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quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Filmes Esquecíveis do Cinema - Resenha Cinéfila - Escuridão Mortal

Existem filmes que não tem motivos para serem produzidos.Mesmo assim,insistem neles.É o caso desse título aqui,uma colcha de retalhos com uma história pouco inspirada,contada dezenas de vezes e que nada de relevante ou original trouxe para o gênero do suspense.

Escuridão Mortal - Against the Dark
País - Estados Unidos /  Roménia
Ano - 2009
Duração - 93 min 
Direção - Richard Crudo
Produção - Phillip B. Goldfine
Roteiro - Mathew Klickstein
Gênero - Ação / Suspense
Música - Philip White
Direção de arte - Vlad Roseanu
Cinematografia - William Trautvetter
Edição - Tim Silano
Distribuição - Sony Pictures Home Entertainment
Lançamento - Estados Unidos 10 de fevereiro de 2009
Idioma - Inglês
Orçamento - US$ 7,000,000


Steven Seagal como Tao
Tanoai Reed como Tagart
Jenna Harrison como Dorothy
Danny Midwinter como Morgan
Emma Catherwood como Amelia
Stephen Hagan como Ricky
Daniel Percival como Dylan
Skye Bennett como Charlotte
Linden Ashby como Cross
Keith David como Lt. Waters


Tagart, hábil mestre da katana, comanda uma tropa de operações especiais em uma missão sangrenta. Seu alvo: vampiros. Em um mundo apocalíptico, alguns poucos sobreviventes ficam presos em um hospital infectado. Tagart é a única esperança desses sobreviventes. Mas, ele sabe que a única cura é o extermínio...

Produção nível C, dirigida por um tal de Richard Crudo e lançada direto para o mercado de DVDs, a história é o velho clichê envolvendo criaturas sem explicação. Resumindo em poucas palavras,após um apocalipse zumbi, um grupo de pessoas tenta sobreviver ao ataque dos monstros se refugiando num velho hospital.Enquanto eles buscam formas de escapar, um grupo de caçadores,liderados pelo grandalhão Tao, saem no encalço desses seres. O problema é que o exército vai bombardear toda a área,e esse pessoal tem um prazo estipulado para deixar o local,caso contrário vão virar churrasco com a zumbizada-vampiros.

Por esse breve resumo, já se tem ideia do que possa ser essa obra:uma salada de frutas mal produzida de filmes como:Resident Evil,Eu Sou a Lenda e Extermínio 2. Se a mistura poderia até funcionar,caso tivessem nomes decentes envolvidos na produção,ninguém sabe, mesmo com a falta de originalidade. Mas os problemas são muitos. A começar pela escalação do elenco.O rosto mais conhecido é o sisudo ex-astro dos anos 90, Steven Seagal. Verdadeiro brucutu que foi lançado ao estrelato naquela década, Seagal ficou mais marcado pelos filmes de ação/policial que ele costumava estrelar. No novo milênio, a carreira faliu e ele se rendeu ao mercado de DVDs. É ate interessante conferir esse filme,pelo simples fato que foi o único em que o inexpressivo Steven fez uma mudança de gêneros, saindo de sua zona de conforto. Mas não tem muito o que se destacar de seu personagem, que é quase um coadjuvante e passa a maior parte do tempo carregando uma enorme espada e liderando um grupo que se propõe a caçar os vampiros-zumbis. Fora de forma nitidamente, ele pouco realiza e abre espaço para que outros personagens se destaquem nas cenas de ação. Vale destacar o grupo liderado por ele, formado por duas gatinhas que entram mudas e saem caladas, não dão um único pio durante todo o filme e mais parecem robôs andando.

Com um fiapo de história,não tem muito o que se destacar. Os personagens são mal desenvolvidos, e boa parte só estão ali mesmo para ser atacados pelos monstros. A história se resume a eles se esconderem,os vampiros caçarem e os caçadores,que pouca relevância tem para a obra, caçarem os zumbis. E para tentar oferecer um pouco mais de adrenalina,a ideia de um militar de bombardear o local. Como esperado, no decorrer da história, todos os grupos vão se encontrar.

