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domingo, 25 de outubro de 2015

Especial 31 Dias de Halloween - Witchlight - A Roda do Ano, Hemisférios e Sabbaths

Quando e como nos sentimos Wiccanianos? A Wicca é uma religião iniciática e Sacerdotal, dessa forma, compreendemos que somente será um Wiccaniano, aquele que pratica e ingressou no sacerdócio por meio da iniciação, seja ela formal, ou dentro de uma das diversas tradições que admitem a auto-iniciação. Sobre iniciações, dedicaremos um capítulo particular nesta obra. 

Os Wiccanianos celebram ritos mensais e sazonais no intuito de se alinharem ao ritmo natural das energias também naturais da Terra. Esses ritos particulares são denominados Sabbaths e Esbbaths. Não que apenas se “seja” wiccaniano a praticar tais ritos; como comentado anteriormente, a Wicca é particularmente iniciática. 

Os Wiccanianos sabem que o são por 24 horas ao dia. Elevamos nossos pensamentos e emoções aos Deuses a todo momento e acabamos por fases da vida, dita profana (usual, casual, nãoreligiosa), um verdadeiro exercício de nosso sacerdócio. Mesmo para alguns antigos praticantes, a palavra Sabbath pode parecer estranha, uma vez que também é utilizada na religião judaica. 

Na verdade, mesmo os mais antigos membros (até mesmo Gardner) provavelmente não tinham conhecimento do motivo da adoção para essa palavra para representar o que seriam os oito festivais das bruxas (em um passado na verdade eram apenas considerados quatro deles) e, posteriormente, oito Wiccanianos. Coloco para apreciação do leitor algumas de minhas descobertas ao longo desses anos de pesquisa sobre a palavra Sabbath.
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A primeira correlação com o que chamamos em bruxaria de sabbath, Sabbath ou sabat apareceu-me na cultura assírio-babilônica. Há mais de nove milênios, quando se cultuava uma deidade chamava Isthar, a Lua, em sua fase final de crescente, logo antes de poder ser considerada como cheia, determinava a época do SABATTU. Nesse período, os homens se recolhiam em respeito à GRANDE MÃE. Durante essa fase, era costume guardar-se o sábado, ou seja, não promover nenhum trabalho braçal ou mesmo alimentar-se fartamente nesse dia. 

É importante ressaltar que na Antiguidade o sábado era uma data mensal. Apenas com a maior percepção cultural é que se passou a observar as fases da Lua e com isso determinar-se de que sete em sete dias essas fases se modificavam, assim o sábado tomou seu lugar semanal nos conceitos temporais da Antiguidade. A própria palavra sábado, em nossa língua natal, é proveniente do latim SABBATUM, que, por sua vez, na cadeia temporal é advindo do grego SÁBBATON. SÁBBATON, por sua vez, é proveniente de SAHABBAT, que tem sua raiz em SABAT com significado etimológico de PARAR.

As Sabátidas eram festas gregas destinadas à Sabácio, entidade bem parecida com Dionísio (e mesmo confundida erroneamente por alguns), cultuada na Trácia e na Frigia. Sendo uma comemoração greco-mitológica, fica claro que ocorriam anteriormente mesmo a Moisés e ao judaísmo. Continuando na viagem, chegaremos ao dialeto ÁRCADE PRIMEVO, que possuía a palavra SAPATU com significado de PARAR, ou ainda SONO DA LUA. 

Tendo a etimologia que tenha ou sendo advindo do hebraico ou do grego, é certo afirmar que as mais diversas culturas voltadas ao politeísmo utilizavam-se dessa RAÍZ etimológica para denotar um período especial de contato com os Deuses. O certo de se observar é que todas as festas ligadas à raiz da palavra Sabbath sempre denotaram comemorações pagãs de grande alegria e desenvoltura.

Assim como as festas de BACANAL, do latim bacchanale (que eram festas dedicadas ao deus Baco Romano), por suas características próprias de alegria, bebida, comida, acabaram por sendo posteriormente adotadas etimologicamente como sinônimo para orgias sexuais, assim também o Sabbath teve seu significado deturpado ao longo dos séculos. 

Com o início da Inquisição promovida pela fé cristã no século XII, além dos pagãos, os judeus eram também os maiores inimigos da divulgação poderosa do Cristianismo. Que forma mais eficaz de combater e destruir seus dois maiores inimigos do que vinculá-los entre si? Pois bem, uma vez que Sabbath ou sabbath também denotava o período de recolhimento à oração desse povo que se inicia ao pôr-do-sol das sextas feiras e sua raiz é advinda das antigas festas pagãs, criou-se a idéia de uma cerimônia nefasta em que o próprio Satã (entidade que nem é mesmo conhecida pelos pagãos) se faria presente. 

Pobres pagãos e judeus que tiveram inclusive que assistir à palavra SINAGOGA tornandose sinônimo dos locais onde ocorreriam os encontros de bruxos nos bosques e florestas. Por vezes, é pesquisado a etimologia das palavras, tão presentes em nosso vocabulário, que fortalecemos nosso orgulho em sermos considerados pagãos. Pena que muitos ainda não compreendem a carga espiritual, histórica e de responsabilidade que essa terminologia carrega ao longo de séculos de injustiça cometida.

