Nunca és, foste ou serás perfeito, como qualquer outro tens defeitos, por mais que me esforce, que reclame, nunca deixarás a bancada limpa quando fazes o jantar, deixas a toalha do banho espalhada em qualquer lugar, tenho que te chamar vezes sem conta para o almoço quando escreves, mas mesmo assim amo-te.
Nem mesmo eu sou perfeita, mas na nossa esquisita imperfeição mundana, somos e existimos um no outro, sei que te vêem em mim, como me vejo em ti. Somos, docemente, diferentes um no outro, como alguém dizia, vocês são esquisitos, e somos, ou a nossa esquisitice deveria ser tão somente a normalidade do mundo?
Adoro a forma como me permites esconder entre os lençóis, como me aconchegas, apesar de não dormires – tu dormes tão pouco! devias descansar mais, mas esse teu vício da escrita não te larga!
Mas nesse teu vício és perfeito, permites-me descansar sem as másculas cobranças,- engraçado nunca tive que inventar uma dor de cabeça. Adiante, mesmo no cansaço após um dia, ou uma noite de labor diário, amas-me, confortas-me e acima de tudo aprendeste a escutar-me,- nem imaginas como é importante num homem saber escutar, e tu aprendeste a fazê-lo na perfeição, amo-te por isso, e quem sabe quando acordar, tenhas sorte? Apesar de tudo mesmo cansada também eu te desejo em mim, mas custa-me tanto mexer um dedo sequer, quanto mais o corpo todo nesses movimentos frenéticos que nos levam à loucura, peço-te, ama-me, mas não te mexas, deixa-me apenas dormir!
M. Irene Cuddel®
Postar um comentário