Outro problema mal definido é a origem dos monstros, nada originais. A principio, descobrimos que são uma espécie de vampiros, criados por alguma infecção e que precisam de sangue humano para se alimentar e infectar outras pessoas. No decorrer, sabemos que eles também se alimentam de carne, sendo assim uma espécie de zumbis-vampiros. Depois, surge a explicação que esses troços são uma espécie de mutantes. E se no principio são criaturas irracionais agindo por sobrevivência, não demora para começarem a falar.(???) E nisso se desenrola toda a trama: correrias, ataques dos monstros, balas e pancadarias e um Steven Seagal marcando presença sem muita serventia.

Talvez, nas mãos de um diretor mais talentoso. ele soubesse compensar a falta de criatividade e de um elenco mais promissor, com boas cenas de suspense ou tensão, mas nem isso existe nesse filmeco. O único elemento digno de elogios, é o designer das criaturas, que até convence. No mais, não tem nada que impressione. O suspense é nulo e a ação é genérica. Seu custo de produção foi de 7 milhões e como foi um filme feito para o mercado de home vídeo, fica difícil encontrar o valor total de sua arrecadação.




terça-feira, 1 de agosto de 2017

Filmes Esquecíveis do Cinema - Resenha 007 na Mira dos assassinos

Hoje trouxemos mais um filme esquecível do Cinema...
 
007 Na Mira dos assassinos
País - Reino Unido
Ano - 1985 
Duração - 131 min 
Direção - John Glen
Produção - Albert R. Broccoli, Michael G. Wilson
Roteiro - Michael G. Wilson, Richard Maibaum
Gênero - Ação
Música - John Barry
Música tema - Duran Duran
Companhia produtora - EON Productions
Distribuição - Metro-Goldwyn-Mayer, United Artists
Lançamentos:
Estados Unidos 22 de Maio de 1985
Brasil 19 de Junho de 1985
Idioma - Inglês
Orçamento - US$ 30 milhões
Receita - US$ 152.627.997

Roger Moore como James Bond
Tanya Roberts como Stacey Sutton
Christopher Walken como Max Zorin
Grace Jones como May Day
Robert Brown como M
Desmond Llewelyn como Q
Fiona Fullerton como Pola Ivanova

James Bond descobre, na Sibéria, um microcircuito no corpo do agente britânico 003, morto nas geleiras. Após espetacular fuga, 007 chega a Londres e é informado de que o chip encontrado por ele é o mesmo que os cientistas ingleses criaram, imune a explosões nucleares. O maior suspeito de ter passado tecnologia ao inimigo é Max Zorin, um excêntrico industrial que supostamente fugiu da Alemanha e fez fortuna com prospecção de petróleo.

Após rodar o mundo investigando o empresário, Bond chega a  San Francisco, no Estados Unidos. Zorin não é apenas um inescrupuloso industrial. Psicopata, o ex-agente da KGB é experiência genética de um médico nazista capturado pelos soviéticos e tem como fim conquistar o mundo monopolizando a produção de silício (material com o qual são feitos os microchips). Em seus planos, uma enorme explosão criaria um terremoto em San Francisco, romperia os lençóis subterrâneos de água, inundando o Vale do Silício, que concentra a indústria de informática nos Estados Unidos. Na missão, Bond terá como única aliada a filha de um empresário traído por Zorin, Stacey Sutton.

O ator Roger Moore retorna pela 7ª e última vez a dar vida ao grande 007, num dos filmes mais fracos da história da série.Até hoje, Moore detém o recorde de ter sido o ator oficial a estrelar o maior número de títulos com o James Bond, tendo permanecido por uma década e meia na franquia.Embora Sean Connery também tenha estrelado 7 filmes como o espião,vale lembrar que sua última aparição, em 1983, foi na produção não-oficial, 007-Nunca Mais outra Vez.

