16 de junho de 2015, Castanheira do Ribatejo
Cara Amada,
Passaram anos sem que te escreve-se, talvez anos a mais, ou talvez não, pois o sentimento que nos move tem sido mais de gestos que palavras! Vinte anos, vinte anos 4 meses e dois dias exactos, desde que perante testemunhas terrestres e celestes firmamos o nosso sim. Já vivemos tantas coisas juntos, e tantas coisas temos para viver, lembras-te das cartas? Ai as cartas, a ansiedade sentida na espera da resposta, mas nenhuma teve tanta importância como a primeira, sem estar há espera, do nada, a perfeita sintonia do universo, essa que que nosso destino selou, sim essa mesmo que estás a pensar, a primeira, trocada no mesmo dia… sem que outro soubesse. E lembras-te? Na segunda carta quando pela primeira vez te tornaste musa da mais singela poesia? Um soneto, o meu primeiro soneto… onde transformas as trevas em luz, o escudo em abrigo, a espada em espelho, a armadura em devaneio… minha amada muitos anos passaram, nosso amos se fez carne, e como cresceu… e que alegria nos deu, tem dado e dará… como passam os dias, agora assim com tanto para falar, e tu a trabalhar, como te queria aqui, tanto a dizer, há sempre tanto a falar. Amada minha já almoçamos, tratamos da casa, regamos todas as plantas, de manha com a fresca, agora neste momento em que te escrevo, penso que tenho roupa a estender, mas tenho tempo, nada se vai perder… para o jantar já adiantamos, e penso, que eu breve também sairei, a semana quase a findar, sábado serei eu que sairei a trabalhar.
Tenho vontade de reler contigo todas as cartas que trocamos, as juras de amor, as promessas que concretizamos, saudoso tempo das promessas escritas pelo pulso, na tinta que se guarda para a vida como selo da palavra dada, não como agora, que a resposta sai sem pensar, sem reflectir… e o tempo que esperávamos pela resposta, as malditas 24 horas, úteis… e o nosso amigo carteiro, que só pelo cheiro reconhecia já a correspondência… Amada minha que minha alma preenches, assim te deixo, trabalhando… e eu aqui esperando, como sempre esperaste… apenas mais uma coisa tenho a dizer-te, ontem como hoje volto a escolher-te a ti!
Deste que te Ama,
A. Alberto Sousa


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