do Estado. Acredita que a industrialização
acelerada na parte norte do Missouri após a conclusão do Canal Morris em
1831 irá expandir principalmente na parte cultural do interior do
Estado. Muita gente vai estar interessada em Saint Louis. - O prefeito
acreditava realmente nas intenções de crescimento do banqueiro. Só não
sabia se estava agindo corretamente para conseguir o que queria.

-
É, mas ele não sabe que as pessoas em Saint Louis não são como as da
capital. Vamos nos encontrar com ele em outubro. Ele virá para assistir
ao show de Marien. - Anton havia reservado para ele um quarto na pensão
de Donanda.
- Ele já pagou pelo quarto antecipadamente.
- Ótimo. Então você também poderá ficar de olho nele, Anton. - E com essas palavras, o prefeito encerrou a reunião.
Nil
gostaria de poder contar o que ouvira na casa velha, quem esteve lá
naquela noite, mas não ouvira o suficiente. Não tinha provas. Precisava
ter certeza do que estava acontecendo para entregar Denis. Sempre
desconfiara dele. Certamente, nunca seria confiável. Poderia se virar
contra o próprio pai.
Ninguém percebeu o quanto suspeitos foram os pensamentos de Nil em relação ao banqueiro, a Denis e ao dia do Halloween.
A noite caiu sobre Saint Louis. Rodeada pelos seus felinos na casa da floresta, Brízida andava de um lado a outro, procurando essências para um feitiço poderoso contra o que pressentia ser a ocasião perfeita para o encontro com Marien Vitch. O caldeirão fumegante exalava cheiro de ervas enquanto ela adicionava os ingredientes um a um, dizendo palavras mágicas. Podia sentir que o momento estava se aproximando.
Precisava
de um ingrediente especial e sabia onde o encontraria. Com um movimento
circular dos dedos da mão direita, Brízida tele transportou-se para
Saint Pierre, uma vila nos arredores de Saint Louis. Estava na hora de
cobrar uma dívida.
Entrou
sem ser vista na casa de um rico senhor, onde vivia com sua mulher e
três filhos. Observou a casa. Ricamente mobiliada, com quadros antigos,
lindos e caríssimos vasos. Os tapetes magníficos espalhavam-se pelas
várias salas, cadeiras exuberantes e louça da mais fina porcelana
distribuída sobre a mesa do jantar. Brízida não podia entender como as
pessoas se prestavam a adorar tão fútil ambição. O poder por bens
materiais.
Foi
isso o que o general Leon pretendia em troca da vida de seu filho?
Ninguém mencionara a ele qual seria o pagamento pela ajuda que Brízida
lhe daria para conseguir o que queria, mas ele havia assegurado que
faria qualquer coisa pela sua carreira, pela promoção e pelo dinheiro
multiplicado em sua conta bancária. Era um homem frio e calculista, sem
brios nem escrúpulos. Não seria ela quem iria hesitar em levar seu filho
mais velho para sua casa. Tal pai, tal filho. O rapaz seria igualmente
vazio de nobres sentimentos se continuasse vivendo ali. E ela precisava
do último ingrediente para o feitiço contra Marien.

- Seu sono é meu. Sua vida agora me pertence. Venha comigo.
Ela o beijou na boca.
Com
os olhos fechados, Brízida só pensava em uma única pessoa. Como
poderia? Suas emoções que sempre estiveram sob controle estavam se
perdendo em sentimentos.
Afastou-se
um pouco do rapaz para encará-lo. Não era Anton. Gostaria que fosse.
Ele enlaçou seu corpo e a puxou para si. Ela deitou-se sobre ele e
beijou-o novamente, dessa vez com mais intensidade.
Sentindo seu peso sobre o dele, o rapaz entregou-se aos beijos, enquanto Brízida começou a levitar, levantando-os no ar.
Saíram pela janela do quarto, depois de abri-la. Levou-o.
E
o que a fez apreciar esse encontro, contrariando a própria razão, o
próprio desejo, foi a imagem de Anton que lhe veio à mente, ao
percebê-lo no próprio coração.
E quem olhou para o céu naquele dia, teve a impressão de ver um casal de namorados amando-se, misteriosamente deitado sobre a lua.
Tenha uma ótima semana e fique com Deus.
Beijos meus.
Katia gobbi (KG Kati)
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