Existe um fato curioso sobre a série 007.Os maiores intérpretes sempre se despedem em filmes abaixo das expectativas.Foram consideráveis os fatos que fazem desse título aqui,um dos piores da franquia. O primeiro foi a própria presença do Roger Moore. Com 57 anos de idade, o ator não apresentava mais agilidade ou vigor para encarar as peripécias de Bond. Seu cansaço e lentidão em algumas cenas evidenciavam isso, tanto que foram utilizados muitos dublês para algumas sequências. Pior é que, no processo de edição do filme, não conseguiram disfarçar a presença deles, e ficam bem nítidos entre uma sequência ou outra. Na verdade, Moore deveria ter saído da franquia após o 007-Somente para Seus Olhos, de 1981. Sua permanência se deu por culpa do próprio Sean Connery. Para maiores detalhes a esse respeito, consulte as postagens com o personagem na coluna dos Grandes Personagens.

Outro ponto negativo é o roteiro, um tanto confuso e cheio de reviravoltas e subtramas. Começa com o Bond recuperando um microchip em plena Rússia, para em seguida saber que um milionário, Max Zorin, vivido pelo oscarizado Christopher Walken, pode ter negociado com os soviéticos, tecnologia de uso exclusivo dos aliados ocidentais. Aí surge uma complexa trama que envolve experiências genéticas, aquisições indevidas de poços de petróleo e a velha megalomania de querer conquistar o mundo usando fins escusos e homicidas. Tem também uma longa e desnecessária sequencia em que Bond se hospeda no haras do vilão, disfarçado de comprador de cavalos, e pouco descobre que possa ser válido para a trama. A cena só estira a duração de mais de duas horas da obra,sem finalidade positiva alguma. O filme padece com a ausência de uma grande e memorável cena de ação, embora tente, como quando Bond se apodera de um caminhão dos bombeiros. Ou a cena que se inicia na Torre Eiffel. Aliás, as filmagens na França não foram fáceis, as negociações com as  autoridades francesas foram complicadas, pois eles não queriam autorizar as cenas de ação nas ruas ou a sequência de salto na Torre.

Também não podemos descartar as Bondgirls, duas das mais deploráveis da franquia. Uma é vivida pela exótica cantora Grace Jones, a May Day. Extremamente esquisita, é até hoje uma das figuras mais controversas a ir para cama com o espião. O próprio Moore mesmo nos dias atuais, fazia piada com a cena. Outra é a personagem Stacey Sutton, vivida pela Tanya Roberts, uma das "Panteras", o famoso seriado do final dos anos 70 e início dos 80. É considerada uma das piores personagens femininas a dividir a cena com o 007,por conta de sua histeria.

Pouca coisa se salvou desse título: a música-tema, interpretada pelo grupo pop Duran Duran, um dos mais conhecidos dos anos 80. A canção recebeu até indicação ao Oscar. O vilão interessante e sociopata, vivido pelo Walken e as sequências finais,em que ocorre uma explosão na mina de silício e quando  Bond acerta as contas com os vilões, dependurado no topo da ponte Golden Gate, em Chicago.Também é curioso notar que o 007 praticamente não usa nenhuma "gadget", aqueles acessórios que sempre lhe são oferecidos pelo projetista Q,muito menos nenhum veiculo ultra mirabolante. Isso tudo por conta do diretor,o John Glen,que gostava de situar o James Bond mais próximo à realidade, por mais impensáveis que sejam as situações e tramas em que ele se metia.

Finalizando, existem curiosidades e  fatos ligados a esse título. O primeiro é uma rápida participação do ator sueco Dolph Lundgren, na época um ilustre desconhecido. Sua presença se deu por conta da atriz Grace Jones, que era sua namorada e certamente conseguiu uma participação para ele. Nesse mesmo ano, ele seria lançado ao estrelato pelo Sylvester Stallone em Rocky IV (consulte a história do Rocky na coluna dos personagens).

O segundo é que não foi somente o Moore quem se despediu da série James Bond com esse título. A atriz Lois Maxwell, que por duas décadas e meia viveu a srta. Moneypenny, também deixou a franquia, tendo sido até hoje, a coadjuvante com o maior número de aparições na história do 007 nos cinemas. Roger Moore deixava de vez o espião que o imortalizou, mas ganhava um lugar cativo no coração da maioria dos fãs. Longe de ter sido o intérprete mais perfeito,mesmo assim é extremamente querido até hoje. Apesar de dividir opiniões a respeito de sua performance e interpretação do 007.Pena que sua despedida foi com um dos piores filmes de sua passagem.

