Qualquer palavra inicia um texto,
qualquer acordar inicia o dia, dias e dias, sucessivos, como sucessivos são os
textos, e a escolha diária de os escrever, como sucessivos são os dias e a
vontade de os viver. Na solidão do meu acordar, vejo a vastidão presente no
nosso leito deixada pela tua ausência, em que entre um abrir de olhos e o
voltar a fechar a vastidão dos segundos passam a valer horas, não há bom dia,
nem a vontade de beijar, apenas um acordar solitário, na solidão do nosso leito,
na vastidão do nosso quarto.
Lembro o ontem, na sofrida
inversão de papéis, em que tu acordas sem me teres a mim, lembro ainda as
noites em que o quarto se encontra despido de nós, do silêncio do nosso
respirar sonolento, dos gemidos contidos, pelo ouvido apurado do vizinho do
lado, é nessa saudade que nos reencontramos no raiar de um novo dia, de um novo
primeiro encontro, de uma nova primeira noite solar.
No meu solitário acordar, cabem
todos os sonhos, todas as memórias, todas as saudades, todos os queres, todas
as vontades, para que na espera, chegues, não ávida e sedenta de amor louco,
fisicamente demonstrado, mas apenas um simples desejo, deitar-te e adormecer a
meu lado, nesse teu tresloucado cansaço que o trabalho te impõe. Para isso
acordo e escolho amar-te todos os dias!



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