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quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Assim, são as submissas...



Nós somos como um rochedo, no qual a onda bate e recebe pouco a pouco um novo molde, novas formas. Conforme ás águas nos tocam (a mão do Dono), seja ela calma ou enfurecida, apenas recebemos, nos fazendo fortes e altivas, porém, sempre submissas. 
Assim, são as submissas. Temos uma inclinação contínua de nos extasiar. Precisamos nos entorpecer com a necessidade de servir e destinar nosso tempo ao agrado de alguém. Precisamos da espera, da entrega, da consumação ou de qualquer outra coisa que nos faça precisar mais, cada vez mais dessa condição. Nós precisamos dormir, acordar e viver toda essa confusão que nos atormenta e ao mesmo tempo alivia. 
Chega certos momentos que já nem sabemos mais quem somos, porque nos tornamos equilíbrio e em outro momento uma desordem absoluta. E assim seguimos, assim mudamos, mudamos como as estações, mudamos como as formas dos rochedos. Somos as antíteses que vão nos personificando, forte e frágil, calmaria e inquietação, o sangue ferve e esfria, pois necessitamos ser assim. 
Brigamos com nós mesmas, travamos quedas de braço imaginárias, nos olhamos nos olhos, diante do espelho e dizemos que vamos conseguir, que podemos, que queremos e assim seguimos. Revivemos cada passo, cada acerto, nosso coração perde o compasso, nossa respiração acelera e vivemos cada momento concedido. 
E sempre nos perguntamos o que somos. Será que somos loucas por ser assim? Se confirmamos que somos, então, não há outra maneira de sermos, somos submissas, vivemos para servir, para sermos acolhidas e por um momento viver o que somos, é o que importa. 
Como o rochedo que se entrega ao capricho das ondas, nos entregamos a vontade inigualável de transpassar o nosso ser, ingerir um pouco de tudo que nos é permitido, de nos saciar a fome, a urgência de não mais nos pertencer. 
E assim, como um rochedo, que conhece seu lugar, vivendo submisso as ondas do mar, temos conhecimento de nossa condição, vivemos a necessidade pungente de nos atirarmos sem reservas rumo à uma entrega consciente, porque não existe mais o "eu" para perdermos, porque já fomos encontradas, porém, estaremos sempre sendo desnudadas.

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