O cara que por mais vezes interpretou o querido James Bond foi o primeiro intérprete a nos deixar. Moore faleceu no dia 23 de maio de 2017, aos 89 anos,na Suíça.A notícia de sua morte deixou os fãs extremamente consternados com a perda do mais carismático de todos os 007. Mas ele já é imortal através de sua obra e permanecerá para sempre no coração de seus admiradores. E em sua homenagem, a coluna Pop Culture irá fazer um balanço de sua trajetória como ator e embaixador da Unicef.

sábado, 10 de junho de 2017

Filmes Esquecíveis do Cinema - A Múmia: A Tumba do Imperador Dragão

Como vimos, essa franquia iniciou-se em 1999,com uma produção, que, se não foi 100%, mas era divertida, os personagens tinham um grande carisma e as boas sequências de ação seguravam o interesse do espectador.


A Múmia: A Tumba do Imperador Dragão
The Mummy: Tomb of the Dragon Emperor
Países - Estados Unidos, China, Alemanha, Canadá, Tibete
Ano - 2008
Duração - 111 min 
Direção - Rob Cohen
Produção - Sean Daniel, Bob Ducsay, James Jacks, Stephen Sommers
Roteiro - Alfred Gough, Miles Millar
Narração - Freda Foh Shen
Gênero - Ação, Aventura, Comédi, Fantasia, Terror
Música - Randy Edelman
Cinematografia - Simon Duggan
Edição - Joel Negron, Kelly Matsumoto
Companhias produtoras - Relativity Media, The Sommers Company, Alphaville Films
Distribuição - Universal Pictures
Lançamentos:
Portugal 31 de Julho de 2008
Brasil 1 de Agosto de 2008
Estados Unidos 1 de Agosto de 2008
Alemanha 7 de agosto de 2008
China 2 de setembro de 2008
Idiomas - Inglês, Mandarim, Sânscrito
Orçamento - US$145 milhões
Receita - US$401,128,639


Brendan Fraser - Rick O'Connell
Maria Bello - Evelyn Carnahan O'Connell
John Hannah - Jonathan Carnahan
Luke Ford - Alex O'Connell
Jet Li - Imperador Han
Michelle Yeoh - Zi Juan
Isabella Leong - Lin
Anthony Wong Chau-Sang - General Yang
Russell Wong - Ming Guo

Liam Cunningham - Mad Dog Maguire


O impiedoso imperador dragão (Jet Li) é amaldiçoado pela feiticeira Zi Juan (Michelle Yeoh), o que faz com que ele e seu exército de 10 mil homens seja petrificado. Mais de dois milênios depois o túmulo do imperador dragão é descoberto por Alex O'Connor (Luke Ford), filho dos aventureiros Rick (Brendan Fraser) e Evelyn (Maria Bello), que deixou os estudos para se dedicar à escavação. Seus pais não sabem do trabalho de Alex, que conta com a ajuda do tio, Jonathan Carnahan (John Hannah), dono de uma boate em Xangai. Atualmente Rick e Evelyn levam uma pacata vida em Londres, mas sentem falta da aventura. Um dia eles recebem a proposta de levar um precioso artefato a Xangai e, usando a desculpa de visitar Jonathan, aceitam a missão. Só que ao chegar eles são abordados pelo general Yang (Anthony Wong Chau-Sang), que deseja trazer o imperador dragão de volta à vida.

O primeiro filme foi um enorme sucesso comercial, não demorou para a Universal bancar uma sequência. Dois anos depois, Stephen Sommers voltou a se unir com a maioria do seu elenco e comandou O Retorno da Múmia. Se não conseguiu ser superior ao antecessor, pelo menos manteve a fórmula,introduziu um novo personagem, o garoto Alex, filho de Rick e Evelyn, (que roubou a cena), continuou com a mescla de ação e humor e no final agradou ao seu público.