Agora que já vimos que em tempo algum, salvo na Inquisição, Sabbath correspondeu a um festejo macabro com a presença de entidades demoníacas, entendemos os argumentos dos que surgiram a Roda do Ano. A Roda do Ano é formada por oito Sabbaths. Sua finalidade é a de sincronizar as energias dos Wiccanianos com os Solstícios, Equinócios e ligações entre as Estações do Ano, ou seja, com os ciclos do planeta Terra e mesmo com o Universal. Por meio da Roda do Ano, seguimos o Caminho do Sol, representando as várias faces de nossos Deuses.

Encontramos aspectos representativos de seu nascimento, crescimento, desenvolvimento, união com a Deusa e, finalmente, seu declínio e morte. Da mesma forma que o Sol nasce diariamente e principia sua carreira ao longo do dia para, ao fim do mesmo, se pôr e dar lugar à noite com a Lua, e da mesma forma que a primavera faz a Terra renascer após o inverno, a Roda do Ano nos ensina que a Morte é apenas um ponto no Ciclo Infinito de nossa evolução, para podermos renascer no útero da Mãe.

Devemos seguir a Roda do Ano com as datas pelo Hemisfério Norte ou pelo Hemisfério Sul? Praticantes que adotam, para a comemoração de seus Sabbaths, datas do Hemisfério Norte, normalmente alegam que, tendo sido a Europa o berço da bruxaria, ou mesmo Wicca como conhecemos atualmente, com um maior número de praticantes e o tradicionalismo das datas, estariam ligando-se a um egrégora mais bem fundamentado e poderoso. Não quero aqui tirar a razão desse pensamento ocultista, mas, a meu ver, seguindo os 13 princípios da bruxaria (conselho Gardneriano), em suas primeiras linhas, seremos capazes de ler: “Nós praticamos ritos para nos alinharmos ao ritmo natural das forças vitais, marcados pelas fases da Lua e aos feriados sazonais."

A troca de hemisférios demanda automaticamente a troca de estações, inverno pelo verão, etc. Assim, em minha opinião prática, não conseguiria estar em pleno verão rendendo graças ao inverno. Uma questão de escolha simples e ligada à energia. Se praticamos ritos (Sabbaths e Esbbaths) para nos alinharmos ao ritmo natural (natureza, estação) das forças vitais, como fazê-lo não estando exatamente na estação ligada ao festival? Mas essa é uma opinião, respeito os que conseguem festejar um festival de inverno estando sua área geográfica em pleno verão, eu apenas é que não conseguiria.

Roda do Ano é o calendário que simboliza a concepção de tempo dos pagãos e principalmente a dos Celtas e que era um tanto quanto diferente da atual, semelhatemente ao zodíaco. Eles não viam o tempo de forma linear, mas circular, cíclico. Seus calendários levavam em conta não só o ciclo solar, como é o nosso, mas também o ciclo lunar. 


Originários da tradição celta, os Sabbats ocorrem oito vezes ao ano, levando-se em conta a posição da Terra com relação ao Sol: Equinócios e Solstícios. Nessas ocasiões, na Wicca, são homenageadas duas divindades: a Deusa Mãe, ou simplesmente a "Deusa", que simboliza a própria terra, e o Deus Cornífero, O Gamo Rei, protetor dos animais, dos rebanhos e da vida selvagem. Já em outros ramos do Paganismo, outros Deuses são adorados, pois que nem todos tem essas duas únicas figuras centrais

Os Wiccanos celebram diversos festivais sazonais do ano, que são conhecidos como Sabás; estas reuniões são geralmente conhecidas como Roda do Ano e festejam as estações anuais e suas colheitas.

1 - Wiccanos mais ecléticos, ou até mesmo os adeptos do Gardnerianismo, celebram um conjunto de oito Sabás, enquanto em outros grupos, como o ClanofTubal Cain, eles celebram somente quatro.

2 - Os quatro Sabás que são comuns a todos esses grupos são conhecidos como cross-quarterday, e geralmente são referidos como Grandes Sabás. Sua origem provém dos antigos celtas da Irlanda, e possivelmente de outras regiões da Europa ocidental.

3 - Nos livros The Witch-Cult in Western Europe (1921) e The GodoftheWitches (1933) da egiptologistaMargaret Murray, interessada no histórico Culto Bruxo, ela afirma que estes quatro festivais de cristianização tinham sobrevivido e haviam sido celebrados na religião pagã de bruxaria. Consecutivamente, quando a Wicca começou a se desenvolver na década de 1930 e na década de 1960, muitos grupos, como o de Gerald Gardner, adotaram a comemoração desses quatro Sabás descritos por Murray. Gardner fez uso dos nomes em inglês desses feriados, dizendo que "os quatro grandes Sabás são o Candlemass, May Eve, Lammas, e o Halloween; os equinócios e solstícios também são celebrados."

4 - Os outros quatro festivais comemorados por grande parte dos wiccanos são conhecidos como Sabás Menores, que compreendem o solstícios e os equinócios, foram adotados somente em 1958 por membros do covenBricketWood.

5 - Antes de influenciarem e serem adotados por outros membros da tradição de Gardner, e eventualmente a Tradição Alexandrina e o Dianismo. Os atuais nomes desses feriados foram retirados dos festivais do paganismo germânico e do politeísmo celta. 

No entanto, os festivais não são de reconstrução na natureza nem muitas vezes se assemelham a suas contrapartes históricas, em vez de exibir uma forma de universalismo. As observações dos rituais podem mostrar a influência cultural dos festivais a partir dos nomes que tomaram, bem como a influência de outras culturas independentes.


Créditos - Bruxas Feiticeiras


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