Houve então uma pausa de 7 anos entre uma produção e outra. Foi quando os chefões da Universal resolveram bancar mais uma aventura da trupe O'Connell. O principal responsável pelos filmes anteriores, o roteirista/diretor Stephen Sommers não demonstrou muito ânimo em comandar uma nova produção,e preferiu se limitar a ser somente um dos produtores. Seu lugar vago foi ocupado pelo conhecido diretor Rob Cohen, que comandara anteriormente os primeiros Velozes e Furiosos (confira em Grandes Personagens e Nossas Resenhas) e Triplo X. Já o roteiro ficaria por conta dos conhecidos Alfred Gough e Miles Milar, responsáveis por 7 temporadas do famoso seriado Smallville, (consulte a passagem do Super-Homem pela tv na coluna dos Grandes Personagens).

Assim como o Sommers não tinha mais interesse em dirigir o terceiro filme, boa parte do elenco conhecido ficou de fora.Somente o Brendan Fraser e o John Hannah retornaram. Rachel Weisz, agora com um Oscar no currículo por sua interpretação em O Jardineiro Fiel,de 2005, declinou da possibilidade de reprisar a Evelyn, embora digam que, quando foi anunciada a terceira produção, ela tinha interesse em voltar. Dizem que os motivos foram porque ela não simpatizou muito com o novo roteiro e tinha acabado de ter o primeiro filho. Já tem quem diga que o Oscar lhe subiu à cabeça, e ela queria se dedicar agora a filmes mais sérios, portanto, não tinha interesse em voltar à franquia que a projetou em Hollywood.Sabe aquela frase:"cuspir no prato que comeu?". Mas no seu caso,parece que ela adivinhara o que estava por vir.

Outro ausente foi o Arnold Vosloo, que interpretou o antagonista Imhotep. O roteiro não abria espaço para mais um retorno de seu personagem ou encontrava justificativas. Seria pouco provável fazer dele um Jason Voorhes ou Freddy Krueger,que sempre voltam dos quintos do inferno. Pelo mesmo motivo,o personagem do  Oded Fehr também não encontrou espaço para retornar. Novos e conhecidos nomes substituíram os ausentes. A Evelyn seria interpretada agora pela Maria Bello.Luke Ford viveria o Alex, agora adulto. O conhecido astro marcial Jet Li seria o novo antagonista e a famosa atriz asiática Michele Yeoh também se fez presente.

O roteiro do filme foi em parte, inspirado numa história verídica da China. A ideia do imperador e seu exército é baseado na vida real do imperador Qin Shi Huang da Dinastia Chin, que foi enterrado em meio a milhares de trabalhadores soldados de terracota, o chamado Exército de Terracota, o mais tardar até 210 aC.  Já a Industrial Light e Magic,também foi excluída da parte técnica, outras empresas assumiram a empreitada.

Como já cansei de afirmar, parece até uma maldição, (ainda mais se tratando dessa franquia, cujo foco sempre foi esse detalhe): o terceiro filme de uma série sempre consegue ser o pior. Nada nessa produção deu certo. Não que se possa levar a sério um roteiro fantasioso, cuja única pretensão é divertir e mais nada,mas os anteriores conseguiam prender nossa atenção, e relevávamos os exageros e certas bobagens. A mudança de antagonista não deu certo de forma alguma. A nova produção não tem a mesma sintonia dos filmes anteriores, graças ao roteiro sem atrativo algum. A nova múmia não desperta o nosso interesse, tem uma pincelada de história regada a efeitos e cenas de ação desempolgantes.

A ausência dos intérpretes anteriores se faz sentida do começo ao fim. Maria Bello não tem a mesma química da Rachel com o Fraser, é uma atriz insossa,o que é pena, pois ela é uma boa atriz, mas parece que se sai melhor em filmes dramáticos, onde fez carreira.Brendan Fraser se esforça para sustentar o filme, mas o seu carisma somente não é suficiente. John Hannah, que sempre se sobressaiu com seu personagem cômico, dessa vez não deu certo de forma alguma. A história não acerta o timing do personagem e ele é desperdiçado, mesmo forçando a barra para tentar ser engraçado.

A influência da trilogia Indiana Jones ainda se faz presente nesse terceiro episódio. Além de reciclar situações vividas nos 3 filmes do grande herói. O roteiro chato ainda tenta criar um relacionamento conflituoso entre Rick e seu filho,da mesma forma como ocorreu com o famoso arqueólogo e seu pai em Indiana Jones e a Última Cruzada. Felizmente, Indiana Jones e o querido e atrapalhado Prof Henry Jones são únicos na história do cinema. O novo nome do elenco, o Luke Ford, também não tem lá grande importância para a trama e parece só funcionar justo quando divide a cena com o Brendan.

Existe uma falha cronológica imperdoável:só o garotinho do segundo filme quem envelheceu nesses anos todos.Os personagens Rick,Evelyn e Jonathan possuem a mesma aparência de 20 anos atrás,quando foram vistos pela última vez em O Retorno da Múmia.Fraser aparenta  ser o irmão mais velho do Luke, do que propriamente seu pai.

Jet Li padece também interpretando um personagem maquiado por um excesso de efeitos digitais durante boa parte do filme.Para completar,ainda resolvem incluir na trama,os Abomináveis Homens da Neve, saídos sabe-se lá de onde. Rob Cohen não consegue acertar seu trabalho dessa vez,demonstrando que não deve ter provavelmente visto os filmes anteriores,para se guiar. Tudo é um desastre:ângulos mal definidos, câmeras mal posicionadas, péssima condução do elenco, mal desenvolvimento do roteiro. E a trilha sonora do Randy Edelman, bastante mixuruca, completa a cereja do bolo mal intencionado. E não vamos nos esquecer da batalha final entre os exércitos criados por meio da digitação, mais um momento constrangedor dessa obra.

Logicamente, a intenção com esse terceiro filme era tirar mais um dinheirinho dos fãs da franquia. Esse título estrelou no ano de concorrência acirrada. Para se ter ideia, naquele mesmo ano foram lançados:Batman-O Cavaleiro das Trevas, Homem de Ferro e justamente o personagem que mais inspirou essa franquia fez o seu retorno: Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, (que também não conseguiu ser melhor que esse aqui. Mas era o legítimo Indiana,e isso foi o suficiente.Confira o resultado na coluna Esquecíveis do Cinema).

O orçamento desse filme ficou em torno de 145 milhões,o mais caro da trilogia,e arrecadou pouco mais de 401 milhões. Não foi fracasso, exceto crítico, mas colocou um fim nas aventuras dos O'Connel. O fim da franquia coincidiu com a decadência de alguns nomes ligados a ela. Brendan Fraser só fez despencar e hoje é considerado um ex-astro hollywoodiano. John Hannah também seguiu seus passos, após esse título não estrelou mais nada digno de referência para o cinema e limitou-se à TV. Maria Bello tem uma carreira estável e sempre encontra espaço para trabalhar, seja em produções que recebem atenção da mídia, seja em produções B. Stephen Sommers também entrou em franca decadência e não fez nada que mereça maiores destaques. E a Rachel Weisz também não tem nada de espetacular nos últimos anos,apesar do Oscar. A série chegou ao fim com esse episódio,mas A Múmia sempre encontra espaço para retornar, nas mais variadas versões, como a mais recente, do Tom Cruise.




sexta-feira, 12 de maio de 2017

Filmes Esquecíveis do Cinema - O Enviado

Quando um filme passa 1 ano e mais de 4 meses pra ser lançado ao final de sua produção, é preciso ficar de olhos abertos. Curioso é que nada menos que 7 pessoas responderam pela produção de algo que no final foi um fracasso retumbante.
O Enviado - Godsend
Dirigido por Nick Hamm
Produzido por Marc Butan, Sean O'Keefe, Cathy Schulman, Mark Canton
Escrito por Mark Bomback
Música por Brian Tyler
Cinematografia por Kramer Morgenthau
Editado por Niven Howie, Steve Mirkovich
Produção Companhia 2929 Entretenimento
Distribuído por Lions Gate Films
Data de lançamento - 30 de abril de 2004
Tempo de execução - 102 minutos
Países - Estados Unidos, Canadá
Língua - Inglês
Despesas - US $ 25 milhões
Bilheteria - $ 30,114,487 

Greg Kinnear como Paul Duncan
Rebecca Romijn como Jessie Duncan
Robert De Niro como Richard Wells
Cameron Bright como Adam Duncan
Janet Bailey como Cora Williams
Christopher Britton como Dr. Lieber
Jake Simons como Dan Sandler
Elle Downs como Clara Sandler
Zoie Palmer como Susan Pierce
Devon Bostick como Zachary Clark Wells
Munro Chambers como Max Shaw

O casal Paul (Greg Kinnear) e Jessie (Rebecca Romijn-Stamos) vive uma tragédia após Adam (Cameron Bright), seu filho de apenas 8 anos, falecer em um acidente. Desesperados, eles partem à procura do Dr. Richard Wells (Robert De Niro), um perito em genética, pedindo que ele crie um clone do filho morto. A experiência é ilegal e experimental, mas ainda assim Paul e Jessie estão dispostos a correr o risco. Wells consegue criar o clone, mas aos poucos os pais percebem que as atitudes do novo Adam são diferentes do original.

Decadente há tempos, o gênero do terror e suspense ganha cada vez mais títulos que só deprimem. Os produtores até que insistem, formam um elenco decente, com o nome do grande De Niro entre os demais astros e a esperança que seu nome desperte o interesse dos seus fãs é redobrada. Infelizmente como sabemos, não existe ator algum, consagrado ou não, que salve o filme de um roteiro horrível e uma direção perdida. Para se fazer justiça, o Robert é praticamente um coadjuvante de luxo.

O Enviado, suspense meia-boca foi mais um desses casos. A história é confusa, cheia de voltas e reviravoltas e tão clichê,que no seu decorrer acaba se perdendo por completo. O filme reúne dois temas, ficção científica, com a ideia da clonagem humana e o terror,com a velha história do garoto possuído por uma entidade maligna ou personalidade. Já cansamos de ver coisas assim,às vezes funciona, outras não. O caso aqui foi a primeira opção. O filme vai se perdendo aos poucos na intenção e se rende aos sustos fáceis e batidos que já não impressionam mais ninguém.

Essa ideia de crianças aparentemente dóceis se transformando em figuras ameaçadoras com olhares e expressões malignos é uma temática já tão explorada pelo cinema que já perdeu um pouco daquele efeito perturbador sobre o público, e no caso especificamente desse filme, o garoto influenciado pelo fantasma de um outro menino com um passado trágico não consegue transmitir aquela sensação de desconforto que deveria. A história toda é fantasiosa demais, principalmente pelo fato da família Duncan decidir clonar o filho morto e ser por isso obrigada a se isolar de tudo e todos que conheciam, afastando-se da vida anterior para ingressarem num mundo novo que gira em torno de uma experiência de clonagem que não pode ser descoberta devido a sua ilegalidade.

O mal mesmo do filme é não saber que caminho  seguir. Poderia render com o tema da clonagem humana e suas consequências, mas acaba se perdendo no sobrenatural, utilizando elementos já gastos por outros filmes do gênero.

E já que falamos do elenco,por que não abrir destaque para os principais personagens? Mais uma vez atravessando uma produção no piloto automático, Robert De Niro não possui um momento memorável sequer. Outra que pouco faz é Rebecca Romijn-Stamos, que limita-se a chorar e a gritar de susto, dependendo das exigências do roteiro, enquanto o garotinho Cameron Bright fica no básico, apostando em expressões ameaçadoras e só. Desta forma, o único que se destaca de alguma maneira é o sempre subestimado Greg Kinnear, que não apenas transmite bem as dúvidas morais de seu personagem como ainda retrata com talento sua dor e preocupação ao constatar as mudanças em Adam. É uma pena, portanto, que o filme decida transformá-lo em uma espécie implausível de detetive a partir da metade da trama (e é ridículo vê-lo descobrindo um desenho de criança que, acreditem ou não, permaneceu dez anos pregado em uma parede de um prédio abandonado).



Enorme fracasso crítico e comercial,e reconhecido como um dos piores filmes do início do milênio,O Enviado teve a recepção merecida e hoje vaga no limbo hollywoodiano,lugar mais que merecido para obras assim.


 
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